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Paulo Guedes diluiu seus "superpoderes" ao criar grupo de substitutos, afirma Rio Bravo

"Há um  claro benefício nesse desenho, pois fica reduzida a 'dependência' em Paulo Guedes, considerado, sobretudo durante a campanha eleitoral, como a única garantia de racionalidade econômica para a nova presidência", destaca a gestora

Paulo Guedes
(José Cruz/Agência Brasil)

SÃO PAULO - Os últimos dias foram marcados pelos últimos anúncios da equipe ministerial e de secretários que tomará posse junto com o governo de Jair Bolsonaro. 

Conforme destaca a gestora Rio Bravo Investimentos em sua carta de estratégias, o presidente eleito foi anunciando seus ministros aos bocados, em vários modelos, cada um deles revelador.

No documento, a Rio Bravo destaca cinco grupos principais: (i) ministros celebridades, como Sergio Moro e Marcos Pontes, o astronauta que, na visão deles, são sempre úteis pelo noticiário, sendo que, no caso de Moro, conforme as palavras do ministro, a ideia é “lançar um Plano Real contra a criminalidade”; (ii) ministros ideológicos assinalando com clareza o perfil da nova administração. Exemplos dessa categoria são Ernesto Araújo para o Itamaraty e Ricardo Vélez Rodríguez para a Educação, este, ao menos, segundo indicação de Olavo de Carvalho; (iii) ministros militares, nas pastas militares e na “copa e cozinha” do Palácio, com exceção para Minas e Energia, para a qual o escolhido foi o almirante Bento Leite; (iv) ministros das bancadas temáticas, vindos do Congresso, mas não de partidos ou técnicos ligados a partidos, como os da Casa Civil (Onyx Lorenzoni), Saúde (Luiz Mandetta), Agricultura (Tereza Dias), Integração nacional (Gustavo Canuto) e Infraestrutura (Tarcísio Freitas), Cidadania (Osmar Terra); e (v) a equipe econômica do ministro Paulo Guedes.

"É nesse último grupo que vieram as surpresas mais ao gosto do mercado, que não era capaz de antecipar que Paulo Guedes tivesse tanta latitude para escolhas pessoais", ressalta a Rio Bravo, apontando que a experiência histórica mostra que nem sempre é fácil para o líder da economia nomear todos os cargos importantes.

"Os presidentes da Petrobras, Caixa Econômica Federal, BNDES e Banco do Brasil sempre escaparam do ministro da Fazenda, mas não desta vez", avaliam os gestores, ressaltando que para essas posições foram escolhidos, respectivamente, Roberto Castello Branco, Pedro Guimarães, Joaquim Levy e Rubem Novaes.

"Não há precedente de tamanho poder, e de o presidente avalizar nomes como o de Levy, ex-ministro da Fazenda de Dilma, expressamente declarando que foi uma escolha do ministro Paulo Guedes", afirma. 

A Rio Bravo avalia que, ao escolher tantos nomes ministeriáveis para as novas secretarias com envergadura de ministério e para as estatais, sutilmente Paulo Guedes dilui seus superpoderes ao criar para si um grupo de substitutos.

"Há um  claro benefício nesse desenho, pois fica reduzida a 'dependência' em Paulo Guedes, considerado, sobretudo durante a campanha eleitoral, como a única garantia de racionalidade econômica para a nova presidência", afirma a Rio Bravo. Com isso, há uma diminuição do risco, o que agrada os mercados.

Mas agora, apontam os gestores, resta ver se o novo grupo funcionará como “equipe econômica”, em uníssono, como no passado foram os economistas do Plano Real. "Se for o caso, o grupo será ainda mais forte do que Paulo Guedes sozinho e terá imensa capacidade de influenciar a agenda nacional, mais ou menos como se passou com a equipe do Plano Real", avaliam.

Somado isso ao ambiente de crescimento - ainda que a ritmo lento - do PIB e com a inflação voltando a surpreender para baixo, a Rio Bravo vê o País como mais assentado, mas avalia que é preciso haver menos espaço para indecisões no novo governo. "Tudo considerado, o país parece estar muito melhor e mais assentado. Mas é preciso ter clareza de que tudo o que se viu foi o ensaio do preparativo", conclui. 

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