Destaques da Bolsa

Petrobras sobe entre Moody’s e petróleo; Vale zera perdas e microcap dispara 74% “misteriosamente”

Confira os principais destaques de ações da bolsa nesta sessão

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou praticamente estável (+0,09%) nesta segunda-feira, 10, em dia de poucos negócios, em meio à cautela dos investidores por conta da semana mais curta, devido ao feriado na sexta-feira, à apreensão com o desenrolar da crise geopolítica no Oriente Médio e as negociações em torno do projeto final da reforma da Previdência, que pode sair na próxima semana. 

Do lado das contribuições positivas, as ações da Petrobras subiram entre alta dos preços do petróleo e elevação de rating pela Moody’s. A Vale, por sua vez, conseguiu zerar as perdas, mesmo em dia de queda dos preços do minério de ferro, enquanto os bancos fecharam entre altas e perdas.

Fora do índice, chamou atenção a ação microcap da Bombril, que disparou 74%, com forte volume financeiro, sem nenhuma notícia no radar sobre a empresa. 

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Confira abaixo os principais destaques de ações da bolsa nesta segunda-feira:

Petrobras (PETR3, R$ 15,63, +1,69%; PETR4, R$ 14,94, +1,63%)
As ações da Petrobras sobem entre alta dos preços do petróleo, que têm 5ª alta seguida, e elevação de rating pela Moody’s. A agência de classificação de risco elevou a nota da estatal de B2 para B1, enquanto revisou para cima a perspectiva de estável para positiva, o que indica que a Moody’s pode elevar novamente a petroleira nos próximos meses. 

VEJA MAIS: Atenção na Petrobras: gráfico indica alta de 60%, mas essa não é a hora para comprar, diz analista

Lá fora, os contratos futuros do petróleo Brent subiam 1,29%, a US$ 55,95 o barril, enquanto os contratos do WTI registravam alta de 1,57%, a US$ 53,06 o barril. O movimento positivo ocorria em meio à suposta paralisação em campo líbio e sinal da Rússia de que considera uma extensão dos cortes liderados pela Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). 

Vale (VALE3, R$ 29,03, -0,41%; VALE5, R$ 27,59, +0,07%)
As ações PNs da Vale conseguiram zerar as perdas de até 2% nesta sessão, apesar da sessão negativa para os preços do minério de ferro. Acompanharam o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 20,49, -0,87%) – holding que detém ações na Vale.

O minério de ferro negociado com 62% de pureza no porto chinês de Qingdao fechou em queda de 0,98% nesta sessão, a US$ 74,71 a tonelada, enquanto os contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dailian caíram 2,80%, a 520 iuanes. 

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Em relatório, o Barclays comentou hoje que o metal entrou em “bear market” na China e prevê mais quedas, devendo atingir os US$ 50,00 a tonelada este ano – o que representaria uma desvalorização de 33% frente ao patamar atual. Na semana passada, um relatório do governo da Austrália também previa queda da commodity para US$ 50,00 a tonelada até o final de 2017 (veja aqui). 

O BTG Pactual também traz um relatório nesta segunda-feira sobre a Vale: “reconhecemos o progresso feito pela companhia nos últimos tempos, como redução de custos e alavancagem (que foi de 3,5 vezes a dívida líquida/Ebitda para 2,1 vezes), desinvestimento em ativos “non-core” e melhorias na governança corporativa, mas o case continua altamente dependente do preço do minério (que dobrou de preço frente 2015, com China salvando o dia)”, comentam os analistas. Com isso, eles seguem cautelosos com a ação, vendo os preços de minério no pico, apesar de ainda enxergarem algum valor a ser extraído de desalavancagem. Ainda assim, eles comentam que, assumindo que preços de minério se estabilizem em US$ 80 a tonelada em 2017 e corrija para US$ 55 a tonelada de 2018 em diante, ainda há 20% de potencial de valorização para a ação. No entanto, a volatilidade do minério atual e potencial de ganhos não justificam uma posição no papel agora.

