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Juros em queda e Bolsa batendo recordes: como investir seu dinheiro

Gestor da Grau prevê Selic em declínio, mas ainda mantém alocação elevada em renda fixa; bolsa pode estar perto do pico

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SÃO PAULO - Com a forte valorização da Bovespa, que tem atingido novos recordes históricos, e a expectativa de queda das taxas de juros, muitas pessoas se perguntam se o momento é propício para alterar sua estratégia de investimento. Historicamente, o brasileiro tem mostrado preferência pelo mercado de renda fixa, mas será a hora de mudar?

Atenta às expectativas para as diversas alternativas de investimento, a Grau Gestão de Ativos propõe, em relatório divulgado esta semana, carteiras com horizonte estendido. A primeira traz uma perspectiva de seis meses; com outra visando um horizonte de investimento de 18 meses.

Sugestão para o curto prazo
Para o gestor da Grau Flávio Barros, os próximos seis meses incluem investimentos em ações, mas a maior alocação deve ficar com os CDBs (Certificados de Depósito Bancário) pré-fixados e com as LFTs (Letras Financeiras do Tesouro) pós-fixadas e corrigidas pela taxa Selic.

Segundo a ponderação da carteira recomendada, os títulos públicos corrigidos pela taxa básica de juro da economia superam o CDB, ou seja, a alternativa de aplicação pós supera o pré-fixado. Barros explica as boas chances de uma Selic menor no médio prazo, mas ressalta que o ritmo da queda ainda não está claro.

Enquanto a aplicação pré-fixada aposta em taxas futuras menores que aquelas atualmente esperadas, a pós é mais conservadora. Segue as variações da Selic, reduzindo os riscos de oscilações imprevistas.

Confira o portfólio projetado para os próximos seis meses:

Aplicação Peso
Cesta de ações Grau* 10%
CDB (pré-fixado) 40%
LFT (pós-fixado) 50%
* sugestão composta por ações e opções, com maior participação dos papéis da Petrobras e Vale do Rio Doce

Horizonte de médio prazo
Contados 18 meses, terminamos 2005 e 2006. Passamos por eleições presidenciais e outros tantos fatos relevantes. Grandes mudanças esperadas, portanto? Não exatamente. A carteira teórica para os próximos semestres continua apostando forte em CDBs pré-fixados e em LTFs.

O ordenamento, entretanto, mudou. Se os certificados pré-fixados tinham menor peso no portfólio anterior, agora eles ganham dos papéis pós-fixados em participação. Um reflexo de que a administradora de recursos espera uma queda rápida da taxa básica de juro em um horizonte mais longo.

Quanto à cesta de ações, foi substituída pela aplicação em Papéis Índice Brasil Bovespa. O fundo PIBB continua refletindo o mercado variável - está atrelado ao índice IBrX-50 da Bovespa - e ainda agrega a segurança de uma opção de resgate nominal, ou seja, pelo valor de compra, entre outubro e dezembro de 2006.

Veja a carteira traçada para os próximos 18 meses:

Aplicação Peso
Fundo PIBB 15%
CDB (pré-fixado) 45%
LFT (pós-fixado) 40%


Câmbio, eleições e Ibovespa
Uma característica comum das carteiras é a ausência de investimentos em dólar. Para Flávio Barros, quem arriscar na desvalorização do real não deve obter grandes retornos nos próximos meses: "a hipótese de sobressalto no câmbio é remota". Esta é a opinião da maioria do mercado, embora alguns analistas mostrem preocupação com o risco das eleições em 2006.

O gestor da Grau não prevê figuras de risco para a disputa da Presidência: "o Garotinho, por exemplo, não deve emplacar", acredita Barros. A tese de que Lula aproveitaria um segundo mandato para flexibilizar a política econômica também parece improvável. Com isso, a perspectiva é de que os fundamentos macroeconômicos se mantenham em gradual ascensão.

A mesma visão otimista não se estende ao Índice Bovespa. Talvez um futuro próximo conserve o ritmo positivo observado nos últimos pregões, mas Barros não afasta a idéia de que "o índice está próximo do topo de curto prazo". Por isso, a relativa cautela na participação da renda variável em ambas as carteiras.

 

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