Destaques da Bolsa

Petrobras sobe pelo 7º pregão, Vale dispara 5% e Vivo desaba 7% com mudança de CEO

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta segunda-feira

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou na sua quarta alta seguida nesta segunda-feira (10), a 61.556 pontos, puxado pelas ações de commodities, que novamente foram destaque de alta. Os papéis da Petrobras registraram hoje sua sétima alta seguida, com a força dos preços do petróleo no mercado internacional, enquanto a Vale disparou 5% somente nesta sessão. 

Do lado negativo, as ações da Telefônica Brasil afundaram 7% com mudança de CEO (Chief Executive Officer). Apesar do temor do mercado é que a mudança de comando enfraqueça um dos principais pilares da tese de investimento da Telefônica Brasil, a de gestão de primeiríssima linha, analistas do Itaú BBA viram o movimento como uma oportunidade de compra dado o sólido fundamento da empresa. 

Confira abaixo os principais destaques da Bovespa nesta segunda-feira:

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Vale (VALE3, R$ 19,05, +5,83%; VALE5, R$ 16,99, +5,43%)
As ações da Vale e Bradespar (BRAP4, R$ 11,11, +2,87%) – holding que detém participação na Vale – dispararam, na esteira dos preços do minério de ferro. A commodity spot (à vista), negociada no Porto de Qingdao com 62% de pureza, fechou em alta de 1,41%, a US$ 56,65 a tonelada.  

Apesar da alta mais amena, os papéis das siderúrgicas acompanharam o movimento positivo, com Gerdau (GGBR4, R$ 9,75, +0,93%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 16,87, +0,26%), Usiminas (USIM5, R$ 3,78, +0,80%) e CSN (CSNA3, R$ 10,20, +2,51%). O JPMorgan rebaixou hoje a recomendação da Usiminas de neutra para underweight (exposição abaixo da média), enquanto Gerdau foi cortada de overweight (exposição acima da média) para neutra. 

Segundo coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, embora não vá admitir publicamente, o governo já decidiu que Murilo Ferreira não fica na presidência da Vale além de maio de 2017, quando acaba seu mandato. 

Já no radar das siderúrgicas, a Usiminas informou na sexta-feira que foi notificada oficialmente da decisão da Justiça de Minas Gerais que anulou a reunião do conselho de administração de maio que havia elegido o executivo Sergio Leite para a presidência da siderúrgica. Com isso, a presidência executiva foi retomada por Rômel Erwin de Souza, enquanto Leite voltou a assumir a vice-presidência comercial da empresa. 

Na quarta-feira, a 11ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de MG aceitou pleito da Nippon Steel e anulou a reunião do colegiado da Usiminas que havia escolhido uma nova diretoria para a empresa.

Telefônica Brasil (VIVT4, R$ 43,64, -6,83%)
As ações da Telefônica Brasil, dona da marca Vivo, desabam após anunciar mudança de CEO (Chief Executive Officer). Na mínima do dia, os papéis atingiram queda de 7,62%, a R$ 43,27. O volume financeiro movimentado com a ação atinge R$ 588,6 milhões, contra média diária de R$ 62,8 milhões nos últimos 21 pregões. 

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Eduardo Navarro, atual presidente do Conselho de Administração da empresa no Brasil, assumirá a presidência da companhia no lugar do israelense Amos Genish, que ocupava o cargo desde 2015 e foi encarregado de executar o processo de integração da Telefônica com a GVT, adquirida pela empresa. Após o anúncio, o Bradesco BBI rebaixou a recomendação das ações VIVT4 para neutra, enquanto o Credit Suisse classificou a notícia como negativa. Já o Itaú BBA disse que uma reação negativa do mercado pode criar uma oportunidade de compra das ações.

Em teleconferência realizada nesta manhã, Amos disse que a renúncia da presidência foi por “decisão pessoal”. Segundo ele, a empresa continuará com time forte, fundamentos sólidos e busca de sinergias entre Vivo e GVT. Eduardo Navarro é a pessoa certa para o cargo, disse.

Em relatório, o Bradesco BBI disse que um dos principais pilares da tese de investimento da Telefônica Brasil, a de gestão de primeiríssima linha, enfraqueceu com a mudança no comando da empresa, aumentando os riscos de execução para ganhos de sinergia com a GVT e a alocação inteligente de capex (investimentos em bens de capital), que pode ser pressionada.  

No entanto, o time de análise do Itaú BBA, chefiado por Susana Salaru, disse que uma possível reação negativa das ações hoje pode criar uma oportunidade de compra da ação. “Enquanto Amos tem sido fundamental na integração GVT e em desbloqueio de sinergias, a Telefônica tem uma posição sólida competitiva apoiada por uma lacuna em infraestrutura, quando comparados aos seus pares, o que se traduz em serviço superior e permite que a empresa tenha um posicionamento de preços premium“, comentaram os analistas do Itaú BBA. Além disso, eles ressaltaram que a Telefônica não apenas oferece o melhor serviço mobile e fixo no Brasil, como criou uma vantagem competitiva que não é fácil de ser replicada. 

