O mercado está de olho

Por que as prisões da Lava Jato são ruins para a Bolsa?

Prisões de presidentes das duas maiores empreiteiras do País deixam mercado em estado de alerta; Ibovespa caiu 0,9% nesta sexta-feira, com Petrobras e bancos

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SÃO PAULO – Os mandados de prisão da 14ª fase da Operação Lava Jato nesta sexta-feira (19) foram acompanhados de perto pela Faria Lima, que além do impacto imediato já causado nas ações da Braskem, Petrobras e bancos nesta sessão, traz um efeito cascata para o mercado em geral. 

Ou seja, para quem acha que o efeito disso é nulo na Bolsa pode começar a mudar de ideia – só olhando para o desempenho do Ibovespa hoje. Em meio à uma série de notícias negativas, o principal índice de ações da Bolsa encerrou com baixa de 0,9% nesta sessão, a 53.749 pontos, puxado principalmente pelos papéis da Petrobras (PETR3; PETR4) e os bancos Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC3; BBDC4), que caíram entre 1% e 2%. A Braskem, cujo peso é menor no índice e que foi diretamente impactada pelas notícias de hoje, desabou 10% na Bolsa. Os bancos, que além dos dados econômicos ruins, foram afetados pelas prisões já que são credores de diversas companhias ligadas à Operação Lava Jato. 

A questão é importante pois envolve as maiores empreiteiras do País. A Odebrecht, por exemplo, que teve seu presidente, Marcelo Odebrechet, e mais três diretores, Marcio Faria, Rogério Araújo e Alexandrino Alencar, presos hoje é o principal player de obras pesadas e industrais do País.   

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O grupo, que é dona da CNO (Construtora Norberto Odebrecht, que traz o nome do fundador), a maior do País, fatura mais de R$ 100 bilhões por ano e já era alvo de investigação na operação, que apura a existência de corrupção e pagamentos de propinas na Petrobras. Metade da receita global da petroquímica Braskem (BRKM5), na qual é majoritária com 50,1% das ações ordinárias e que tem participação na Petrobras. 

Ou seja, um episódio como essa inevitavelmente traz manchas para a imagem do País no cenário internacional, comentou o analista Ricardo Kim, da XP Investimentos. E não apenas pelo tamanho que possuem as companhias, mas também pela leitura do mercado de que as prisões podem trazer as investigações mais para perto do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva. O jornal britânico Financial Times diz que “promoteres federais já estão conduzindo uma investigação preliminar sobre alegações de possível tráfico de influência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em ajudar a Odebrecht em contratos de construção no exterior entre 2011 e 2014”, mas cita a negativa de Lula e da companhia em irregularidades. 

“Tem um efeito negativo da imagem institucional do Brasil, já que trata-se das principais construtoras, tendo seus presidentes presos, além das preocupações sobre a área de infraestrutura, que traz um estresse ao mercado já que pode travar esses investimentos importantes”, comentou Kim.  

Nesta sexta-feira, o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, evitou responder diretamente sobre o impacto da Operação Lava Jato no programa de investimentos do governo federal. Questionado sobre as recentes prisões dos presidentes da Odebrecht e Andrade Gutierrez, o ministro respondeu apenas que “todas as empresas que não forem consideradas inidôneas poderão participar” do programa. Já o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou que a prisão dos presidentes das duas companhias deve causar impactos na economia.