Siderúrgicas 

As siderúrgicas também perderam força e fecharam em queda nesta sessão, com Gerdau (GGBR4, R$ 10,35, -1,90%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 4,47, -1,11%), e CSN (CSNA3, R$ 8,45, -3,32%). A exceção foi a Usiminas (USIM5, R$ 4,06, +1,00%), que encerrou em alta. No Visão Técnica da última sexta-feira, o analista Igor Graminhani, da XP Investimentos, recomendou a compra das ações das siderúrgicas, apontando que graficamente todas estavam em cima de um suporte relevante, mas que a sua preferência era a ação da Usiminas (veja a análise aqui).   

No radar do setor, de acordo com informações do jornal Zero Hora, o  presidente do conselho consultivo da Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, prestou depoimento à Polícia Federal na sexta-feira (7), em Porto Alegre, no âmbito da Operação Zelotes. O empresário foi ouvido no âmbito de inquérito no STF que investiga a Medida Provisória 627, de 2013, que alterou regras da tributação de lucros de empresas brasileiras com negócios fora do país e resolveu pendências para o pagamento de dívidas com o Fisco.

Segundo o Estadão, um Relatório do Ministério Público Federal (MPF) afirma que o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, à época em que foi Secretário da Fazenda, participou de tratativas que resultaram em favorecimento à Gerdau na tramitação de uma medida provisória no Congresso. O documento sustenta que o ministro conversou com o empresário sobre regras tributárias de interesse da empresa. Para os investigadores, há indícios de que, graças a negociações com Dyogo e congressistas, o próprio Gerdau redigiu emendas que tramitaram na Câmara e no Senado. À época que o documento foi revelado, Dyogo Oliveira negou que tenha feito qualquer gestão para influenciar o Congresso a decidir em favor da Gerdau.

Em nota, a Gerdau confirmou o depoimento do presidente do conselho consultivo e afirma ‘que participou, de forma legítima e em conformidade com a legislação brasileira, de discussões sobre a bitributação de lucros provenientes do exterior, lideradas por entidades de classe e em conjunto com outras empresas de atuação internacional’. A empresa reiterou que está à ‘disposição das autoridades para prestar esclarecimentos’.

Além disso, segundo o jornal Valor Econômico, a CSN conseguiu uma liminar para não pagar, por meio da tarifa de energia, o que lhe seria cobrado nas indenizações bilionárias das transmissoras de energia referentes a ativos antigos ainda não amortizados. O jornal informa que a decisão da Justiça do Distrito Federal pode ser uma má notícia para as transmissoras e para a União, uma vez que já havia um processo movido por grandes consumidores questionando o pagamento de indenização via tarifa.

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O BTG Pactual comentou, em relatório, sobre a empresa nesta manhã. Segundo os analistas, a visão para a ação continua negativa, citando como um dos pontos principais de incômodo no case os desafios com estrutura de capital. “A companhia está focada em renegociar suas dívidas de curto prazo, mas o período 2019 e 2020 será crítico, já que terá mais de R$ 15 bilhões de dívida vencendo. “Se o minério não se sustentar acima de US$ 70,00 a tonelada, prevemos a necessidade de realizar venda de ativos para cobrir seu cronograma de amortização”, comentaram. Do lado positivo, a cada 100 pontos-base de queda de juros, a despesa financeira da companhia reduz em R$ 170 milhões. Além disso, com minério ao redor de US$ 60,00 a tonelada, alavancagem pode cair rapidamente para baixo de 5 vezes a dívida líquida/Ebtida.

Já do lado operacional do case, os analistas comentam que ainda veem algumas perguntas sem respostas: mesmo com alta do minério, a companhia entregou um Ebitda estável na comparação trimestral; na outra ponta, eles ainda veem possibilidade de descontos de preço por conta do alto prêmio doméstico (acima de 20%). Eles reiteraram recomendação de venda da ação, mas elevaram o preço-alvo de R$ 6,00 para R$ 7,00.