Petrobras (PETR3, R$ 17,49, +3,19%; PETR4, R$ 15,73, +3,08%)
As ações da Petrobras disparam pelo sétimo pregão, entre alta dos preços do petróleo no mercado internacional e elevação do preço-alvo pelo Barclays. O contrato do petróleo Brent subiu 2,00%, a US$ 52,97 o barril, enquanto o WTI avançou 2,79%, a US$ 51,20 o barril. O Barclays elevou hoje o preço-alvo dos ADRs (American Depositary Receipts) da estatal de US$ 9,00 para US$ 10,00. 

No noticiário, destaque ainda para as falas do CEO e do CFO da empresa em entrevista à Bloomberg em Nova York na última sexta-feira. De acordo com o o diretor financeiro Ivan Monteiro, a Petrobras já é assediada por bancos estrangeiros. De acordo com ele, a empresa pode escolher entre empréstimos de bancos ou de agências de crédito. “Os bancos comerciais globais estão de volta. Eles estão oferecendo diferentes alternativas. Algumas são bem interessantes”. A estatal só fechou uma transação com garantias comerciais em petróleo, a melhor opção naquele momento, com melhores taxas. “Nós podemos fazer euro, franco suíço, podemos fazer dólar, curto, longo, tudo. Mas a discussão é o custo do financiamento”, diz Monteiro. Petrobras não precisa do dinheiro agora, sempre analisa opções, afirmou. A janela para o empréstimo, por vezes, dura apenas algumas horas, diz Monteiro.

Já o CEO Pedro Parente afirmou que uma gigante do petróleo dos EUA já mira Brasil após mudança. O escritório do Ministério das Relações Exteriores em Houston já foi contatado por 7 empresas, incluindo uma gigante do petróleo americana, depois que a Câmara aprovou a abertura do pré-sal a operadores estrangeiros, afirmou. “Recebi informação de um ex-CEO de um empresa americana enorme dizendo que, se a lei mudasse”, a companhia teria interesse em voltar para o Brasil, disse Parente, sem revelar o nome da empresa. O CEO ainda destacou que o preço de combustível continuará acima do internacional.

Ainda no noticiário da estatal, a empresa  considera ser muito difícil que países não membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) aceitem um possível pedido do cartel para reduzir a produção de petróleo, afirmou à Reuters uma fonte da companhia na sexta-feira. 

Já segundo o Valor Econômico, a Caixa Econômica Federal negocia com o governo para que o Tesouro Nacional assuma avais de operações de crédito, hoje dados pelo banco, em operações com empresas estatais, com destaque para a Petrobras. A informação foi dada pelo presidente da Caixa, Gilberto Occhi, em entrevista ao Valor. “Temos feito algumas propostas ao Tesouro. Há garantias que a Caixa dá hoje, e que consomem capital do banco, mas que o Tesouro poderia dar”, diz. 

Por fim, o jornal O Estado de S. Paulo informa que a Cosan tem interesse em olhar gasodutos que estão sendo colocados à venda pela Petrobras. No entanto, haveria dificuldades do negócio avançar, uma vez que o modelo proposto pela estatal atrela os gasodutos à venda de refinarias, o que não interessaria a Cosan. 

Energias do Brasil (ENBR3, R$ 14,85, +1,92%)
As ações da Energias do Brasil figuram como a maior alta do Ibovespa neste momento, após o JPMorgan elevar a recomendação do papel de neutra para overweight, com o preço-alvo sendo revisado de R$ 13,00 para R$ 17,50. 

Localiza (RENT3, R$ 41,12, -0,89%)
As ações da Localiza aparecem como uma das maiores quedas do Ibovespa, reagindo ao corte de recomendação para neutra pelo Bradesco BBI. 

Embraer (EMBR3, R$ 14,28, -1,52%)
Segundo o jornal Valor Econômico, o governo da Argentina tem interesse na compra de um jato E190, da Embraer, como parte da renovação de sua frota presidencial. A Embraer estaria em tratativas com a Casa Rosada para fornecer o avião, chamado nos bastidores de “AeroMacri”.  

Ambev (ABEV3, R$ 19,68, +0,15%)
A Ambev teve a cobertura reiniciada pelo Goldman Sachs com recomendação de compra e preço-alvo de US$ 6,80 por ADR (American Depositary Receipt). A avaliação do banco é que a empresa se aproveitou da fraqueza do mercado brasileiro para reforçar o seu já forte posicionamento competitivo através de um melhor mix e de um portfólio mais amplo. 

Ser Educacional (SEER3, R$ 18,88, 0,0%)
A equipe de análise da BB Investimentos elevou a recomendação para os papéis da Ser Educacional para outperform (performance acima da média do mercado), com preço-alvo para 2017 de R$ 23,00 para as ações da companhia. De acordo com o analista Mário Bernardes Junior, a companhia de educação tem demonstrado sua capacidade de se adaptar a adversidades inerentes ao ambiente doméstico por meio da melhoria de sua rentabilidade.

“Nos próximos períodos, acreditamos que a empresa poderá reforçar esta nossa visão através de alguns indicadores de desempenho tais como margens, taxas de inadimplência e matrículas. Portanto, a fim de incorporar os novos fundamentos para a empresa, bem como o potencial de valorização das ações, nós elevamos nossa recomendação”, escreve a BB Investimentos.

JSL (JSLG3, R$ 11,00, -0,63%)
As ações da JSL tiveram recomendação reiniciada pelo Bradesco BBI com recomendação outperform (desempenho acima da média).