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Reações aos balanços de Petrobras, Vale, Ambev, Usiminas e Renner e mais notícias do radar corporativo

Confira os destaques do noticiário corporativo na sessão desta sexta-feira (25)

Tratamento de Gás Monteiro Lobato Petrobras
(Agência Petrobras)

No Radar InfoMoney desta sexta-feira destaque para a avalanche de resultados corporativos do terceiro trimestre, com destaque para as gigantes Petrobras, Vale, Lojas Renner, Ambev e Usiminas. Além dos balanços, atenção para o banco BMG e a varejista C&A, que precificaram suas ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) no piso da faixa indicativa e devem movimentar, cada uma delas, cerca de R$ 1,6 bilhão.

Petrobras (PETR3;PETR4)

A Petrobras teve um lucro líquido de R$ 9,087 bilhões no terceiro trimestre de 2019 – uma alta de 36,8% ante o mesmo período do ano passado, quando teve lucro de R$ 6,644 bilhões. O resultado ficou acima da média das projeções compiladas pela Bloomberg, que apontava para lucro de R$ 8,410 bilhões. Sobre o segundo trimestre, houve uma queda de quase 52% no lucro, que foi de R$ 18,8 bilhões. Essa diferença se deu porque entre abril e junho houve um grande impacto da venda da TAG sobre os números da empresa.

No ano, o lucro da Petrobras saltou 35,1% de janeiro a setembro, somando R$ 31,9 bilhões. O resultado anual foi alavancado pela venda de ações da BR Distribuidora, que ajudou com R$ 13,9 bilhões, enquanto os ativos desinvestidos no segundo trimestre, como a TAG, contribuíram com outros R$ 21,2 bilhões.

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Excluindo estes e outros efeitos não recorrentes, tais como perdas com contingências judiciais e impairment, o lucro da Petrobras recuou 18% na comparação com os nove primeiros meses do ano passado, para R$ 24,028 bilhões.

O Credit Suisse apontou que acreditava que o preço do petróleo iria pressionar o resultado da Petrobras, mas os números surpreenderam e a empresa entregou um Ebitda recorrente ex-IFRS de 15% acima do esperado pelo banco suíço, enquanto o lucro liquido ficou 9% acima do esperado e, se ajustado pelos não recorrentes (ganho com a BR Distribuidora, impairments, write off de imposto diferido), seria ainda melhor.

A geração de caixa também foi uma surpresa positiva e reduziu a dívida liquida em US$ 6,6 bilhõese a alavancagem caiu para um pouco abaixo de 2 vezes a relação entre dívida líquida e o Ebitda nos últimos doze meses.

A XP Research também destacou ter uma visão positiva dos resultados da Petrobras. “Em um trimestre em que preços de petróleo foram em média 9,5% menores em relação ao período anterior, a empresa demonstrou resiliência, com geração de caixa em patamares saudáveis e redução do endividamento”, aponta o analista Gabriel Fonseca.

Vale (VALE3)

O lucro líquido da Vale no terceiro trimestre do ano atingiu US$ 1,654 bilhão, aumento de 17,5% em relação ao observado no mesmo período do ano passado. O resultado reverte, ainda, prejuízo de US$ 133 milhões registrado no trimestre imediatamente anterior. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, apesar do resultado positivo no terceiro trimestre, o prejuízo é de US$ 121 milhões, na esteira da tragédia de Brumadinho em janeiro.

O lucro líquido da Vale referente ao terceiro trimestre do ano, de US$ 1,654 bilhão, veio 25% abaixo das projeções de mercado, que apontava para um ganho de US$ 2,2 bilhões, conforme a média de 12 casas consultadas pelo Prévias Broadcast – BB-BI, Bradesco BBI, BTG Pactual, Credit Suisse, Eleven Financial, HSBC, Itaú BBA, JPMorgan, Morgan Stanley, Safra, Santander e XP.

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O Ebitda ajustado, de US$ 4,603 bilhões, veio em linha com as estimativas (US$ 4,5 bilhões). As receitas operacionais líquidas da Vale no terceiro trimestre do ano somaram US$ 10,217 bilhões, 8% acima das projeções de mercado.

A XP Investimentos destaca que os resultados foram em linha com as expectativas, sendo a forte geração de caixa o principal destaque positivo, levando a um impressionante nível de alavancagem de 0,5 vezes a dívida líquida/EBITDA (US$ 5,3 bilhões), o mais baixo patamar desde o quarto trimestre de 2008.

