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Pesquisa XP: Ibovespa superaria 80 mil pontos com Doria presidente em 2018; veja projeções

Pesquisa realizada pela XP Investimentos com investidores institucionais também aponta para um cenário bem diferente do que registram os últimos levantamentos 

João Doria e Lula
(Reprodução)

SÃO PAULO - Uma pesquisa realizada pela XP Investimentos com 168 investidores institucionais e mais 400 assessores de escritórios afiliados, representando mais de 50% dos recursos sobre gestão no Brasil,  mostra que o mercado está vendo um cenário bastante diverso do que se apontam as últimas pesquisas de intenção de voto. A maior parte dos investidores institucionais vê um tucano vencendo as eleições de 2018, o que deve dar um sinal de continuidade para a agenda reformista implementada pelo atual governo - bastante impopular, por sinal. 

A pesquisa foi feita entre os dias 31 de julho e 2 de agosto e não reflete a opinião da XP. Ela traz, como uma das perguntas, "quem será o vencedor da eleição presidencial de 2018?" A seguir, são feitas várias simulações sobre cenários de bolsa e dólar com diferentes candidatos saindo vencedores das eleições. 

42% dos investidores institucionais apontam que o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), deve ser o vencedor da eleição do ano que vem, enquanto 38% veem o também tucano governador paulista Geraldo Alckmin como o novo presidente brasileiro. Só 6% acreditam que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltará ao Planalto.  Empatados com 3% das respostas, estão o deputado Jair Bolsonaro e a ex-senadora Marina Silva (Rede), enquanto o senador Alvaro Dias (Podemos) obteve 2% das respostas. Outros somaram 6%.  A pesquisa também perguntou "quem seria um vencedor alternativo" - um terço dos respondentes informaram suas opiniões, com  Luciano Huck, Henrique Meirelles e Joaquim Barbosa empatados em primeiro lugar e sendo seguidos por Bernardinho e Fernando Haddad. 

 A XP também fez a pesquisa sobre quem deverá vencer as eleições com os escritórios afiliados - e o resultado foi um tanto diferente quando comparado aos investidores institucionais: 61% acreditam que Doria será o vencedor, seguido por Bolsonaro, com 15%. Alckmin ficou em terceiro com 12%, Lula ficou em quarto com 5% e Alvaro Dias tem com 3%. Já Marina Silva e Ciro Gomes (PDT) tiveram 1% das respostas, enquanto outros somaram 2%. 

A outra parte da pesquisa com investidores institucionais contém simulações sobre os cenários para bolsa e dólar caso Lula, Bolsonaro, Alckmin, Marina, Doria, sejam eleitos. Os cenários extremos aparecem com Lula e Doria. 

Na simulação com Lula presidente, os investidores apontam um desfecho negativo para bolsa, com 96% indicando que o Ibovespa recuaria do patamar atual. Para mais de 80% o Ibovespa recuaria para patamar abaixo de 55 mil pontos - ou seja, investidores enxergam ao menos uma queda de 17% no índice).  96% veem uma queda do índice em relação ao patamar atual. "Chama a atenção o fato de que 18% apontam uma queda para abaixo de 40 mil pontos, o que representaria cerca de 40% de queda do Ibovespa, algo próximo dos 42% de queda na crise de 2008", destacam os analistas da XP, Celson Plácido e Gustavo Cruz. Já sobre o dólar, novamente os  investidores se mostraram pessimistas, com 98% indicando que o câmbio brasileiro se desvalorizaria: 31% indicam que a moeda americana subiria para um patamar acima de R$ 4,10. Para 47% dos respondentes a moeda se desvalorizaria ao menos 25%. 

Confira as projeções com Lula presidente:

Com Doria presidente, os investidores apontam um desfecho positivo para bolsa,
com 94% indicando que o Ibovespa subiria na comparação com o patamar atual. Para mais de 58%, o Ibovespa avançaria para acima de 80 mil pontos, uma alta de 20% no índice. Apenas 6% acreditam em uma queda do índice com atual prefeito paulistano vencendo. Para o dólar, novamente os investidores se mostraram positivos, com 75% indicando que a divisa iria para abaixo dos R$ 3,00, enquanto 35% indicam que iria para menos de R$ 2,80. Já para 6% dos respondentes, o dólar poderia se valorizar para um patamar acima de R$ 3,30.

Confira as projeções com Doria presidente:

 

 

O cenário também seria positivo para os mercados com Alckmin presidente. Para mais de 75% o Ibovespa avançaria para um patamar acima de 70 mil pontos, sendo que 26% dos investidores enxergam o índice a 80.000 pontos. Apenas 12% acreditam em uma queda do índice com o atual governo paulista se saindo vencedor. Para um cenário de dólar, 46% indicaram que o câmbio brasileiro se valorizaria, com o dólar abaixo dos R$ 3,00. Já 13% indicam que a moeda iria para abaixo de R$ 2,80. Por outro lado, 14% dos respondentes veem o real se desvalorizando, indo acima de R$ 3,50.  Vale destacar que o PSDB quer definir quem será seu candidato a presidente da República ainda este ano, em uma nova convenção nacional para renovar toda a direção do partido, prevista para ocorrer em dezembro, na hipótese de existir consenso partidário. 

Confira as projeções com Alckmin presidente:

 

Com Jair Bolsonaro, que está de "mudança" do PSC para o PEN, os investidores institucionais apontam para um desfecho negativo para bolsa, com 88% indicando que o Ibovespa recuaria dos atuais patamares. Para mais de 59%, o Ibovespa recuaria para baixo de 55 mil pontos, ou seja, investidores enxergam ao menos uma queda de 17% no índice, enquanto apenas 12% acreditam em uma alta do índice com Bolsonaro vencendo. Para um cenário de dólar, novamente investidores se mostraram pessimistas e 89% indicaram que o câmbio brasileiro se desvalorizaria - 15% indicam que a divisa americana subiria para um patamar acima de R$ 4,10, enquanto 44% dos respondentes veem a moeda indo acima dos R$ 3,70. 

Confira as projeções com Bolsonaro presidente:

 

Por fim, com Marina Silva, os investidores também apontam um desfecho negativo para o Ibovespa, mas com um quadro menos definido. Ao mesmo tempo que 24% indicam que o índice recuaria para menos de 50 mil pontos, 24% apontam que o índice se valorizaria. Para o dólar, 75% indicaram que o câmbio brasileiro se desvalorizaria, sendo que 30% indicam que a moeda subiria para um patamar entre R$ 3,30 e R$ 3,50, enquanto 45% indicam que o dólar subiria para um patamar acima de R$ 3,50. 

Segundo Gustavo Cruz, ao levar em conta os dados da pesquisa, as eleições de 2018 não parecem estar precificadas hoje na Bolsa e no dólar, uma vez que o cenário apontado como mais provável é da vitória de um candidato tucano, levando a bolsa a subir 20% e o dólar ir abaixo de R$ 3,00. Entre as surpresas, Cruz ressalta a grande aversão ao risco do mercado a uma possível eleição de Lula, assim como o resultado espontâneo de uma alternativa para o pleito do ano que vem. Isso porque Luciano Huck e Bernardinho, que nunca tiveram cargo político, apareceram nas primeiras posições. Sobre Bolsonaro, Cruz ressalta que o cenário tende mais para o lado negativo, mas ainda há muitas incertezas, com a pesquisa mostrando ainda muitas dispersões de opinião. 

 

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