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Podcast 'Frequência Política' traz aprovação da reforma da Previdência e briga entre Carlos e Mourão

Ouça o 14º episódio do podcast apresentado pelos analistas políticos Débora Santos e Paulo Gama, da XP Investimentos, e o jornalista Marcos Mortari, do InfoMoney

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SÃO PAULO - Depois de mais de dois meses de tramitação, a proposta de reforma da Previdência de autoria do governo Jair Bolsonaro (PSL) enfim superou seu primeiro desafio no Congresso Nacional.

O placar de 48 votos a 18 pode até esconder dificuldades enfrentadas na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados, mas as quase 9h de sessão e os inúmero bate-bocas não deixam mentir.

Agora, a proposta passa para a etapa de discussão do mérito em uma comissão especial formada por 49 parlamentares. O colegiado iniciou os trabalhos na última quinta-feira e escolheu os deputados Marcelo Ramos (PR-AM) e Samuel Moreira (PSDB-SP), para presidência e relatoria, respectivamente.

Com a bola em jogo, diminui a tolerância a "caneladas" da base governista.

O aprendizado na CCJ e os desafios a serem enfrentados nas novas e mais complexas etapas do percurso da reforma previdenciária no parlamento foram assunto da 14ª edição do podcast Frequência Política, feito em parceria entre a equipe de análise política da XP Investimentos e o InfoMoney.

No episódio, os analistas políticos Débora Santos e Paulo Gama e o jornalista Marcos Mortari projetam novas turbulências à frente, mas chamam atenção para a possibilidade de entendimento entre governo e centrão.

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"Evidentemente, foi uma vitória do governo, mas esses partidos de centro mostraram que precisa ter acordo com eles. Lá atrás, o governo ainda sem entrar em campo precisou ceder", observa Paulo Gama, que acompanhou in loco as negociações em Brasília, no episódio.

"O relatório do deputado Marcelo Freitas seria derrubado se fosse a voto na semana passada. O governo precisou fazer acordo não só com Rodrigo Maia, que trabalhava pela votação na semana anterior, mas com os líderes de PR e PP", avalia o analista político.

Com a demora em superar a primeira etapa de tramitação da proposta, cresceu o risco de a reforma somente ser apreciada no plenário da casa legislativa no segundo semestre, após o recesso parlamentar de meados de julho.

"Se a expectativa do governo era concluir a votação pelo menos no plenário da Câmara dos Deputados até junho ou julho, agora está muito difícil. Pensando no prazo regimental de 40 sessões, a comissão especial precisaria funcionar em 4 dias por semana", aponta o jornalista Marcos Mortari.

"Pelo cenário atual, se as coisas continuarem como estão e não houver maior fluidez na relação do Planalto com o Congresso, dificilmente a PEC sairá da comissão especial antes do fim deste semestre. Tendo alguma modificação nesse contexto, espera-se essa votação para julho", avalia a analista política Débora Santos.

Tiroteio na base
Os ataques do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, ao vice-presidente Hamilton Mourão também foram assunto do podcast. O episódio marca uma nova crise no governo e até mesmo uma espécie de paranoia entre aliados do presidente com a figura do vice, que começou a ganhar projeção entre grupos com os quais a atual gestão dialoga de forma menos efetiva.

"Nos primeiros meses de governo, enquanto Bolsonaro passou um tempo ainda no discurso de campanha contra a 'velha política', víamos na agenda do vice-presidente parlamentares sendo recebidos diariamente e ele com um diálogo muito bom com o Congresso", pontua Débora.

O estopim do conflito envolvendo Mourão foi justamente um pedido de impeachment apresentado pelo deputado Pastor Marco Feliciano (Podemos-SP). O texto foi arquivado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), mas houve no parlamento manifestações em apoio a Mourão.

"Também escutamos nos corredores do Congresso, nesta semana, líderes dizendo que gostariam que o pedido de impeachment tivesse sido colocado no plenário para votação para que eles pudessem dar ao general Hamilton Mourão uma votação expressiva e um recado de que ele tem essa base para a figura institucional de vice-presidente. Não que se esteja defendendo uma substituição, mas é um apoio", complementa a especialista.

O caso traz ruído para a agenda parlamentar do governo e indica desgastes precoces em seu núcleo duro. "É como se o próprio governo criasse problemas e dividisse a pauta com aquilo que ele não precisa lidar", diz Débora.

"É um momento em que o Congresso tinha que estar preocupado com a reforma da Previdência na comissão especial, dentre outros temas, e vemos líderes falando na preocupação de que Bolsonaro endossa esses comportamentos de Carlos. Por mais que haja avaliações e motivos internos do governo, é algo que gera atrito desnecessário", conclui.

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