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Temores sobre a interrupção do fornecimento de gás bolíviano afetam Comgás

Cerca de 2/3 do gás distribuído pela empresa vem da Bolívia; ações não são atrativas e lideram as perdas do Ibovespa na sessão

SÃO PAULO - A interrupção do fornecimento de gás natural boliviano afeta diretamente a Comgás e as incertezas geradas pela instabilidade política da região tornam suas ações "não atrativas". Pelo menos é isso que comenta o relatório publicado pela Fator Corretora nesta sessão, destacando que cerca de 2/3 do gás distribuído pela empresa vem da Bolívia.

Confirmando essa percepção, as ações preferenciais classe A da Comgás registraram o pior desempenho dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa nesta quinta-feira, caindo 10,17% para R$ 207,50.

Setor industrial deve ser afetado
As indústrias, que, nos últimos anos, vêm alterando o uso de óleo combustível pelo gás natural, devem ser uma das mais afetadas pela queda no fornecimento boliviano, uma vez que 78% do total de gás distribuído pela Comgás, maior distribuidora de gás encanado do país, é destinado a esse setor.

Já a oferta para os setores residencial, comercial e automotivo, que consomem cerca de 3%, 3% e 9%, respectivamente, do total de gás vendido pela empresa, deve ser priorizada, devido à ausência de produtos substitutos. A indústria, apesar dos custos incorridos na operação, poderia voltar a usar óleo combustível como alternativa. Do volume total de vendas da Comgás, 7% são utilizados na geração de energia.

Papéis acumulam fraco desempenho no ano
Com mais esta baixa, as ações preferenciais classe A da Comgás acumulam desvalorização de 17,12% em 2005, frente a uma queda de 6,54% do Índice Bovespa no mesmo período. O preço-teórico dos papéis, entretanto, foi descrito em R$ 278,24, o que confere um potencial de valorização próximo a 30% para este ano.

 

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