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O resumo político do fim de semana e por que quarta-feira será o "grande dia" de Temer

Pronunciamento de Michel Temer, desembarque do governo, pedido de impeachment e reuniões para salvar o presidente foram os destaques 

SÃO PAULO – Se você tirou o fim de semana para descansar, certamente está perdido nesta manhã de segunda-feira (22) com a enxurrada de notícias no campo político. O InfoMoney preparou um resumo dos "melhores momentos" dos últimos dias para você entender como está a situação atual de Temer - e por que quarta-feira será o primeiro (e talvez o último) teste de fogo do presidente.

Confira os principais fatos que ocorrem nos últimos dois dias:

Sábado (20)
Logo pela manhã, o advogado de Eduardo Cunha (PMDB) divulgou uma carta dizendo que o ex-presidente da Câmara jamais havia pedido "qualquer coisa" ao presidente Michel Temer. Ele ainda afirmou que não teve seu silêncio comprado, contrapondo-se à afirmação do dono da JBS Joesley Batista. "Estou exercendo meu direito de defesa e não estou em silêncio e tampouco ficarei", afirmou Cunha.

No sábado também tivemos novas baixas na base do governo: Seguindo o PPS (Partido Popular Socialista) e o Podemos (ex-PTN), a Executiva Nacional do PSB (Partido Socialista Brasileiro) oficializou o rompimento com o governo de Michel Temer. Além do desembarque, o partido tornou-se oposição e clama para que Temer renuncie ao cargo alegando que o presidente perdeu as condições de governar e defendendo eleições diretas. Contudo, um alento para Temer é que o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho, que faz parte da sigla, deve seguir no governo, contrariando a decisão do PSB.

Ainda sobre o assunto, o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), defendeu que o PSDB não deve "romper com o Brasil" e precisa ter equilíbrio em meio à crise política. "Em uma situação como essa, bom senso, equilíbrio e serenidade são fundamentais. Você não pode jogar tudo para o alto, lembrando que o país precisa sobreviver, a economia precisa sobreviver, as reformas precisam sobreviver", disse aos jornalistas o prefeito, que já é tido como um dos possíveis candidatos da sigla para as eleições presidenciais de 2018.

Isso tudo aconteceu antes mesmo do "principal evento do dia", que era o pronunciamento de Michel Temer, marcado às 14h (horário de Brasília), mas que só teve início por volta das 14h50. O novo pronunciamento teve como foco a defesa das acusações atuais: em cerca de dez minutos, o peemedebista destacou  notícia da "Folha de S. Paulo", em que afirma que perícia constatou que houve edição do áudio da conversa dele com Joesley Batista, da JBS, afirmou que a conversa foi manipulada com objetivos "subterrâneos", o que levou muitas pessoas ao engano e trouxe grave crise ao Brasil e recorreu ao STF para suspender a ação enquanto se verifica a autenticidade da gravação. Por fim, reiterou que seguirá no governo, sem dizer no entanto o "não renunciarei" que ele enfatizou na quinta-feira.

Fechando a rodada de notícias do sábado, o conselho pleno da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) aprovou, por 25 votos a 1, entrar na Câmara dos Deputados com pedido de impeachment do presidente Michel Temer. A comissão especial da entidade disse que ele deve ser afastado por ter cometido crime de responsabilidade. Em nota, o presidente da OAB, Claudio Lamachia, lembra que a instituição cumpre seu papel, "mesmo que com tristeza, porque atua em defesa do cidadão”.

Domingo (21)
Domingo começou com muitas manifestações populares: 19 estados mais o Distrito Federal realizaram protestos pedindo por "Fora, Temer". Grande parte dos atos foram convocados por centrais sindicais, que pedem a realização de eleições diretas e criticavam as reformas da Previdência e Trabalhista.

Nas articulações internas, Temer conversou pela manhã com os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria Geral da Presidência) e com assessores jurídicos do governo no Palácio do Jaburu, para traçar uma estratégia de defesa. À noite, o presidente se reuniu com a cúpula do PSDB e DEM para discutir a crise política. Além de Padilha e Franco, estavam presentes Henrique Meirelles (Fazenda), Helder Barbalho (Integração Nacional) e Ronaldo Nogueira (Trabalho) para alinhar o mesmo assunto.

O objetivo implícito é: avançar com a agenda de reformas antes do "dia D" do governo, que será quarta-feira (24), quando o plenário do STF decidirá se suspenderá o inquérito contra Temer.

Outro alvo das delações da JBS, o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou que vai tentar reverter no STF (Supremo Tribunal Federal) a decisão do ministro Luiz Edson Fachin. A defesa do parlamentar vai ingressar nesta segunda-feira (22) com um pedido de agravo regimental contra o afastamento. De acordo com o advogado Alberto Toron, "não há respaldo na Constituição Federal" para que um senador seja afastado "dessa maneira". 

Para finalizar, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhou à Polícia Federal uma série de questionamentos sobre as gravações feitas por Joesley Batista. Ao todo, Janot encaminhou 16 perguntas para cada áudio. A defesa de Temer também enviou questionamentos ao Supremo Tribunal Federal contendo 15 pontos. Vale lembrar que o dono da JBS gravou quatro conversas – diálogos com Temer e Aécio Neves (PSDB), além de dois encontros com o deputado Rocha Loures (PMDB).

Para a semana: todos os olhos na quarta-feira
E a segunda-feira não começa diferente do final de semana. Pela manhã, repercute a entrevista de Michel Temer à Folha de S. Paulo, qual afirma que enfrenta a maior crise política do seu governo em meio à delação dos donos da JBS -, afirmou  que renunciar seria uma admissão de culpa e desafia seus opositores: "Se quiserem, me derrubem, porque, se eu renuncio, é uma declaração de culpa", disse o presidente.

Porém, o grande evento da semana fica para quarta-feira. No dia 24 de maio, será levada ao plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) a decisão sobre o pedido de suspensão do inquérito contra o presidente Michel Temer. A decisão é crucial pois será o primeiro posicionamento oficial do judiciário sobre o caso.

Diante de tantas incertezas, segundo o jornal O Globo, parlamentares da base começaram se articular em defesa das eleições indiretas, que seria a única alternativa viável caso ocorra o afastamento de Temer. Neste caso, Rodrigo Maia (DEM-RJ) assumiria a presidência por 30 dias e conduziria todo o processo. Os nomes mais cotados para substituir Temer são Henrique Meirelles, Fernando Henrique Cardoso, Nelson Jobim, Cármen Lúcia e o próprio Rodrigo Maia.

Para fechar este "resumão" político, o "placar do impeachment" mostra o quão difícil está o cenário para Temer: a maior consultoria política do mundo, a Eurasia, disse que há 70% de chances do presidente não chegar até 2018 - a projeção anterior era de 20%. Já o cientista político da Oxford Economics, Marcos Casarin, cravou em entrevista ao site americano CNBC que a probabilidade de Temer cair é 100%.

 

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