“Com a normalização das operações, todos os olhos estão (ou deveriam estar) voltados para os dividendos de 2020, cujo restabelecimento vemos como a principal alavanca de valor para a empresa. As ações da Vale negociam a 4,2 vezes o valor da empresa sobre o Ebitda de 2020, o que consideramos como atrativo. Reiteramos recomendação de Compra e esperamos reação positiva das ações diante dos resultados”, destaca a XP.

De acordo com os analistas do Safra, os resultados da Vale no quarto trimestre devem “permanecer sólidos, sustentados por maiores embarques, preço do minério de ferro a US$ 80-90 e redução de US$ 1-1,5/t nos custos de caixa C1”. Embora cerca de 5% abaixo da previsão dos analistas, após ajustes por despesas relacionadas a Brumadinho, os resultados operacionais do terceiro trimestre foram bons, mostrando tendências positivas em termos de volume e custo.

Os resultados apoiam a expectativa de forte geração de fluxo de caixa, que pode levar a uma remuneração atrativa dos acionistas. O minério de ferro deve operar acima do preço de equilíbrio de
longo prazo dos analistas, de US$ 65, até o final de 2021 “devido ao cenário de déficit no mercado transoceânico de minério de ferro, contribuindo para o fluxo de caixa livre da Vale no curto e médio prazos”.

“No longo prazo, ainda vemos os aspectos positivos que destacamos antes do rompimento da barragem de rejeitos de Brumadinho, principalmente o maior apetite por minerais ferrosos
premium na China, devido a políticas ambientais e ganhos de eficiência para as siderúrgicas”. A  Safra tem rating outperform para Vale, com preço-alvo de US$ 18,10 para o fim de 2019.

Ambev (ABEV3)

A Ambev registrou lucro líquido de R$ 2,498 bilhões no terceiro trimestre deste ano, 11,6% inferior aos R$ 2,824 bilhões registrados em igual período de 2018. Este resultado é atribuído à participação dos controladores.

O lucro líquido ajustado da fabricante de bebidas foi de R$ 2,441 bilhões entre julho e setembro, queda de 15,8% no comparativo anual. Em informe de resultados, a companhia afirma que a piora do desempenho reflete a maior despesa de imposto de renda – no período, a linha ficou em R$ 222,0 milhões.

Já o Ebitda ajustado da Ambev atingiu R$ 4,410 bilhões no terceiro trimestre, 4,0% abaixo do registrado em igual período do ano passado, enquanto a margem Ebitda ajustado ficou em 36,9%, contra 41,5%. Nas operações brasileiras, o Ebitda caiu 13,3%, para R$ 2,404 bilhões,

No Brasil, o volume de vendas de cervejas recuou 2,8%, após ajuste de preços e um cenário competitivo potencializado por descontos realizados pela concorrência. Esses fatores ajudaram no tombo das ações da InBev na Europa.

A receita líquida consolidada subiu 8,1% no terceiro trimestre, para R$ 11,958 bilhões, com acréscimo no volume de 0,8% e crescimento na receita líquida por hectolitro (ROL/hl) de 7,2%.

Conforme aponta a XP Research, a Ambev apresentou resultados mais fracos do que o esperado no terceiro trimestre, com a queda de 2,8% no volume de cerveja no Brasil na base anual sendo o principal destaque negativo (versus as estimativas da XP de alta de 1,5%). Os volumes da América Latina e da América Central superaram as estimativas, mas passaram longe de compensar os resultados do Brasil, tanto nos segmentos de cerveja quanto no de bebidas não alcoólicas (NAB).

“Após a superação das expectativas do consenso no resultado do último trimestre (2T) e a subsequente alta das ações, todos os olhos estavam voltados para os volumes, com o mercado esperando algo próximo de um crescimento baixo – expectativa que não se materializou”, avalia Betina Roxo, analista da XP.

Também para o Itaú BBA, o resultado da Ambev foi negativo. Segundo a instituição, o Ebitda ajustado ficou 3% abaixo das estimativas do Itaú BBA e 6% inferior ao do consenso. “A surpresa positiva do lucro líquido foi inteiramente atribuível a um ganho não recorrente de R$ 170 milhões”, diz, pontuando o desempenho fraco de cervejas no Brasil, assim com as margens não alcoólicas e Ebitda abaixo em todos os negócios no exterior.

Usiminas (USIM5)

A Usiminas teve um prejuízo de R$ 138,98 milhões no terceiro trimestre deste ano, revertendo lucro líquido de R$ 171,246 milhões do segundo trimestre e ganhos líquidos de R$ 289,131 milhões do terceiro trimestre do ano passado.

