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Forte alta do DI após Copom "sem surpresa" dá o recado: Selic deve subir ainda mais

Enquanto economistas divergem entre "fim do ciclo de aperto" e altas de até 14,5%, operadoras da BM&F jogam os contratos futuros do DI nas alturas nesta sexta-feira

SÃO PAULO - Pode ser que a alta de 0,5 ponto percentual na taxa de juros pelo Copom (Comitê de Política Monetária) não tenha surpreendido, mas o futuro da Selic fica cada vez mais no radar. Não houve mudanças no teor comunicado divulgado pelo comitê após a reunião, deixando a porta aberta para novas elevações nas próximas reuniões. Pelo menos é dessa forma que o mercado está precificando a "omissão" de novidades.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 sobe 0,11 ponto percentual nesta sexta, chegando a 13,69%. Para o mesmo mês em 2018, são 0,08 p.p., de alta para 13,13%. Em 2019 são 0,08 p.p. de avanço, para 12,89%. Por fim, no caso de contratos mais longos como os DIs para janeiro de 2020 e janeiro de 2021, a alta é a mesma: de 0,09 p.p., a 12,75% e 12,64% respectivamente.

O DI (Depósito Interbancário), é a taxa de juros que os bancos cobram para emprestar um para o outro no movimento chamado de "overnight", quando um tem excesso de dinheiro em caixa e ou outro tem falta. O rendimento do DI segue de perto o da taxa Selic, então, perto de decisões de juros, ele tende a subir ou cair de acordo com as expectativas do mercado com relação àquela reunião do Copom. No caso de hoje, ele está digerindo muito mais os próximos passos do comitê do que a decisão da última quarta-feira (3).

Economistas divergem
A maioria dos economistas espera novos aumentos no futuro, mas a divergência está na intensidade das altas. João Pedro Ribeiro, da Nomura Securities Internacional, interpretou a ausência de alterações no comunicado como um motivo para mais uma alta de 50 pontos-base na reunião de julho, o que levaria a Selic a 14,25% ao ano. Contudo, uma elevação de 25 p.b. também pode ocorrer, diz Ribeiro.

Um pouco mais "agressivo", o economista André Perfeito, da Gradual Investimentos, acredita que a Selic possa acabar 2015 em 14,5% ao ano a não ser que as expectativas para o IPCA voltem a convergir para o centro da meta no ano que vem ou no seguinte - a lembrar: o centro da meta da inflação é de 4,5% e as expectativas para 2015 atualmente estão em 8,4%. "Este ano se estabeleceu como um limbo onde temos que purgar certos movimentos antes de voltarmos a crescer, e não estou me referindo a questões fiscais propriamente. A grande variável e ajuste será o salário real, somente assim teremos sob controle simultaneamente, no curto prazo, a inflação e alguma melhora na produtividade", explica Perfeito. 

Na contramão, os economistas do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn e Caio Megale, reforçam que embora a manutenção do comunicado pode ser visto como um sinal de que a alta de juros continua à frente, eles acreditam que a atividade em queda deve convencer o Copom a interromper o ciclo depois da alta recente.

"Entendemos que o enfraquecimento da atividade econômica vem se intensificando. Os indicadores de confiança continuam recuando, a criação de postos de trabalho vem ficando mais negativa, e a utilização da capacidade instalada na indústria está nos níveis mais baixos da série histórica. A produção industrial e as vendas no varejo indicam nova queda do PIB no segundo trimestre, e possivelmente no terceiro. Desta forma, entendemos que o Copom concluirá que a Selic no patamar atual, de 13,75%, já é suficiente para promover uma desinflação importante em 2016", ressaltam os economistas.

 

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