Em mercados / renda-fixa

Divergência sobre ajuda à zona do euro pressiona yields alemães

Refletindo a procura maior por ativos considerados mais seguros, rendimentos dos títulos da Alemanha cedem ao menor patamar em uma semana

Reichstag - Berlim - Alemanha
(Jürgen Matern/Wikimedia)

SÃO PAULO - Os títulos de dívida da zona do euro avançam enquanto líderes do continente não chegam a um consenso sobre como salvar o continente da crise. Refletindo a procura maior por ativos considerados mais seguros, os papéis da Alemanha com prazo de dez anos sobem e seus yields cedem ao menor patamar em uma semana.

Na Itália, títulos galgam na esteira da divergência entre a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Francois Hollande, sobre um prazo para socorrer os bancos do Velho Continente.

Na Grécia, o governo negocia com a Troika - grupo formado por Comissão Europeia, BCE (Banco Central Europeu) e FMI (Fundo Monetário Internacional) - os cortes de gastos avaliados em € 11,9 bilhões e uma reportagem da Der Spiegel sugere que ainda mais medidas podem ser necessárias, o ministro de Finanças da França, Jean-Marc Ayrault, defendeu que o país consiga mais tempo para atingir suas metas.

País Rendimento Variação Spread vs. Bund*
Grécia 19,50% -2,54% +17,94
Portugal 8,60% +0,43% +7,04
Itália 5,03% -0,18% +3,47
Espanha 5,68% -1,34% +4,12
França 2,28% -0,53% +0,72
Alemanha 1,56% -2,51% -

* Diferença calculada em pontos percentuais. Fonte: Bloomberg

Entenda: quanto maior, pior
Os títulos públicos são uma das maneiras que os governos possuem para se financiar, enquanto a variação diária dos rendimentos decorre das negociações no mercado secundário. O juro pago pelo governo e o valor do papel são definidos no momento da emissão dos títulos, mas este último sofre variação no mercado secundário.

Assim, quanto mais arriscado um investimento, maior será o prêmio demandado pelos investidores no mercado secundário. Portanto, o valor do título recua e, consequentemente, o rendimento no mercado secundário aumenta. Tal variação positiva é uma indicação de que caso o governo opte por emitir novos papéis o custo para se financiar deverá ser maior.

 

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