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Datafolha mostra resistência de Bolsonaro e Ciro, ascensão de Haddad e pressão sobre Alckmin

Após pesquisa divulgada na sexta-feira, os candidatos traçam as suas estratégias

Candidatos
(Reprodução)

SÃO PAULO - A pesquisa Datafolha divulgada na noite da última sexta-feira (14) mostrou um cenário de liderança isolada de Jair Bolsonaro (PSL), que oscilou de 24% para 26% das intenções de voto, além de uma melhora da competitividade do candidato nas simulações de segundo turno.

Conforme destaca a equipe de análise da XP Política, o atentado da semana passada manteve o político do PSL em evidência durante o período e alterou a agenda da corrida eleitoral, que tinha potencial de ser ditada pela campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) em função de sua presença excessiva na televisão.

Alckmin, aliás, oscilou de 10% para 9%, o que gerou preocupação entre os seus aliados. Segundo aponta a Folha de S. Paulo, o clima no "quartel-general" do tucano está pesado, uma vez que esperavam que o candidato oscilasse pelo menos um ponto para cima. O temor aumentou ainda mais uma vez que, além de Alckmin patinar, o candidato Fernando Haddad (PT) subiu sem desmontar Ciro Gomes (PDT), só com s votos de Marina Silva (Rede). 

Haddad subiu no primeiro turno, de 9% para 13%, empatando com Ciro, que estabilizou em 13%. Marina Silva (Rede) seguiu em tendência de queda, de 11% para 8%. 

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Com um levantamento com muitas más notícias para Alckmin, a coluna Painel, da Folha, ressalta que a ideia é não poupar mais Bolsonaro de críticas, mesmo na situação em que ele está, internado. Aliás, adversários atribuíram a segunda oscilação positiva do candidato do PSL à cirurgia de emergência a qual ele foi submetido na quarta-feira, o que ampliou sua exposição e reavivou a comoção com o atentado. 

"Alckmin conta daqui até o primeiro turno com a sequência de sua estratégia e com o apelo ao voto útil dos eleitores de outros candidatos de centro-direita (Alvaro Dias, Henrique Meirelles e João Amoêdo somam 9%), mas é inegável que vê mais dificuldades de tirar o parlamentar do segundo turno hoje do que antes do ataque", aponta a equipe de análise da XP.

Enquanto isso, o crescimento de Haddad, principalmente no Nordeste, em que o petista passou de 11% para 20%, deve fazer com que o candidato reforce sua campanha por lá durante a propaganda eleitoral, abordando a relação de Lula e os feitos dele no território. 

Ainda no "campo vermelho", por mais que Haddad tenha encostado em Ciro, o Datafolha não foi negativo para o pedetista. Isso porque ele não só manteve a marca anterior como ainda é o candidato que pontua melhor contra Bolsonaro no segundo turno e vence todos os demais adversários. Isso leva ao discurso de que ele é o meio "mais seguro" para o eleitor que não quer que o candidato do PSL seja eleito. 

Porém, para a equipe da XP,  Ciro Gomes tende a sofrer mais à frente com o crescimento de Haddad – o ex-prefeito de São Paulo já supera numericamente o ex-governador do Ceará no voto espontâneo (8% a 7%).

E é justamente o crescimento do petista que Alckmin está esperando para avançar na estratégia do "voto útil", baseada num discurso do medo da volta do PT ao poder. Para que ela tenha chance de sucesso, disseram aliados do candidato ao jornal O Globo, é preciso que Haddad apareça como segundo colocado isolado, com possibilidade de derrotar Bolsonaro. Mas o sucesso dessa campanha também depende de um crescimento, mesmo que modesto, do tucano nas pesquisas, para mostrar que ele tem viabilidade. Contudo, o caminho para ele é complicado. 

Desta forma, conforme aponta a XP Política, o Datafolha corroborou a percepção de que o  segundo turno deverá ser entre Bolsonaro e Haddad

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