PIB da China, Livro Bege nos EUA e desemprego no Brasil: o que acompanhar na semana

Tudo o que o investidor precisa saber antes de operar na semana

Lara Rizério

(Getty Images)

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Após uma semana agitada, marcada pela invasão dos Três Poderes em Brasília e pelo escândalo contábil de Americanas (AMER3), os investidores seguirão de olho em Brasília e também no noticiário sobre a varejista.

Nos próximos dias, atenção para os primeiros passos de implantação do pacote anunciado por Fernando Haddad, ministro da Fazenda, na última quinta-feira (12). Haddad apresentou um plano fiscal que visa compensar o aumento de despesas no orçamento deste ano, com um impacto potencial de R$ 243 bilhões, o que poderia levar o resultado primário de um déficit de 2,2% do PIB para um superávit de 0,1% até o final do ano.

“Vale ressaltar que há uma grande incerteza do impacto efetivo de algumas medidas, então Haddad estabeleceu uma faixa de meta que vai de -1,0% a -0,5% do resultado primário (como porcentagem do PIB). Ao contrário do esperado, o anúncio não propôs a revisão dos cortes do IPI ou das deduções do Imposto de Renda (IRPF)”, aponta o Itaú.

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Na agenda de indicadores, a inflação medida pelo IGP-10 de janeiro será divulgada na terça-feira (17). O Itaú projeta alta mensal de 0,20%, levando a taxa anualizada a 4,4%, ante 6,1% em dezembro. Os preços agrícolas no atacado devem seguir com alguma deflação. Enquanto isso, os preços industriais no atacado podem desacelerar devido à perda de fôlego dos preços do minério de ferro e à deflação dos preços dos combustíveis (refletindo os reajustes de preços da Petrobras PETR4 em dezembro).

Já na quinta-feira (19), atenção para a PNAD contínua de novembro, a ser divulgada pelo IBGE. A expectativa do banco é de queda de 0,2 ponto percentual na taxa de desemprego, para 8,1%. Já o Bradesco projeta que a taxa chegue a 8%.

O noticiário corporativo segue no radar, com destaque para Americanas, após queda de 70% das ações na última semana com a renúncia de Sergio Rial ao cargo de CEO e de André Covre à posição de CFO, por inconsistências contábeis. De acordo com a companhia, o impacto foi avaliado em R$ 20 bilhões. 

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Na sexta, a 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, por meio do juiz Paulo Assed, concedeu uma medida de tutela de urgência cautelar a pedido da varejista contra vencimento antecipado de dívidas. Além, disso, após essa decisão, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) deu 30 dias corridos para a Americanas entrar com pedido de recuperação judicial. Com isso, as negociações da varejista com bancos seguem em destaque.

Agenda no exterior

Dados de atividade da China e Estados Unidos, além de discursos de membros do Federal Reserve concentrarão as atenções no exterior, destaca o Bradesco.

Na segunda feira (16), destaque para os dados de atividade da China, com o PIB do quarto trimestre como destaque. “Esperamos um crescimento interanual de 1,6% representando uma desaceleração em relação a alta de 3,9% registrada no terceiro trimestre”, aponta o banco.

Na quarta-feira (18), serão divulgados os dados de vendas no varejo, produção industrial e índice de preços ao produtor dos EUA de dezembro. Atenção ainda para o Livro Bege do Federal Reserve, relatório sobre a economia dos EUA, no mesmo dia. Na quinta e na sexta (20), serão divulgados dados do setor imobiliário, com dados de início de construção de casas e de vendas de casas existentes, respectivamente.

Ao longo da semana, membros do Federal Reserve discursarão, com os mercados atentos para eventuais pistas sobre a
magnitude do ajuste da política monetária na reunião marcada para fevereiro. Em destaque, está a fala da vice-presidente do Fed, Lael Brainard, na quinta-feira.

Já na zona do euro e no Reino Unido, os olhos ficarão voltados para a inflação ao consumidor de dezembro, na quarta-feira. A expectativa da XP é de queda de 0,3% na base mensal no euro e de alta de 0,3% no Reino Unido.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.