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Mercado crava alta de 0,5 p.p. na Selic semana que vem após "ataque" de diretor do BC

Em discurso bastante duro, ele sinalizou que, apesar de progressos recentes no combate à inflação, existem novos riscos para as projeção sobre o IPCA em 2016

luiz awazu, bc

SÃO PAULO - Os principais contratos de juros futuros registram alta nesta sexta-feira (24), impulsionados principalmente pelo discurso do diretor de Política Econômica do Banco Central, Luiz Awazu, que sinalizou uma alta de 0,5 ponto percentual na Selic na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) na semana que vem, para 14,25%. Os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2017 subiram 21 pontos, a 13,85%, enquanto o com vencimento em janeiro de 2021 sobe 15 pontos, a 13,15%. 

Em discurso bastante duro, ele sinalizou que, apesar de progressos recentes no combate à inflação, existem novos riscos para as projeção sobre o IPCA em 2016. "As expectativas de inflação ainda estão cerca de 90 pontos-base acima da nossa meta no fim de 2016", diz Awazu, segundo íntegra do seu discurso divulgada no site do BC.

Segundo ele, o objetivo da política monetária é precisamente evitar que o impacto das pressões inflacionárias de curto prazo em 2015 seja transmitido para 2016 e adiante. Awazu comentou que a política monetária pode e deve conter os efeitos secundários de aumento de preços e circunscrevê-los ao ano de 2015. "Por essa razão, a política monetária é e deve continuar vigilante para garantir a convergência da inflação para a meta de 4,5% em 2016", afirmou.

Em entrevista para a Bloomberg, Daniel Weeks, economista-chefe da Garde Asset Management, destacou ainda que, embora não tenha se referido diretamente ao corte da meta de superávit primário realizada na quarta-feira, o discurso do diretor do BC sinalizou claramente que o menor esforço fiscal obrigará o BC a manter o aperto monetário.

Em meio à queda do crescimento econômico e com as últimas sinalizações do presidente do BC, Alexandre Tombini, o mercado já começava a precificar uma redução do ritmo de alta dos juros. Agora, o mercado está revisando as suas projeções. 

(Com Reuters)

 

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