Petroreconcavo (RECV3) vê 1º trimestre atípico e quer diálogo com Petrobras (PETR4) sobre ativos; ação recuou 9% após balanço

Companhia sentiu efeitos da queda do preço do petróleo

Augusto Diniz

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A piora do preço do petróleo e os custos extraordinários com a interdição do Polo Bahia Terra, da Petrobras (PETR4), fizeram com que o CEO da Petroreconcavo (RECV3), Marcelo Magalhães, classificasse o primeiro trimestre deste ano da petroleira júnior como “atípico”.

“Foi um trimestre, diria, atípico, quando a companhia enfrentou alguns fatores, sejam externos ou internos, que fizeram com que nossa performance no trimestre ficasse aquém do que a gente entende que a companhia consegue e irá entregar no futuro”, disse o executivo.

Na sessão desta segunda-feira (15), as ações da PetroReconcavo (RECV3) tiveram perdas de 9%, cotadas a R$ 17,27, após registrar uma queda de 50% do lucro líquido no 1º trimestre, para R$ 199,5 milhões. Já na prévia operacional de abril, a companhia viu sua produção ficar estável.

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Especialmente no Polo Bahia Terra, da Petrobras, por conta da interdição, houve dificuldade no escoamento e na comercialização da produção de gás pela Petroreconcavo, já que as empresas usam essa infraestrutura de forma compartilhada.

Segundo ele, a queda do preço médio do Brent no mercado internacional ao longo dos três meses foi de 8% em relação ao trimestre anterior. Na questão do gás, houve uma perda de rendimento da entrega do produto aos clientes aos longo do período.

Entretanto, apontou Guimarães, ocorreram também fatores internos que prejudicaram o resultado, como os vinculados à dificuldade de mobilização de equipamentos para desenvolvimento dos campos, “por conta atrasos de entrega e facilidades ainda não prontas para escoamento de produção, e na compra, importação e adequação de estruturas.”

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Petroreconcavo: Olhar para dentro

Por conta do cenário tanto interno quanto externo, o CEO considera focar no aumento de produção de petróleo da companhia.

“A gente teve dentro dessas atipicidades a conclusão da aquisição da Maha Energy Brasil. Mais uma vez, a Petroreconcavo se posicionou de forma pioneira em um M&A (fusão e aquisição) dentro de uma junior oil independente. A gente continua seguindo como empresa que, em algum momento, pretende ser uma consolidadora desse mercado”, afirmou.

Segundo o executivo, a Petroreconcavo fez investimentos na equipe para se tornar mais eficiente. “Vejo realmente os principais drivers de geração e valor de longo prazo para essa companhia, que é o contínuo incremento de nossa produção de forma segura, de forma sustentável, de custos cada vez menores, seja para operar seja para desenvolver as reservas”, ressaltou.

Nova postura da Petrobras

O foco em seus ativos tem também a ver com o momento em que a Petrobras se reposiciona na sua política de relacionamento com o setor de óleo e gás no Brasil.

“Para a indústria, está claro que a Petrobras não quer continuar operando ativos maduros onshore. Outras alternativas aparecerão para a indústria lidar com Petrobras quanto a isso. Nós certamente estaremos presentes à mesa para as discussões”, comentou a analistas de mercado.

Ele diz ter concordância com o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, em alguns assuntos. “Não acho que faça sentido a Petrobras sair da Bahia, sair do Rio Grande do Norte. A Petrobras tem presença histórica nesses Estados”, disse.

Para o executivo, “se a intenção da estatal é investir em energias renováveis, tanto a Bahia como o Rio Grande do Norte são os mais importantes do Nordeste para esse fim”.

“Com muita conversa, a indústria e a Petrobras vão chegar a um termo que permita sustentar os ganhos econômicos e sociais, que muito claramente os operadores independentes estão trazendo para a realidade do interior do Nordeste”, acrescentou.