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Se nada der certo, Alckmin tem bala de prata para tentar superar Bolsonaro

Nunca um candidato com pontuação tão baixa às vésperas da campanha no rádio e na TV conseguiu virar o jogo em uma corrida presidencial

Geraldo Alckmin e Jair Bolsonaro
(Bandeirantes)

SÃO PAULO - A pouco mais de um mês do primeiro turno, Geraldo Alckmin (PSDB) ainda patina na corrida presidencial e não chega a dois dígitos nas pesquisas de intenções de votos. O tucano, porém, construiu o maior arco de alianças para a disputa, o que lhe garantiu a maior fatia de tempo no horário de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão e em inserções nestes meios. Ele prega paciência a correligionários e aliados, que ampliam a pressão e desconfiam do que tem sido prometido.

Desde o início das articulações pré-campanha, Alckmin dizia que cresceria nas pesquisas com o início das propagandas no rádio e na televisão, momento em que o eleitor começa a se preocupar com a disputa. A situação do ex-governador paulista, contudo, é mais delicada. Conforme lembrou o jornalista Fernando Rodrigues, do site Poder360, ele tem o pior desempenho para um candidato do PSDB em uma corrida presidencial às vésperas do início do horário eleitoral.

Leia também: Contra Bolsonaro no segundo turno, Haddad herdaria 41% dos votos de Alckmin

De acordo com pesquisa Datafolha, realizada entre 20 e 21 de agosto, Alckmin tem entre 6% e 9% das intenções de voto, dependendo do cenário considerado. Em 2002, José Serra, pouco antes do início da campanha nos meios tradicionais tinha 12% das intenções de voto na corrida presidencial. Até então, este era o pior desempenho de um tucano em tal momento para uma disputa ao Palácio do Planalto desde 1994.

Nenhum candidato que chegou tão atrás nas pesquisas nesta etapa da disputa, como Alckmin, conseguiu virar o jogo. Desta vez, ainda há um agravante: a campanha tem duração de 35 dias, dez a menos que disputas anteriores. Para o feito inédito, não há espaço para erros na definição de estratégias.

O tucano precisa reconquistar votos de eleitores que tradicionalmente apoiaram candidatos do PSDB e hoje decidiram embarcar em campanhas de nomes de outras legendas – caso de Jair Bolsonaro (PSL) e Álvaro Dias (Podemos), além do próprio grupo dos "não voto".

Os ataques a Bolsonaro já começaram, mas ainda há dúvidas na equipe do tucano sobre como dosar a ofensiva. Há uma avaliação de que o PT e até mesmo o presidente Michel Temer serão alvos da campanha na busca por inflar Alckmin – sobretudo no primeiro caso, já que é necessário recuperar a imagem de força antipetista, em certa medida perdida para Bolsonaro. Mas, se nada disso funcionar, o tucano tem uma última cartada.

Caso o cenário de segundo turno entre Fernando Haddad (PT), atual vice na chapa encabeçada por Lula e provável herdeiro da candidatura após decisão do TSE, e Bolsonaro continue no centro das apostas, a campanha de Alckmin estuda antecipar o recurso do voto útil ainda no primeiro turno. A ideia seria convencer eleitores que não queiram ver uma disputa entre o deputado e um petista a votar no tucano.

Além disso, Alckmin também pode lançar mão de pesquisas para mostrar que tem mais chances de derrotar um candidato do PT do que Bolsonaro. Segundo o Datafolha, o deputado tem rejeição de 39%, contra 26% do ex-governador paulista. Existe uma expectativa de que, com a transferência de votos de Lula para Haddad, o petista vire o jogo contra Bolsonaro no cenário de segundo turno das pesquisas. Dada a menor rejeição, o tucano pode tentar vender a ideia de que teria mais chances de evitar uma volta do PT ao poder.

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