O Ebitda ajustado atingiu R$ 441,169 milhões, com uma margem de 11,5%. Em relação ao segundo trimestre, houve uma queda de 23,4%, principalmente, dos maiores custos de produtos vendidos, mesmo compensados por maiores volumes de venda de minério de ferro. Na comparação anual, a queda foi de 59,2%.

A receita líquida somou R$ 3,849 bilhões de julho a setembro, representando estabilidade na comparação anual e alta de 4% frente ao intervalo entre abril e junho deste ano.

Para o Morgan Stanley, a Usiminas reportou Ebitda modestamente abaixo do consenso, mas o Ebitda ajustado veio bem abaixo das suas estimativas. “Do lado positivo, apesar da grande perda no lucro, o caixa das operações superou generosamente nosso número”, escreveram os analistas Carlos De Alba, Eduardo Bordalo e Jens Spiess, destacando ainda a redução das despesas com vendas, gerais e administrativas.

Do lado negativo, o Morgan Stanley pontua o volumes de aço e preços abaixo do esperado, assim como o aumento do custo do produto vendido, tanto em aço quanto em mineração. “A Usiminas está altamente exposta ao mercado doméstico de aço e deve continuar enfrentando meses desafiadores pela frente, com um lento crescimento de volume”, afirmaram.

A recomendação dos analistsas para Usiminas é “equal-weight”, justificado pela expectativa de que os papéis da companhia não superem o Ibovespa até que as condições macroeconômicas no Brasil melhorem – com a volta, por exemplo, da confiança nos negócios e melhora da atividade econômica.

Lojas Renner (LREN3)

A varejista Lojas Renner registrou um lucro líquido de R$ 189,3 milhões no terceiro trimestre deste ano, desempenho 2,6% inferior ao reportado no mesmo período do ano passado e abaixo das expectativas. O Ebitda total ajustado atingiu R$ 360,4 milhões, aumento de 3,9% e uma margem de 18,7% – queda de 1,6 pontos porcentuais.

A receita líquida da Renner somou R$ 1,931 bilhão, expansão de 12,9%. Já as vendas no conceito mesmas lojas subiram 8,3% no terceiro trimestre, acelerando a alta em relação ao aumento de 6,9% do mesmo período do ano passado.

O Credit Suisse avaliou que a Lojas Renner entregou um resultado sólido, mostrando um nível de “execução exemplar”. A instituição destacou que o lucro ficou em linha com as suas expectativas, mesmo desconsiderando itens não recorrentes do terceiro trimestre do ano passado. O Credit Suisse informou ainda que elevou o preço-alvo da companhia, para 2020, de R$ 48 para R$ 55, mesmo mantendo a recomendação Neutra.

Fleury (FLRY3)

O laboratório Fleury registrou lucro líquido de R$ 94,8 milhões no terceiro trimestre, desempenho 4,9% superior ao reportado no mesmo período do ano passado. O Ebitda atingiu R$ 196,5 milhões, uma alta de 8,2%, com uma margem de 26,0% (-0,58 p.p.). A receita somou R$ 755,7 milhões, representando um avanço de 10,6%.

Para o Bradesco BBI, o resultado veio em linha com as suas estimativas, mas trouxe destaques importantes. Do lado positivo, a receita da marca Fleury; mas no negativo a margem bruta (que caiu 1,1 p.p., a 29,5%) e Ebitda continuam sob pressão, devido a piora de mix, especialmente nos segmento B2B, além de aumento nos custos de materiais.

“Esperamos reação neutra para o papel hoje, já que a companhia mostra performance similar ao segundo trimestre”, destacou, acrescentando que as empresas favoritas do setor no Brasil são Hapvida e Qualicorp.

C&A (CEAB3)

A varejista de moda C&A informou que o preço por ação de seu IPO saiu a R$ 16,50 por ação, no piso da faixa indicativa, que ia até R$ 20. As ações da varejista começam a ser negociadas na B3 no dia 28, com o código CEAB3. Tanto a tranche primária quanto a secundária movimentaram R$ 813,7 milhões cada, totalizando R$ 1,63 bilhão.

BMG (BMGB4; BMGB11)

A oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) do banco mineiro BMG movimentou R$ 1,6 bilhão, sendo R$ 1,2 bilhão da oferta primária — recursos novos, cujo montante vai para o caixa da companhia — e R$ 400 milhões na oferta secundária. A faixa indicativa do IPO do BMG foi definida entre 11,60 reais — valor da precificação — e R$ 13,40 por ação.

 

(Com Agência Estado e Bloomberg)

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