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Após prometer "técnicos" nas estatais, governo Temer recua e fala em adequações

Presidente interino nomeou aliado de Gilberto Kassab para os Correios e gerou ruído com compromisso em relação ao cumprimento da chamada Lei de Responsabilidade das Estatais

Michel Temer
(Beto Barata/PR)

SÃO PAULO - Depois de um discurso enfático em apoio à chamada Lei de Responsabilidade das Estatais, que fixa a necessidade de critérios que priorizem a nomeação de perfis técnicos para o comando das empresas públicas, o presidente interino Michel Temer já se viu obrigado a recuar das posições. Na última segunda-feira, o peemedebista havia prometido paralisar as indicações para as diretorias e presidências das estatais e fundos de pensão até que o projeto que tramita no Congresso fosse aprovado.

Conforme conta reportagem do jornal Folha de S. Paulo, o governo pretende flexibilizar ao menos dois pontos da proposta: a determinação de comprovação de experiência mínima de dez anos na área de atuação da companhia estatal para cargos do alto escalão, e a determinação de que 25% dos membros do conselho de administração sejam independentes. As posições de Temer haviam provocado incômodo na base e atrapalhariam inclusive as opções que teria para nomeações. Pelo primeiro critério, Pedro Parente, por exemplo, não poderia ter assumido o comando da Petrobras.

A ideia do governo é definir emenda parlamentar ou projeto substitutivo que implemente as alterações no projeto original. Outro ruído foi gerado com a nomeação de Guilherme Campos, aliado de Gilberto Kassab e presidente em exercício do PSD, para os Correios. O novo dirigente não integra o quadro de funcionários da empresa pública. Segundo a Folha, o palácio do Planalto diz que Temer não descumpriu com a promessa, já que a decisão havia sido tomada no mês passado, mas apenas oficializada pela publicação do Diário Oficial da União da última quinta-feira (10).

 

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