Natura (NATU3, R$ 30,16, +0,47%)
As ações da Natura amenizaram os ganhos após subirem 2,03% na máxima do dia, a R$ 30,63. O papel foi um dos recomendados para compra pelo analista Igor Graminhani, da XP Investimentos, no Visão Técnica da última sexta-feira (confira aqui). Juntamente com a Natura, ele indicou a compra das siderúrgicas, com preferência pela Usiminas. 

Transmissão Paulista (TRPL4, R$ 63,80, -3,10%)
As ações da Transmissão Paulista caiu antes da decisão sobre pagamento de RBSE (Rede Básica Sistemas Existentes).  A ação contra o pagamento de RBSE feita por consumidores industriais pode obter primeira decisão nesta semana. O litígio sobre RBSE pode aumentar, escreveram analistas do Bradesco BBI Francisco Navarrete e Bruno Arruda em relatório. 

O refere-se a direitos de transmissão antes de 2000. Os efeitos contábeis estão relacionados à compensação de ativos não depreciados. Em 20 de março, a Transmissão Paulista reconheceu valor de rede básica de serviço de R$ 8,8 bilhões. 

O Bradesco BBI que fluxo de caixa de RBSE representa cerca de 50% do valor de mercado da companhia e uma grande parcela da Eletrobras. O banco manteve as estimativas da Transmissão Paulista e recomendação “outperform” inalteradas, mas destacou o potencial risco de baixa para caso de investimento. As ações da Eletrobras (ELET3, R$ 15,37, -2,47%; ELET6, R$ 19,81, -2,51%) caíram 4% na mínima do dia. 

BRF (BRFS3, R$ 37,52, -0,69%)

A empresa de alimentos BRF informou neste sábado que recebeu autorização para reativar a fábrica de Mineiros (GO) e que pretende reiniciar nos próximos dias os trabalhos na unidade paralisada pelos desdobramentos da operação Carne Fraca.

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“A BRF informa que foi autorizada a retomar as atividades em sua unidade de Mineiros. Os trabalhos devem ser reiniciados nos próximos dias”, afirmou a empresa, sem dar mais detalhes, em comunicado à imprensa.

JBS (JBSS3, R$ 10,07, +1,72%)

A JBS informou que vai reapresentar fluxos de caixa de 2015 e 2016 no âmbito do protocolo do pedido de registro de IPO nos EUA da subsidiária JBS Foods International.

Ainda sobre a companhia, o juiz federal Marcos Josegrei, responsável pela Operação Carne Fraca, manteve, no sábado, a prisão preventiva do médico veterinário Flavio Evers Cassou, da Seara, pertencente à JBS. O funcionário, que segundo a PF é executivo da JBS, é investigado por ‘entregar dinheiro’ aos fiscais do Ministério da Agricultura Daniel Gonçalves Filho e Maria do Rocio, apontados como líderes da organização criminosa que se instalou na pasta para defender os interesses de empresários do setor agropecuário em troca de propinas. 

Oi (OIBR3, R$ 3,59, -1,64%;OIBR4, R$ 3,30, -3,79%)

As ações PNs da Oi – que possuem maior liquidez na bolsa – afundaram 6,71% na mínima do dia, a R$ 3,20. De acordo com informações da Bloomberg, credores da Oi foram encorajados por comentários do presidente da companhia e acham que o plano de injeção de capital pode ajudar nas negociações segundo declarações de Erick Alberti, do grupo de credores assessorado por Moelis. A Oi vai negociar capitalização, disse o CEO Marco Schroeder ao Valor na sexta-feira. A operadora de telefonia protagoniza o maior pedido de recuperação judicial da história brasileira em junho do ano passado, com dívidas declaradas de R$ 65,4 bilhões. 

