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Hoje na prisão, Lula brilhou no Fórum de Davos em 2003

Funcionários de Davos que estiveram naquele evento há 16 anos lembram que os comentários foram de alívio

Lula
(José Cruz/Agência Brasil)

Se Davos está tomada pela curiosidade e até certa apreensão sobre o que representa o governo de Jair Bolsonaro, que faz sua estreia internacional nesta semana, não é a primeira vez que o Fórum se transforma em um espécie de teste a um presidente brasileiro.

Em 2003, depois de uma forte volatilidade nos mercados financeiros diante da eleição, o então recém empossado Luiz Inácio Lula da Silva foi recebido na estação de esqui num clima de desconfiança e curiosidade.

Naquele momento, os mercados temiam um governo que pudesse se afastar do mundo financeiro. Mas, em seu primeiro discurso, Lula propôs diálogo, garantiu que não atacaria o capitalismo e moderou seu discurso. Funcionários de Davos que estiveram naquele evento há 16 anos lembram que os comentários foram de alívio.

Em sua estreia, Lula disse o que a elite das finanças mundiais queriam ouvir: faria "reformas econômicas, sociais e políticas muito profundas, respeitando contratos e assegurando o equilíbrio econômico". Ele não deixou de mandar um recado. "Aqui, em Davos, convencionou-se dizer que hoje existe um único Deus: o mercado. Mas a liberdade de mercado pressupõe, antes de tudo, a liberdade e a segurança dos cidadãos".

Naquele momento, o discurso foi interpretado como um sinal claro de que não haveria expropriações nem um confronto com multinacionais e muito menos um questionamento do sistema financeiro.

Lula ainda fez um gesto inédito: participou num espaço de poucos dias do Fórum Social de Porto Alegre e de seu contraponto, na Suíça. Aos ativistas do Sul prometeu que levaria sua agenda social aos "donos do capital".

Presidentes de grandes bancos como o Citibank elogiaram o discurso em 2003 e o gesto do então presidente. Bono, vocalista da banda U2, chegou a dizer que Lula havia transformado Davos e colocado a agenda social no evento.

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Entre alguns de seus apoiadores, porém, houve uma certa resistência. "Lula está dando um presente para um cadáver, para um cemitério", disse o escritor Emir Sader, que estava em Porto Alegre naquele ano. Já o ex-presidente de Portugal, Mario Soares, chegou a dizer que o evento suíço não tinha motivo para continuar existindo. "Este Fórum existe há mais de 30 anos e está esgotado", afirmou.

Em 2010, Lula recebeu o prêmio de estadista do ano, concedido pelo Fórum, mas não compareceu ao evento para recebê-lo. Anos depois, acusaria Davos de não ter feito sua parte para evitar a crise mundial. Hoje, a prisão de Lula e a corrupção em seu governo é um tema que cria saia-justa entre os organizadores do evento na Suíça. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

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