Por mudanças na regulação, Taurus (TASA4) vê lucro líquido cair 81,8% no ano, para R$ 35,4 milhões

Novo governo vem atuando de forma direta para diminuir concessões de armas para caçadores e colecionadores

Vitor Azevedo

Uma pistola Taurus TH9 (crédito: divulgação)

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A Taurus (TASA4) lucrou R$ 35,4 milhões de forma líquida no primeiro trimestre de 2023, número 81,8% menor do que os R$ 195 milhões do mesmo período do ano passado.

Em parte, o recuo acompanha a queda da receita líquida, que foi de 33% na mesma comparação, saindo de R$ 676,6 milhões para R$ 453,2 milhões. No mercado interno, a Taurus viu seu faturamento recuar 61,7%, de R$ 192,9 para R$ 73,9 milhões, e no externo, 21,6%, de R$ 483,7 para R$ 379,3 milhões.

Em suas duas unidades industriais, no Brasil e nos Estados Unidos, a companhia produziu o total de 331 mil armas, volume 42,4% inferior ao verificado no mesmo trimestre de 2022 e em linha com o volume registrado no quarto trimestre.

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O volume de vendas da Taurus no primeiro trimestre de 2023 foi de 352 mil unidades de armas, queda de 31,9% em relação a igual período do ano anterior.

“Isso se deu principalmente em razão das vendas no mercado doméstico, que foram impactadas pela indefinição com relação à regulamentação sobre armas”, justifica a companhia no documento publicado na noite desta segunda-feira (15). “Para o nosso segmento, além da situação econômica geral, soma-se a expectativa com relação à regulamentação relativa ao setor. Ainda que o Decreto 11.366/23, publicado no primeiro dia do atual governo, tenha mantido a autorização para aquisição de armas de uso restrito, o consumidor se retraiu completamente na espera de definições mais concretas”, fala Salesio Nuhs, diretor executivo (CEO) da Taurus.

O Decreto 11.366/23 suspendeu os registros para a aquisição e transferência de armas e munições de uso restrito para caçadores e colecionadores, além de ter restringido os quantitativos de aquisição e suspendido a conceção de novos registros de clubes e escolas de tiro.

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A companhia também viu seu lucro bruto, e sua margem nesta frente, recuarem, respectivamente, 47,3% e 10,5 pontos percentuais, para R$ 176,4 milhões e 38,9%.

“O custo dos produtos vendidos no trimestre apresentou redução de 19,1%, percentual inferior ao recuo da receita no mesmo período, em razão da pressão inflacionária, do dissídio de 12% sobre os salários da equipe da fábrica no Brasil e da menor diluição de custos fixos, que não dependem do volume de produção”, justifica a Taurus. “Também houve uma mudança no mix de vendas do trimestre que influenciou o desempenho”.

Entre janeiro e março, as despesas operacionais aumentaram 19,3% na comparação anual, chegando a R$ 120,3 milhões, com peso da equivalência patrimonial e perdas com não recuperabilidade de ativos.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização na sigla em inglês), ou lucro operacional, caiu, com tudo isso, 73,5%, saindo de R$ 241,7 milhões para R$ 64,1 milhões.

Por fim, a Taurus também viu seu resultado financeiro sair de um saldo positivo de R$ 43,5 milhões para um negativo em R$ 100 mil.

“As variações cambiais, tanto ativas (receitas) como passivas (despesas), representam o principal componente do resultado financeiro da Taurus. A desvalorização da moeda nacional se reflete na forma de variação cambial ativa (receita) sobre a carteira de clientes e sobre o caixa em dólares da subsidiária norte-americana e, na forma de variação cambial passiva (despesa), sobre as obrigações financeiras relativas à dívida bancária”, comenta.

A Taurus fechou março com um endividamento líquido de R$ 94,2 milhões, ante R$ 159,5 milhões no mesmo mês de 2022.