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Caso Bebianno tem de ser monitorado, mas não afeta perspectiva para reforma, diz Citi

O episódio de crise atual do governo não deve afetar a popularidade do presidente Jair Bolsonaro, segundo economista

Gustavo Bebianno
(Valter Campanato/Agência Brasil)

A crise envolvendo o titular da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, é importante, precisa ser monitorada, mas, por enquanto, não afeta a perspectiva de aprovação da reforma da Previdência, avalia o economista-chefe do Citi no Brasil, Leonardo Porto. Na sua avaliação o episódio não deve afetar a popularidade do presidente Jair Bolsonaro.

Porto destaca que Bebianno é um nome importante no governo, ajudou Bolsonaro nas eleições, mas não era o coordenador político do presidente, que está a cargo do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

"A popularidade de Bolsonaro é muito importante para conseguir apoio no Congresso. Apesar de ser um evento que não deve ser minimizado, não é um episódio que a princípio afete nossa perspectiva de aprovação da reforma da Previdência até este estágio."

Cenário

O Citi trabalha com o cenário que o presidente Jair Bolsonaro vai conseguir aprovar a reforma da Previdência em 2019. A dúvida é qual será a magnitude das mudanças, disse Porto, durante evento com a imprensa.

O mais provável, segundo ele, é que o texto mostre economia fiscal ao redor de R$ 500 bilhões, ou seja, menor que o R$ 1 trilhão que o governo tem declarado. "Ainda há muitas dúvidas sobre os pontos do texto", disse Porto, destacando que espera mais clareza sobre as medidas que mudam a aposentadoria no Brasil na próxima quarta-feira, quando Bolsonaro prometeu entregar o texto no Congresso.

Caso Bolsonaro consiga aprovar um texto mais amplo, com economia fiscal acima de R$ 500 bilhões, o dólar pode cair abaixo de R$ 3,64 no final do ano, disse Porto em sua apresentação. Se a reforma for dessa magnitude, a moeda americana deve ficar nesse patamar no final de 2019.

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Para a Selic, a taxa básica de juros, a previsão do economista é que seja mantida ao longo deste ano. "Reconhecemos que há uma discussão sobre corte de juros, mas este não é o cenário mais provável para este ano", disse ele.

Para a economia mundial, Porto vê desaceleração da atividade, mas ainda tendência de alta de juros em algumas das principais economias do planeta.

Cautela

O presidente do Citi no Brasil, Marcelo Marangon, disse que o banco está otimista com o governo de Jair Bolsonaro, mas cauteloso sobre a expectativa de aprovação das reformas. "O ritmo da aprovação das reformas vai definir o otimismo", afirmou durante encontro com a imprensa na sede do banco em São Paulo.

Segundo Marangon, o investidor local está mais otimista do que o estrangeiro com as perspectivas de aprovação das reformas. "O estrangeiro se frustrou com o Brasil no passado e agora quer ver as reformas aprovadas", observou.

Marangon considera que o timing de aprovação das reformas deve definir o fluxo de retomada dos investimentos dos estrangeiros. De qualquer forma, "com as reformas aprovadas, poderemos ter grande fluxo de estrangeiros em 2019", acrescentou.

O executivo, que assumiu a presidência da filial do banco norte-americano em setembro do ano passado, comentou também que a instituição deve concluir breve a migração de todos os funcionários para a sede na Avenida Paulista, prédio que será remodelado internamente.

Risco de crédito

O economista-chefe do Citi Brasil afirmou que o risco de crédito das pessoas físicas e de empresas tem caído "sistematicamente" no País. "Há uma revolução no mercado de crédito com o risco de crédito das famílias e empresas caindo sistematicamente", avaliou ele.

Segundo Porto, a queda dos juros básicos do País tem se refletido no spread - diferença de quanto um banco paga para captar e o quanto cobra para emprestar -, o que contribui para reativar a demanda por crédito no Brasil, fazendo o sistema se retroalimentar.

 

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