Ainda sobre a Oi, o Valor informa que após a BDO Consultoria declinar de sua nomeação como administrador judicial da companhia telefônica, o juiz Fernando Viana, da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, onde tramita o processo de recuperação judicial da tele, convocou para hoje, às 15 horas, reunião com o Ministério Público e o escritório de advocacia Wald para definir um substituto.

Ser Educacional (SEER3, R$ 23,39, +3,04%)
As ações da Ser Educacional miram a 13ª alta seguida, numa sequência histórica de valorização. No período, os papéis acumulam ganhos de 28%. No setor, as ações da Kroton (KROT3, R$ 13,78, +1,25%) e Estácio (ESTC3, R$ 16,26, +1,63%) também registraram alta hoje, enquanto a Anima (ANIM3, R$ 13,15, -0,08%) fechou praticamente estável.

Em relatório desta manhã, analistas do Santander reiteraram visão positiva sobre a Ser Educacional, após a incorporação integral do plano de expansão da empresa (45 novas unidades até 2021) em suas estimativas, o que provocou um aumento substancial no preço-alvo do papel para este ano, que passou de R$ 22,00 para R$ 28,00. A recomendação para a ação é compra. 

Segundo eles, a execução de seu plano de expansão (13 novas unidades foram autorizadas no acumulado do ano) levará a um novo ciclo de crescimento sustentável na história da empresa, o qual parece não estar totalmente captado pelo preço atual das ações. Eles comentam ainda que as mudanças iminentes nas regulamentações do ensino à distância podem favorecer a expansão da empresa no segmento e, mesmo se elas não forem alteradas, a empresa está á espera da aprovação de 400 novos polos de ensino, os quais, usando premissas conservadoras, podem agregar R$ 2,00 ao preço-alvo da ação (de R$ 28) para o final de 2017. 

 Lojas Americanas (LAME4, R$ 16,15, 0,0%)

O Conselho de Administração da Lojas Americanas aprovou a emissão de R$ 1 bilhão em debêntures. A venda para investidores qualificados será feita em duas séries, segundo comunicado ao mercado.

A 1ª série com vencimento em 5 anos pagará 115,3% do CDI e a 2ª série com vencimento em 7 anos terá remuneração Tesouro IPCA+ 2023 mais 1,7%. O recurso será usado para alongar perfil de endividamento.

PDG Realty (PDGR3, R$ 2,08, -0,95%)

Conforme destaca o jornal O Estado de S. Paulo, a empresa deve apresentar à Justiça até maio seu plano de reestruturação para tentar se reerguer. O desafio maior será concluir os 30 empreendimentos em andamento, 17 dos quais estão paralisados. Segundo fontes ouvidas pelo Estado, a tarefa não será nada fácil. Com uma dívida total de cerca de R$ 7,8 bilhões – dos quais R$ 6,2 bilhões no processo de recuperação judicial, aprovado pela Justiça em 2 de março, além de cerca de R$ 1,6 bilhão não incluído no processo –, a PDG não tem hoje dinheiro para comprar “um tijolo sequer.”

Para evitar falência, companhia vai tentar negociar captação de novos recursos com bancos credores para finalizar obras em andamento; cerca de 20 mil consumidores foram afetados pela crise empresa, cuja dívida total é de R$ 7,8 bilhões.

Bombril (BOBR4, R$ 3,20, +73,91%)
As ações da Bombril fecharam na máxima do dia, com forte volume financeiro, apesar da falta de notícias sobre a empresa no radar. A microcap, que negocia normalmente de R$ 622 mil por dia na bolsa, registrou um giro financeiro de R$ 7,4 milhões – ou quase 12 vezes acima da média. 

Da última vez que a ação da Bombril registrou alta dessa magnitude na bolsa, em agosto do ano passado, a companhia havia informado ao mercado que, no contexto de sua reestruturação, avaliava financiamento e venda de ativos não estratégicos como alternativas para fortalecer sua estrutura de capital. Do fechamento do dia 30 de julho até o dia 4 de agosto, as ações da companhia subiram 192% na bolsa.