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Governo da França diz que Bolsonaro 'mentiu' e ameaça acordo UE-Mercosul

Líderes mundiais têm feito críticas e apelos ao Brasil

Jair Bolsonaro e Emmanuel Macron no G20
(Frederico Mellado/ARG)

(ANSA) - O governo da França anunciou hoje (23) que “se opõe” ao acordo entre União Europeia (UE) e Mercosul devido à “atitude do Brasil nas últimas semanas”.

“Nestas condições, a França se opõe ao acordo”, disse o Palácio do Eliseu, em uma nota publicada um dia após a troca de acusações entre o presidente francês, Emmanuel Macron, o brasileiro Jair Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro.

O governo francês também afirmou que Bolsonaro “mentiu” em seu discurso no G20 de Osaka sobre as ações que sua gestão vinha fazendo para preservar a Amazônia.

Ontem, Macron tinha sugerido que as queimadas na Amazônia fossem um dos temas da reunião dos chefes de Estado e de Governo dos sete países mais ricos do mundo que começa amanhã, em Biarritz, no sul da França. "Nossa casa queima. Literalmente. A Amazônia, o pulmão de nosso planeta, que produz 20% do nosso oxigênio, arde em chamas. É uma crise internacional", escreveu o mandatário em sua conta no Twitter.

"Membros do G7, vamos nos encontrar daqui a dois dias para falar dessa urgência", propôs. Após a crítica de Macron, outros líderes também se uniram para fazer apelos por uma reação do governo brasileiro contra os episódios de incêndio e desmatamento na Amazônia.

Além disso, a presidência francesa declarou que o G7 irá trabalhar em "iniciativas concretas" para lidar com incêndios na Amazônia. 

 

O governo brasileiro, no entanto, não recebeu bem o comentário de Macron.

No Twitter, Bolsonaro acusou o francês de tentar "instrumentalizar uma questão interna do Brasil e de outros países amazônicos para ganhos políticos pessoais".

"O tom sensacionalista com que se refere à Amazônia (apelando até para fotos falsas) não contribui em nada para a solução do problema", postou o presidente.

"O governo brasileiro segue aberto ao diálogo, com base em dados objetivos e no respeito mútuo. A sugestão do presidente francês, de que assuntos amazônicos sejam discutidos no G7 sem a participação dos países da região, evoca a mentalidade colonialista descabia do século XXI", criticou.

Um dos filhos do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, cujo nome tem sido cotado para assumir a embaixada do Brasil nos Estados Unidos, também atacou o líder francês, publicando um vídeo no Twitter cujo título chamava Macron de "idiota".

Nesta sexta-feira, porém, a ideia de Macron de tratar o tema da Amazônia no G7 foi endossada por outros líderes. A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse acreditar que os incêndios são "uma situação de grave emergência" que precisa ser discutida na Cúpula do G7.

"Os incêndios na Amazônia são terríveis e perigosos não somente para o Brasil e todos os países envolvidos, mas para o mundo inteiro, porque a floresta é de grande importância para o sistema global climático", disse o porta-voz de Merkel, Steffen Seibert, em uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira.

"Não é exagerado definir a Amazônia como o pulmão verde do mundo", completou. Dizendo-se “seriamente preocupada” com os incêndios na Amazônia, Comissão Europeia também se pronunciou.

“A Comissão está em contato com as autoridades brasileiras e bolivianas, pronta para fornecer assistência”, disse a porta-voz do Executivo, Mina Andreeva. O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, foi outro líder que fez um apelo ao Brasil.

"Não poderia deixar de concordar. Trabalhamos muito para proteger o meio ambiente no G7 do ano passado, em Charlevoix, e precisamos continuar neste fim de semana", disse o político pelas redes sociais.

"Nossas crianças e netos contam com a gente". O presidente do Chile, Sebastián Piñera, informou que conversou ontem com o presidente Jair Bolsonaro e ofereceu ajuda para controlar os incêndios na Amazônia.

"Ofereci a Jair Bolsonaro ajuda a este país irmão e amigo para combater com maior eficácia e força os graves incêndios florestais que afetam a Amazônia", contou o mandatário.

"Também espero conversar com o presidente da Bolívia, Evo Morales, para fazer a mesma proposta de ajuda". Na área da Amazônia que fica em território boliviano, três semanas consecutivas de incêndio consumiram mais de 500 mil hectares de floresta em Santa Cruz.

O Ministério das Relações Exteriores da Colômbia também expressou "preocupação" pelos "múltiplo incêndios" registrados na Amazônia e apoiou o chamado internacional para conter o que chamou de "catástrofe ambiental".

"Nós unimos a chamado urgente da região e da comunidade internacional para usarmos todos os esforços necessários para conter essa catástrofe que está provocando danos irreversíveis aos ecossistemas, à estabilidade do clima, à biodiversidade, aos recursos hídricos e às comunidades indígenas", ressaltou a Chancelaria, completando que "a tragédia na Amazônia não tem fronteiras", pois compromete o clima de várias nações, entre elas a Colômbia.

 

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