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Decisão política segue afetando ações da Copel, que acumulam forte queda

Investidores começam a traçar paralelos com as políticas adotadas por Itamar Franco entre 1999 e 2002 na Cemig

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SÃO PAULO - Embora um dos maiores temores dos investidores em 2002 fosse a possibilidade de interferência política do PT nas empresas estatais federais, o que acabou não acontecendo, o mesmo não se pode dizer em relação ao governo do Paraná, onde as empresas estatais são alvo de diversas decisões polêmicas vindas do Executivo estadual.

Mesmo sendo filiado a um partido considerado de centro, como o PMDB, o governador Roberto Requião tem adotado políticas claramente "heterodoxas" no tratamento de questões relacionadas a diversas empresas estatais paranaenses, com destaque para a Sanepar e a Copel, ambas listadas na Bolsa de Valores de São Paulo.

Governador veta reajuste de tarifas da Copel
Prejudicando de forma bastante evidente os acionistas minoritários da empresa, o governador Requião vetou na última terça-feira o reajuste tarifário de 16,1% concedido à Copel, conforme previsto nos contratos regulamentados pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

Além disso, esta não é a primeira interferência na política de reajustes da empresa, que havia decidido reajustar suas tarifas em 16,1% após o governador já haver vetado o reajuste de 25,27%, estabelecido no final de junho pela Aneel.

O resultado foi a forte queda nas ações PNB da empresa de energia (CPLE6) por três pregões consecutivos até esta segunda-feira, acumulando perda de 14,57%, frente a uma leve valorização acumulada de 0,05% do Ibovespa no mesmo período. Com isso, as ações já registram queda de 22% em 2003, frente à alta de 0,22% do índice InfoMoney do setor energia (SETENE) e de 28,44% do Ibovespa.

Requião já havia rompido acordo na Sanepar
Em fevereiro o governador Roberto Requião assinou decreto anulando o acordo de acionistas firmado na Sanepar, empresa de saneamento básico do estado, que datava de 1998. Neste acordo, o governo do Estado, detentor de 60% das ações da Sanepar, entregava o controle da empresa aos acionistas minoritários, sendo que 39,7% pertencem à Holding Dominó, controlada pela Andrade Gutierrez, pela francesa Vivendi e pelo Opportunity.

Assim, a situação da Copel, que já foi obrigada pelo governo do Estado em 2003 a alterar os termos de contratos assinados para a compra de energia, não é única, e preocupa o mercado, que teme em relação à sua situação financeira. Segundo diversos analistas, as medidas adotadas reduzem a geração de caixa da empresa e afetam sua capacidade de levantar recursos no mercado.

Investidores traçam paralelo
A polêmica em relação aos efeitos das políticas adotadas pelo governo de Estado sobre a Copel traz na memória de muitos investidores um paralelo com o que ocorreu com outra empresa de energia estadual: a Cemig.

Entre 1999 e 2002 as políticas adotadas pelo então governador de Minas Gerais, Itamar Franco, também geraram desconforto para muitos investidores, na época preocupados com os efeitos de médio e longo prazo na Cemig, até então considerada uma das melhores e mais respeitadas empresas do setor elétrico brasileiro.

No entanto, apesar de toda a polêmica, as ações da Cemig não tiveram um desempenho ruim no período. Entre o primeiro pregão de 1999 e a cotação de fechamento de 2002, as ações preferenciais da empresa mostraram uma valorização acumulada de 47,33%, que embora tenha ficado abaixo da alta de 66,10% do Ibovespa no mesmo período, superou o desempenho dos papéis PNB da Eletrobrás (+38,20%) e os da própria Copel (+32,41%).

Assim, resta a esperança aos acionistas da Copel de as ações, após começarem o mandato de Requião com o pé esquerdo, consigam se recuperar e mostrem um desempenho surpreendente, a exemplo com o ocorrido com os papéis da Cemig durante a gestão Itamar Franco.

 

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