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Muito além do Datafolha: 10 notícias políticas que agitam o mercado

Enquanto Geraldo Alckmin patina nas pesquisas e enfrenta crescentes pressões, Jair Bolsonaro e Ciro Gomes ensaiam próximos passos na corrida presidencial

Jair Bolsonaro e Ciro Gomes

SÃO PAULO - A tão aguardada pesquisa Datafolha (a primeira após o fim da greve dos caminhoneiros que provocou uma crise de desabastecimento nas mais diversas regiões do país) trouxe novas sinalizações sobre a incerta disputa presidencial mas não foi o único destaque político do noticiário do fim de semana e desta segunda-feira. A seguir, algumas notícias políticas que chamam atenção do mercado nesta data:

Com popularidade no chão, Temer corre riscos
Cada vez menos capaz de influir no jogo por sua sucessão, o presidente Michel Temer enfrenta a crescente ameaça de uma nova denúncia a ser apresentada pela PGR (Procuradoria Geral da República). Conforme noticia a coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo, partidos governistas se dividem sobre qual caminho seguir caso este cenário se confirme. Para alguns, com um nível tão baixo de popularidade, o emedebista poderia não ter forças para resistir a outra ofensiva.

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Bolsonaro vira alvo
Desde que tem mostrado desempenho sólido nas pesquisas eleitorais, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) é alvo de mais ataques de outros candidatos e até a exposição de fatos negativos à sua campanha. Nesta segunda-feira, o jornal Folha de S.Paulo lembra que o parlamentar apresentou projetos e defendeu em discursos nas últimas décadas a esterilização dos pobres como meio de combater a criminalidade e a miséria. Hoje, o parlamentar ainda fala em "planejamento familiar", mas em tom mais vago.

A governabilidade de Bolsonaro
Confiante de sua competitividade nas eleições, o deputado federal Jair Bolsonaro começa movimentações para blindar seu mandato de um eventual processo de impeachment. Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, a ideia seria oferecer a candidatos ao Senado apoio em troca de votos na casa depois de eleitos. A casa legislativa é a que dá a palavra final em pedidos de cassação de presidentes. O parlamentar também recebeu notícia negativa neste fim de semana. O senador Magno Malta (PR-ES) avisou que não aceita ser candidato a vice em sua chapa. A decisão dificulta a costura de uma aliança entre PSL e PR.

Pessimismo com o país
Além dos dados da corrida presidencial e o crescimento da rejeição a Michel Temer, o Datafolha mostrou que o mau humor do brasileiro com a economia é o mais alto da atual gestão. Apenas 6% apostam em melhora. Segundo o levantamento, 72% dos entrevistados enxergam uma piora do cenário, em meio ao ambiente de alta volatilidade cambial, incertezas sobre a retomada do crescimento e impactos da paralisação dos caminhoneiros. Os números são mais negativos do que os de pesquisa feita em abril, quando 52% opinaram ter havido deterioração no ambiente econômico.

Ciro Gomes busca outras siglas do centrão
Nos últimos dias, ganhou destaque na imprensa a possibilidade de uma aliança heterodoxa entre o pré-candidato Ciro Gomes (PDT) e o DEM e o PP. Ainda não é possível afirmar se o aceno das siglas tem chances de se concretizar em apoio ou se seria um recado à campanha do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) no momento em que o tucano enfrenta dificuldades para crescer nas pesquisas. De qualquer forma, segundo o jornal O Estado de S.Paulo, aliados do tucano estariam apavorados com a possibilidade de a costura se confirmar. Os temores são que Ciro passe a ocupar o espaço do "centro" na corrida presidencial, o que implodiria a campanha de Alckmin. O ex-governador conta hoje com apoio informal de PPS, PSD e PTB, mas precisa avançar com as negociações com outras siglas para ter maior estrutura e tempo de televisão para crescer nas pesquisas. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, as negociações também irritaram aliados de Michel Temer.

Alckmin enfrenta desgastes de palanque duplo em SP
As más notícias não param para Geraldo Alckmin. Além das pressões em nível nacional com a inércia nas pesquisas eleitorais, o ex-governador tucano enfrenta o estresse causado pelo palanque duplo em São Paulo. Segundo a Folha de S.Paulo, o ex-prefeito João Doria (PSDB) pressiona o presidenciável a percorrer o estado ao seu lado, para evitar que o governador Márcio França (PSB) avance sobre avance sopre votos potencialmente tucanos. Alckmin recentemente desistiu de périplo por cidades do interior com Doria, mas manteve marcadas agendas públicas de inaugurações de obras do governo e estações de metrô ao lado França. A gestão de palanques duplos é sempre um desafio complexo em eleições.

Um sonho com Marina Silva
O movimento suprapartidário que busca viabilizar uma candidatura de "centro" nestas eleições avalia que Marina Silva (REDE) pode ser um nome que represente o espectro político nestas eleições. Conforme noticia o jornal O Estado de S.Paulo nesta segunda-feira, líderes políticos que integram o grupo acreditam que as conversas devem se concentrar em três nomes: Marina, Alckmin e Álvaro Dias (PODEMOS). A ideia seria criar uma candidatura sólida na centro-direita, evitando-se o risco dos extremos. O diálogo tem sido incentivado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que disse ao jornal O Globo que "não convém fechar as portas para a ex-ministra".

Maia já pensa na Câmara
O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), já está de olho na campanha para comandar a casa legislativa por mais dois anos. Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, o parlamentar já admite, em conversas com aliados, desistir da disputa para o Palácio do Planalto, o que já reduz um pouco a fragmentação da centro-direita, embora ele não passe de 1% das pesquisas. A decisão deve explicitar as movimentações do DEM no campo das negociações por alianças. É possível que o partido insista em alternativas à tradicional aliança que fez com o PSDB nas últimas disputas, como Maia tem defendido.

PSB conversa com PT e Ciro
Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira admitiu negociações com o PT e com Ciro Gomes. Ele afirmou, no entanto, não ver clima favorável para um apoio à candidatura de Marina Silva (REDE). "Tanto o PDT quanto o PT têm nos procurado com bastante frequência. Ambos mostraram possibilidades de apoio aos nossos candidatos. Vamos conversar e ver se esses apoios de fato se concretizam. Não é possível ficar apenas na palavra. É necessário que façam ações concretas em torno das soluções estaduais. Não é possível que o apoio seja unilateral", afirmou. Siqueira salientou, ainda, a postura cautelosa do partido, tendo em vista a prioridade de ampliar suas bancadas na Câmara e no Senado e eleger o maior número de governadores possível.

Pacto de não-agressão entre PT e Ciro
O ex-presidente Lula autorizou, em conversa com auxiliares, que seja costurado um pacto de não-agressão com Ciro Gomes. Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, petistas dizem que a orientação é que o ex-governador do Ceará seja tratado como alguém do mesmo campo político. Na sexta, o PT fez um lançamento simbólico da candidatura de Lula à presidência, em Minas Gerais.

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