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De privatização a intervenção militar: o que os eleitores pensam sobre os temas mais polêmicos da política nacional

Eleitores de Jair Bolsonaro  polarizam a opinião em muitos temas com os de Ciro Gomes e Lula - mas não em todos os pontos

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(Marcello Casal Jr./ABr)

SÃO PAULO - O cenário de divisão na sociedade brasileira também encontra paralelo na opinião dos eleitores sobre temas considerados polêmicos - e que podem ser decisivos para definir quem será o próximo presidente. 

É o que mostra a pesquisa Ipespe (Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas) entre 18 e 20 de junho com 1.000 eleitores, encomendada pela XP Investimentos, que mostrou a opinião dos eleitores dos principais candidatos à presidência sobre temas como legalização da maconha, porte de armas, privatizações, entre outros. 

Jair Bolsonaro (PSL), mais à direita do espectro político, e Ciro Gomes (PDT), mais à esquerda, polarizam a opinião em muitos temas, como no caso de legalização do porte de armas, redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, intervenção militar e privatizações, em que os eleitores do deputado federal se mostram mais favoráveis. Ciro, Lula e Marina Silva (Rede) possuem votantes com posições convergentes, mas não em todos os temas. Vale ressaltar que, em alguns temas, como a intervenção estatal na economia e autorização do aberto em caso de estupro, as opiniões de eleitores como de Bolsonaro e Lula até se assimilam.

Entre os eleitores do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), tido como o candidato reformista com mais chances de virar presidente, o apoio à reforma da previdência é disparado o mais alto. Contudo, esse não é o caso quando o assunto é privatizações: apenas 36% dos eleitores do tucano são a favor de privatizações, enquanto 57% são contra. Neste quesito, os eleitores de Bolsonaro são os que mais apoiam a privatização (49% ante os 42% que são contra a venda de estatais). 

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Vale destacar ainda a opinião dos indecisos ou daqueles que pretendem votar em branco/nulo, que representam mais de 30% da fatia do eleitorado a depender do cenário apresentado. Em temas como legalização do aborto e da maconha, os indecisos se mostram claramente contrários, aproximando de nomes mais à direita. Já em outras temas, como reforma da previdência, os indecisos se mostram contrários, em consonância aos grupos que votam em nomes mais à esquerda, como Ciro e Lula.

Confira abaixo a opinião dos eleitores sobre os mais diversas temas que vão ser destaques nas eleições:

1. Intervenção na economia 

A ideia de um governo forte na economia encontra ressonância maior entre os eleitores de Marina Silva, com 57% dos apoiadores dela a favor de um estado interventor. Na ponta oposta, estão os eleitores de Álvaro Dias, com 41% contra o estado interventor, enquanto 34% são a favor de um estado forte. Entre os indecisos, 41% aprovam um governo interventor, 35% se opõem e 24% não sabem responder.

2. Reforma da previdência

No total dos eleitores, 54% são contra e 40% a favor da reforma da previdência. Neste quesito, os que apoiam Geraldo Alckmin são de longe os que aprovam a reforma da Previdência (67%), em contraposição aos eleitores de Lula. No caso do petista, apenas 21% de seus eleitores apoiam a medida. 

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3. Privatizações

Muitos analistas e economistas mostram dúvidas de como seria a atuação de Jair Bolsonaro na economia. Mas os eleitores do deputado federal são os que são mais favoráveis a privatizações (49%), superando os de Álvaro Dias (41%) e até os de Geraldo Alckmin (36%), este último visto como o mais pró-mercado. Entre os mais contrários às privatizações, estão os eleitores de Lula - 83% contra e apenas 10% a favor. No total, 64% dos brasileiros ouvidos pela sondagem se opõem às vendas de estatais e somente 27% mostram apoio à medida. 

4. Legalização do aborto

Neste quesito, a polarização maior se dá entre os eleitores de Ciro Gomes e de Álvaro Dias. Enquanto 41% dos eleitores de Ciro são a favor da legalização do aborto, apenas 11% dos eleitores de Dias se mostram favoráveis. Entre os indecisos, 13% são a favor da legalização do aborto, enquanto 79% são contra. 

5. Legalização do aborto em caso de estupro

Quando o assunto é autorização de aborto em caso de estupro, os eleitores de Ciro Gomes são os que se mostram mais favoráveis, com 82% de aprovação e 16% de desaprovação, enquanto os que aprovam a medida entre os apoiadores de Geraldo Alckmin são 60% e os que desaprovam, 36%. Enquanto isso, entre os que manifestaram a intenção de votar em Álvaro Dias, 64% se mostraram a favor da legalização do aborto em caso de estupro, mesmo percentual dos que votariam em Lula. O patamar de desaprovação também é o mesmo, de 32%.  Já a aprovação da medida entre os indecisos é de 51%.

