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Bolsa: analistas minimizam chances de recuperações substanciais no curto prazo

Conturbado noticiário político, eleições e incertezas sobre crescimento dos EUA e mundial devem manter cautela elevada

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SÃO PAULO - A terceira semana de setembro, que começou com o mais fraco vencimento de opções na Bovespa em 2006, em volume de exercícios, foi marcada pelo fraco desempenho dos ativos brasileiros de renda variável. O Ibovespa acumulou significativa desvalorização de 3,79% no período e fechou a sexta-feira aos 34.799 pontos.

Os temores com a desaceleração econômica dos Estados Unidos e o recuo dos preços das commodities, principalmente energéticas e metálicas, marcaram presença entre os investidores. Na quarta-feira (20), conforme esperado, o Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve manteve inalterado em 5,25% ao ano o juro básico norte-americano.

Contudo, trazendo apreensão, o colegiado salientou a persistência de riscos ao comportamento do nível geral de preços, a despeito da desaceleração da economia e dos recentes indicadores de preços, que sinalizaram um quadro de maior controle inflacionário.

A questão envolvendo o golpe de estado na Tailândia e o conturbado noticiário político interno também ajudaram a elevar a percepção de risco dos investidores, que optaram pela cautela e reduziram suas posições em ativos considerados de maior risco, como os brasileiros.

Desaceleração mundial e preços das commodities
Em relação às perspectivas de curto prazo, Mauro Giorgi, da corretora Geração Futuro, acredita que é importante ressaltar que os preços das commodities estavam inflados pelas compras dos hedge funds, que amargaram fortes perdas nos últimos dias, e que tudo indica que a desaceleração da economia mundial não será tão acentuada quando os mercados estão precificando.

No entanto, apesar destas percepções, o economista comenta que o clima de cautela segue bastante elevado entre os investidores, o que deverá fazer com que o mercado brasileiro continue pressionado nos próximos pregões.

Avaliando a possibilidade de uma possível reação técnica, a percepção de Giorgi é a de que faltam drivers e que o mercado ainda teria de recuar mais um pouco para ingressar em um movimento de ajuste consistente.

Noticiário político e eleições
Ângelo Larozi, da corretora Souza Barros, comenta que os escândalos envolvendo o PT e o presidente Lula deixaram os investidores, principalmente os estrangeiros, receosos. "Acredito que muitos (investidores) vão esperar as eleições para reavaliar e possivelmente retomar suas posições no mercado brasileiro".

Neste contexto, um analista de uma importante corretora brasileira, que preferiu não se identificar, ressalta que a possibilidade de Lula se reeleger é grande, mas que sua governabilidade no próximo mandato será bastante difícil.

"Os próximos 15 dias deverão ser complicados para os negócios na Bovespa. Além de acompanhar o resultado das eleições e o conturbado noticiário político, teremos que avaliar os novos dados da economia norte-americana e a evolução dos preços das commodities. Não acredito em melhoras substanciais no curto prazo", completa.

 

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