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Crise política na Bolívia afeta Petrobras e todo o setor de gás natural brasileiro

Aprovação da nova Lei de Hidrocarbonetos e crise política na Bolívia podem levar à retração dos investimentos externos

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SÃO PAULO - A recente crise política na Bolívia, além de preocupar a diplomacia brasileira, também traz efeitos sobre a economia, principalmente em função do forte impacto sobre o segmento de energia. De fato, segundo Rafael Martinez Acebrón, pesquisador do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP, "Os problemas políticos na Bolívia passariam despercebidos se não afetassem a Petrobras e todo o mercado de gás natural brasileiro".

Dada a importância do setor de exploração de gás na economia boliviana, a aprovação da Lei dos Hidrocarbonetos, que aumentou de 18% para 50% os impostos e royalties sobre o gás explorados no país andino, acabou sendo um dos principais elementos da crise política que levou à renúncia do presidente Carlos Mesa.

Petrobrás no centro do debate
Entre os potenciais afetados está a Petrobrás. A maior empresa brasileira é responsável, segundo o pesquisador espanhol, por cerca de 20% do PIB de nosso vizinho, o que suscitou boatos de estatização de suas atividades na Bolívia. Para Acebrón, porém, esta "é uma hipótese mais remota".

Neste contexto, as reivindicações do Movimento Al Socialismo (MAS), partido que representa uma parcela significativa da população indígena, ganharam importância, trazendo uma possível crise de oferta do gás natural no Brasil.

Em estudo de campo, Acebrón percorreu o trajeto do gasoduto Bolívia-Brasil até chegar na Bolívia em março, com plena crise instaurada. "Policiais e militares vigiavam as cidades enquanto o MAS se preocupava com os campos de gás".

Pouca surpresa na Bolívia com nova lei do gás
A significativa elevação da taxa pode parecer surpreendente, mas grande parte dos bolivianos trata a lei como uma simples correção. Segundo Acebrón, os campos de extração mais antigos, no Norte do país, já pagavam, entre royalties e outras taxas, em torno de 50%.

A percepção é que as condições mais favoráveis nos campos do Sul nasceram de uma fase de atração mais agressiva de investimentos externos. "Se o gás do Norte é viável a 50%, por que o do Sul não seria também?", questiona Acebrón. A questão, para o mercado brasileiro, parece agora passar pela viabilidade econômica do projeto após a nova legislação, principalmente considerando a alternativa de importações, não no curto prazo, porém, de gás natural do Peru.

Para a Bolívia, resta a dúvida de qual será o impacto das medidas, principalmente caso ocorra uma retração dos investimentos estrangeiros no setor, um dos mais dinâmicos do país. Assim, a pergunta é como o país pode se beneficiar de suas reservas afastando investimentos como os da Petrobras.

 

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