Por que os anúncios de dividendos estão levando o Ibovespa a novas máximas?

Novo desenho fiscal levou empresas a antecipar anúncios de proventos que poderiam ser distribuídos apenas nos próximos anos

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

Imagem: Pixabay
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A recente escalada do Ibovespa, que ultrapassou os 161 mil pontos pela primeira vez na véspera, tem uma explicação que vai além do cenário macroeconômico favorável e das apostas em cortes de juros. Segundo analistas da Eleven Financial, uma corrida por dividendos extraordinários deve transformar 2025 e o início de 2026 em um período recorde para pagamentos a acionistas, fenômeno que também está sustentando a bolsa brasileira em novas máximas históricas.

O gatilho é a mudança tributária aprovada pelo governo federal. A partir de 2026, dividendos acima de R$ 50 mil por mês serão tributados em 10%. Além disso, rendimentos superiores a R$ 600 mil por ano, somando todas as fontes tributáveis, terão incidência mínima de imposto. Esse novo desenho fiscal levou empresas a antecipar anúncios de proventos que poderiam ser distribuídos apenas nos próximos anos, com o objetivo de aproveitar a isenção vigente até o fim de 2025.

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Viva do lucro de grandes empresas

De acordo com Fernando Siqueira, head de research da Eleven Financial, este ano seria um ano normal em termos de dividendos. Porém, com a nova regra, companhias como Vale (VALE3) e Itaú (ITUB4) passaram a divulgar distribuições extraordinárias e bilionárias. Esses pagamentos começaram ainda em 2025 e, na maioria dos casos, se estendem até o primeiro trimestre de 2026.

Valores expressivos

Apenas os dividendos anunciados para dezembro somam quase R$ 30 bilhões, superando o volume médio negociado diariamente no Ibovespa, pouco acima de R$ 20 bilhões. Outro montante semelhante já está previsto para os primeiros meses de 2026. Com isso, a expectativa é que 2025 supere 2024 na distribuição de proventos e que o início de 2026 também fique acima da média histórica, elevando o dividend yield (dividendo sobre preço) do índice.

Para os analistas da Eleven, os dividendos elevados não apenas impulsionam o Ibovespa, mas confirmam que o valuation baixo da Bolsa é real, e não fruto de distorções ou de uma tendência de lucros em queda. O movimento atual indica que os resultados das empresas seguem crescendo e que o nível de endividamento permanece sob controle, permitindo distribuições maiores aos acionistas.

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Nos últimos dias, além de Vale e Itaú, companhias como Unipar (UNIP6) e Grendene (GRND3) também anunciaram proventos. A expectativa é que outras empresas façam o mesmo antes de dezembro, aproveitando a janela final para enquadrar os pagamentos na regra anterior de tributação.

Com a combinação da antecipação de dividendos e das perspectivas de cortes adicionais na taxa básica de juros, a avaliação da Eleven é que o Ibovespa deve continuar encontrando suporte para novas máximas nos próximos meses. O ciclo de dividendos recordes pode, portanto, se consolidar como um dos principais motores da bolsa brasileira entre o fim de 2025 e o início de 2026.