Real digital não será anônimo como o dinheiro comum, aponta Accenture

Em relatório, empresa também ressalta que moeda digital brasileira deverá incentivar a competição em serviços financeiros inovadores

Estadão Conteúdo

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Com a eficiência que o Pix trouxe para os pagamentos no Brasil, a redução do anonimato nas transações financeiras e o fomento à competição e inclusão, por meio de serviços inovadores, devem ser os principais benefícios trazidos pelo real digital ao País. A avaliação é de Eliseu Tudisco, diretor de estratégia de negócios da Accenture, com base no relatório da empresa com o tema ‘CBDC: Os impactos de Central Bank Digital Currencies no mercado mundial’, enviado com exclusividade ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

A Accenture tem trabalhado de perto com a implementação de CBDCs pelo mundo, com participação importante em dois projetos mais avançados, o da Suécia e o de Singapura, que já estão na fase de piloto. Nos Estados Unidos da América, país com a moeda mais forte do mundo, o receio é maior quanto à criação de uma CBDC, mas a consultoria contribuiu para os debates iniciais.

Conforme a empresa, hoje, três países têm uma moeda digital em plena operação – China, Bahamas e Nigéria. Além de Singapura e Suécia, Japão e Coreia do Sul também já estão com os testes mais adiantados. No Brasil, a implementação deve começar em 2023 e Tudisco destaca que, no laboratório do real digital, o Banco Central brasileiro está executando projetos com o objetivo de chegar a uma forma de viabilizar a moeda.

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Ao contrário da China, por exemplo, o BC no Brasil não está buscando maior eficiência para pagamentos, graças ao sucesso do Pix. Mas se concentra em aumentar a visibilidade das trocas no sistema financeiro e incentivar a criação de novos produtos e modelos de negócios que contribuam para avanços no tema da inclusão financeira – como na Nigéria.

Embora o Pix já tenha aumentado a capacidade do BC de monitorar as transações financeiras, Tudisco avalia que o real digital tende a acelerar a substituição do dinheiro físico, elevando a formalidade na economia e ajudando em tarefas como cobrança de impostos e combate à lavagem de dinheiro.

Além disso, ao contrário das criptomoedas, a CBDC é uma moeda digital controlada pelo governo e, assim, daria mais segurança para o desenvolvimento de inovações. Como exemplo, ele cita as operações de crédito por meio de plataformas de finanças descentralizadas, em que há empréstimo entre quem poupa e quem precisa de dinheiro, sem a intermediação de uma instituição financeira, já que o acordo seria estabelecido pelos códigos criados na própria moeda.

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“A ideia aqui é ter uma criptomoeda sob gestão do governo, uma moeda estável, que vai poder alavancar serviços financeiros por meio de finanças descentralizadas (Defi, na expressão em inglês).

Hoje, os grandes bancos acabam atendendo as classes mais altas. Com a CBDC, por meio do Defi, teria ainda mais pluralidade de instituições que fornecem produtos financeiros”, disse, citando ampliação da onda de criação de braços financeiros em varejistas ou empresas de serviços públicos.

Nesse sentido, a Accenture também tem atuado na discussão das moedas digitais de modo a apoiar as empresas que queiram entender mais sobre o assunto, como eventuais ameaças e possíveis posicionamentos neste novo mercado, além de oferecer suporte tecnológico para adotar mudanças. A procura, no entanto, por ora, tem sido mais localizada.

“Já tem alguns bancos e empresas começando a olhar para o tema, mas ainda não é a grande maioria do mercado. Ainda é uma fase de entender melhor o conceito e os impactos que a adoção da CBDC podem trazer.”

Competição

No relatório, a Accenture dá destaque para os impactos sobre os diferentes tipos de empresas, especialmente as financeiras, evidenciando também o aumento da competição que deve ser possibilitada pela moeda digital.

Para bancos tradicionais, a empresa vê a ampliação de oferta de produtos não financeiros como ponto positivo, mas prevê uma queda de relevância no relacionamento com o cliente, assim como uma redução de margens em serviços financeiros básicos.

Os neobancos devem sair na frente na experiência do usuário, mas perder vantagem na conquista do cliente por causa da isenção de taxas, como ocorre hoje.

A Accenture ainda avalia que as fintechs devem dobrar a aposta em inovação com a CBDC, explorando contratos inteligentes e empréstimos sem intermediação de instituições financeiras, mas ter menor vantagem competitiva.

Para as bigtechs, a expectativa é de criação de serviços financeiros com internet das coisas e de oferta de novas formas de pagamento aos clientes, mas essas empresas devem primeiro ter de adaptar a operação à moeda digital.

Essa adaptação também será necessária para as companhias das demais indústrias, que podem ser submetidas a riscos menores por meio de contratos inteligentes e favorecidas na expansão internacional graças à facilitação do câmbio.

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