Temos que pegar?

Pokébolha? Mercado se frustra com Pokémon Go e Nintendo perde US$ 6,7 bilhões na bolsa

Investidores não se atentam a fato importante da relação da empresa japonesa com a franquia, e isso já está custando caro para os acionistas da empresa

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SÃO PAULO – O Pokémon Go se tornou um sucesso global. Jogado por milhões de pessoas no mundo todo, o aplicativo em que o usuário de um smartphone pode capturar monstrinhos de realidade aumentada é assunto em todos os lugares, virou notícia, causou polêmica, mas acima de tudo, é absolutamente popular. Ponto para a Nintendo, que é acionista da Niantic, a empresa que desenvolveu o game e da Pokémon Co., não? Aparentemente, a realidade não é tão simples quanto pegar um Pikachu. 

Depois do lançamento do Pokémon Go, o sucesso foi refletido nos mercados, e a ação da Nintendo disparou 93% em 7 sessões. O problema é que três semanas após a novidade arrasar países inteiros, as ações da Nintendo começaram a cair. E que queda. Só nesta segunda-feira (25), os papéis da companhia produtora de videogames desabaram 18% na bolsa de Tóquio, a maior queda permitida para uma ação no intraday no mercado japonês. Em dinheiro, o impacto foi de 708 bilhões de ienes, ou US$ 6,7 bilhões. Já podemos falar em Pokébolha?

Razões
O motivo para essa derrocada foi explicado pela própria empresa em comunicado ao mercado divulgado na sexta-feira passada após o fechamento da bolsa japonesa. Como dito acima, a Nintendo não é dona do Pokémon Go, de modo que as receitas do jogo chegam para ela diluídas pela sua participação na Niantic e na Pokémon Co. Sendo assim, de acordo com uma estimativa do analista David Gibson, da Macquarie Securities, a Nintendo tem uma participação econômica de apenas 13% no app. 

Ou seja, boa parte da disparada da Nintendo veio de uma crença errônea de alguns investidores de que uma parte muito maior da receita do app – obtida a partir da compra de itens dentro do jogo – iria para o resultado da companhia. Na verdade, o jogo para celulares que deve superar a marca de US$ 4 bilhões por ano de receita, superando até o Candy Crush Saga, é quase uma nota de rodapé na demonstração financeira da empresa.

No entanto, o acionista da Nintendo não tem apenas motivos para chorar, já que o sucesso de Pokémon Go abre uma porta interessante para que a companhia passe a investir no mercado de games para smartphones. A iniciativa para isso já começou com a parceria firmada com a DeNA, que deve trazer como frutos jogos das franquias Animal Crossing e Fire Emblem. Além disso, com 10 milhões de japoneses baixando o Pokémon Go só no lançamento do jogo no país na sexta-feira, quem sabe essa nota de rodapé não acaba surpreendendo e aumentando a receita da companhia? Lembrando que até hoje o jogo não foi lançado em mercados ávidos para tê-lo em mãos, como é o caso do brasileiro.