Juros

Por que acompanhar os juros futuros mesmo se você só opera ações? Analista explica

Bolsa e DI estão fortemente interligadas então é sempre bom dar uma olhada nos juros futuros, principalmente dependendo do setor em que está a empresa em que você quer investir

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SÃO PAULO – O mercado inteiro ficou negativo depois do anúncio do governo da redução da meta de superávit primário de 1,1% do PIB (Produto Interno Bruto) para 0,15% em 2015, além de cortar também para os próximos dois anos o objetivo do esforço fiscal. No entanto, neste cenário chamou muito a atenção o desempenho dos juros futuros, que disparam veementemente. Diante disso, o leitor pode se perguntar: mas para que saber de juros se eu só invisto em ações?

Segundo o economista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger, o investidor tem todos os motivos para fazer isso. O mercado de juros, para começo de conversa, tem o poder de influenciar a própria Bolsa. Isso ocorre, por exemplo, pelo custo de oportunidade. Por ser um mercado de renda variável no qual os rendimentos são incertos e a chance de perder dinheiro não é pequena, só vale a pena entrar para o mundo das ações se a possibilidade de valorização de um ativo for maior do que o que se ganha na renda fixa somado a um prêmio sobre o risco. E o que isso tem a ver com o DI?

Brugger lembra que os juros futuros antecipam ou tentam antecipar os movimentos da Selic, a nossa taxa básica de juros. A Selic, como muitos sabem, é usada como referência para a rentabilidade de diversos ativos como títulos públicos. Os juros de 2018 a 13,30% são um bom rendimento de DI, então acaba diminuindo a atratividade da Bolsa”, explica o economista.

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Além disso, ele lembra que os juros mais altos possuem um impacto para as empresas em si, já que reduz a lucratividade de diversos setores como incorporadoras e shoppings centers, já que são mercados muito dependentes de pagamentos a prazo pelos consumidores. Isso significa que as ações destes setores tendem a cair quando as apostas são de aumento dos juros. 

Muitas empresas ainda emitem títulos da dívida lastreados no DI ou na Selic, de modo que um aumento dos juros significa uma maior dificuldade de financiamento para estas companhias. Resultado disso, em última instância é que a empresa pode ficar mais alavancada e ser obrigada a reduzir investimentos ou vender ativos. 

Olhando para isso, hoje é talvez uma das melhores oportunidades para olhar para os juros futuros. Às 15h26 (horário de Brasília), os DIs mais líquidos, de janeiro de 2017 e janeiro de 2021 sobem respectivamente 31 pontos-base a 13,64% e 47 p.bs. a 12,96%. Contratos menos líquidos como janeiro de 2018, 2019 e 2020 sobem 43 p.bs., a 13,17%, 47 p.bs., a 13,05% e 49 p.bs., a 12,97%.