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Sozinho em live, Bolsonaro reconhece aumento do desmatamento na Amazônia

Presidente rebateu declarações de Emmanuel Macron e criticou interesse estrangeiro na região

Jair Bolsonaro
(Marcos Corrêa/PR)

SÃO PAULO - O presidente Jair Bolsonaro reconheceu na noite desta quinta-feira (22) que o desmatamento na Amazônia tem aumentado, mas afirmou que está fazendo de tudo par combater o que chamou de "queimadas criminosas".

A declaração foi feita na tradicional live que Bolsonaro faz no Facebook, que desta vez contou apenas com a presença da interprete de Libras, Elizângela Castelo Branco. Normalmente, o presidente é acompanhado de algum ministrou o integrante de sua equipe de governo.

Ele disse ainda que incêndios são normais, e citou o caso da Califórnia, nos Estados Unidos, que no ano passado teve mais de 100 pessoas mortas por conta de queimadas. Por outro lado, ele admitiu que no Brasil tem ocorrido casos criminosos, pedindo para que as pessoas denunciem.

"Fico indignado de ver pessoas fazendo campanha contra o próprio país", disse Bolsonaro sobre a onda de críticas que tem sofrido nos últimos dias. Além disso, ele afirmou que "países aproveitam o momento para prejudicar o Brasil".

Sem citar nominalmente o presidente francês Emmanuel Macron, Bolsonaro rebateu os estrangeiros que têm criticado o que está acontecendo no Brasil. "Tem país que fala em 'nossa Amazônia', você acha que ele está interessado no que é melhor para você brasileiro?", questionou.

Nesta tarde, Macron convocou os países do G7, que se reúnem neste fim de semana, para debaterem o caso dos incêndios na Amazônia. No Twitter, ele disse que a questão deve estar no topo da agenda da cúpula. "Nossa casa queima. Literalmente [...] É uma crise internacional", escreveu ele.

No Twitter logo após a live, Bolsonaro criticou diretamente o francês, dizendo que ele busca "instrumentalizar uma questão interna do Brasil e de outros países amazônicos para ganhos políticos pessoais" com "tom sensacionalista".

Além disso, ele afirmou que o Brasil está aberto ao diálogo e que o fato da França querer levar o assunto ao G7 "sem a participação dos países da região, evoca mentalidade colonialista descabida no século XXI".

Ainda na live, Bolsonaro ainda comentou que todo o País irá sofrer, e não apenas o governo, caso haja retaliação estrangeira. "Estamos no mesmo barco. Nossa economia está ancorada nas commodities. Se os países decidirem nos retaliar, todo mundo vai sofrer", afirmou.

Por fim, o presidente destacou que recebeu o governo com um orçamento muito baixo e tem tido dificuldades para garantir recursos para esta questão. "Faremos o que for possível para combater o fogo na Amazônia [...] Temos que dar uma resposta para o mundo", concluiu.

 

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