6. Legalização da maconha

Também neste tema, os eleitores que mais polarizam são os de Ciro Gomes e o de Álvaro Dias. Enquanto 39% dos eleitores do pedetista são a favor da legalização da maconha, somente 11% dos apoiadores de Dias são a favor. Os indecisos estão mais próximos da faixa do eleitorado do senador do Podemos, com 12% a favor da legalização e 85% contra. 

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7. Porte de armas

Mais uma vez, os apoiadores de Ciro estão em um dos pólos, mas desta vez se contrapondo em relação aos eleitores de Jair Bolsonaro. Os eleitores de Bolsonaro se distanciam e muito da média, com 74% a favor da legalização do porte de armas, ante 43% da média do eleitorado total, enquanto somente 22% dos que votariam em Ciro Gomes apoiam a legalização do porte de armas. 

8. Pena de morte

Neste quesito, os eleitores de Geraldo Alckmin e Jair Bolsonaro mostram as maiores polarizações. 66% dos que manifestam intenção de votar no deputado federal defendem pena de morte, ante 36% dos eleitores do ex-governador tucano. No geral, 49% dos eleitores aprovariam a medida, o mesmo patamar registrado entre os eleitores indecisos. 

9. Redução da maioridade penal para 16 anos

Do total dos mil pesquisados, 81% se mostraram a favor da redução da maioridade penal de 18 anos para 16 anos. Até mesmo entre eleitores que optariam por candidatos mais à esquerda (caso de Lula e Ciro Gomes), a taxa de aprovação da medida é acima de 70%. Entre os que manifestam maior apoio, estão os eleitores de Bolsonaro (95%), enquanto os eleitores de Ciro Gomes demonstraram menor apoio (73%).  

10. Intervenção militar

No total, 38% dos eleitores apoiam e 52% desaprovam uma intervenção militar, mesmo patamar dos eleitores que ainda não optaram por um candidato. A polarização se dá novamente entre os apoiadores de Jair Bolsonaro - com 63% a favor da ideia, mesmo com as negativas do deputado de que ele seja favorável à medida - enquanto 24% dos eleitores de Ciro Gomes apoiariam a intervenção. 

11. Casamento homoafetivo

Mais uma vez, uma polarização entre eleitores de Ciro e Bolsonaro. 57% dos que votam em Bolsonaro são contra o casamento homoafetivo, enquanto 63% dos eleitores de Ciro são a favor de casamento entre pessoas do mesmo sexo. 

Panorama geral

 

Metodologia

A pesquisa XP/Ipespe foi feita por telefone, entre os dias 18 e 20 de junho, e ouviu 1.000 entrevistados em todas as regiões do país. Os questionários foram aplicados "ao vivo" por entrevistadores (com aleatoriedade na leitura dos nomes dos candidatos nas perguntas estimuladas) e submetidos a fiscalização posterior em 20% dos casos para verificação das respostas. A amostra representa a totalidade dos eleitores brasileiros com acesso à rede telefônica fixa (na residência ou trabalho) e a telefone celular, sob critérios de estratificação por sexo, idade, nível de escolaridade, renda familiar etc.

O intervalo de confiança é de 95,45%, o que significa que, se o questionário fosse aplicado mais de uma vez no mesmo período e sob mesmas condições, esta seria a chance de o resultado se repetir dentro da margem de erro máxima, estabelecida em 3,2 pontos percentuais. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pelo código BR-06647/2018 e teve custo de R$ 30.000,00.

O Ipespe realiza pesquisas telefônicas desde 1993 e foi o primeiro instituto no Brasil a realizar tracking telefônico em campanhas eleitorais. O instituto tem como presidente do conselho científico o sociólogo Antonio Lavareda e na diretoria executiva, Marcela Montenegro.

Em entrevista concedida ao InfoMoney em 12 de junho, Lavareda explicou as diferenças de metodologias adotadas pelos institutos de pesquisa e defendeu a validade de levantamentos feitos tanto presencialmente quanto por telefone, desde que em ambos os casos procedimentos metodológicos sejam seguidos rigorosamente, com amostras bem construídas e ponderações bem feitas. Veja as explicações do sociólogo:

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