Petrobras (PETR4): Itaú BBA e Genial cortam preço-alvo e mantêm visão cautelosa para ações após últimos desdobramentos

Redução foi motivada por um maior custo de capital, expectativa de queda nos preços do petróleo, alteração da política de dividendos, entre outros fatores

Felipe Moreira

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Em meio ao cenário de incertezas para o setor petroleiro nesses primeiros meses de governo, casas de análise seguem reduzindo as suas estimativas para o setor, especialmente para os ativos da Petrobras (PETR3;PETR4).

O Itaú BBA reduziu o preço-alvo dos ativos da Petrobras e destacou que, desde que rebaixou a recomendação da ação  de equivalente à compra para neutra, em 29 de agosto, a petrolífera teve um retorno total ao acionista negativo de 18% em reação aos resultados das eleições, aos anúncios sobre mudanças na diretoria e no conselho da estatal e a expectativas relativas a alterações significativas na política de preços da companhia.

Nesse contexto conturbado, o banco disse que estava no aguardo de mais clareza quanto à tese de investimentos da empresa, especialmente no que tange a política de preço de combustíveis e expectativas de investimentos em refinarias e em renováveis. Mesmo sem ter ainda uma visão clara sobre esses planos da Petrobras, atualizou suas estimativas, não só com as projeções atualizadas da curva de petróleo e dados macroeconômicos, mas também incorporando as informações mais recentes divulgadas sobre esses principais riscos. Desta forma, o banco reiterou recomendação neutra para ações preferenciais da Petrobras PETR4, mas reduziu preço-alvo de R$ 38 ao fim de 2022, para R$ 27 ao término de 2023, ou um potencial de valorização de 8% frente o fechamento de sexta.

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O BBA justifica a recomendação com base em um maior custo de capital devido ao aumento das taxas de juros no contexto internacional e incertezas no longo prazo; projeção de queda nos preços do barril do tipo Brent para 2023 e 2024; alteração da política de dividendos para 25% do lucro líquido a partir de 2023; alta de 15% na previsão de capex (investimentos) de 2023-2027 em comparação com o plano anterior da empresa; e estimativa de desconto em relação aos preços de paridade de importação para diesel e gasolina de, respectivamente, 5% e 6% em 2023.

De forma geral, embora a Petrobras continue a ser negociada muito abaixo dos múltiplos históricos – com o valor da empresa em relação ao Ebitda (EV/Ebitda) de 2,3 vezes para 2023 e de 2,6 vezes para 2024 –, analistas veem um potencial de ganho limitado, que pode ser impactado negativamente por prováveis anúncios de mudanças maiores na política de preços da empresa, novos investimentos greenfield (operação iniciada do zero) em refino e maiores investimentos em renováveis.

A Genial Investimentos que já havia rebaixado as ações da estatal para venda após o anúncio da empresa de analisar projetos de investimentos em eólicas offshore, o que ela considerou negativo para tese de investimento na estatal, reduziu na sexta o preço-alvo dos ativos PETR4. O preço-alvo passou de R$ 30 para R$ 25 (estável em relação ao fechamento de sexta).

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Isso porque, se for considerada a participação de 50% da Petrobras nos projetos apresentados, a empresa passaria a ter um comprometimento de investir até R$ 130 bilhões nos próximos anos em eólicas offshore, o que pode ser muito desafiador do ponto de vista da geração de valor aos acionistas, tendo em vista os baixos preços de energia no segmento de geração (que atualmente opera em uma sobreoferta estrutural que deve durar pelo menos 4-5 anos) e alto custo do investimento por megawatt/hora (MWh) instalado.

A instituição financeira também disse chamar a atenção não apenas a orientação que a empresa está tomando mas, principalmente, a intensidade – diante do gigantismo dos projetos em análise em um segmento que analistas acreditam pouco provável que vá gerar valor ao acionista. Sobre esse tema, em vídeo no fim da semana passada, Jean Paul Prates, CEO da Petrobras, afirmou que os investimentos em eólicas offshore ainda estão na etapa inicial de estudos. 

Mas, para além desse evento, analistas da Genial avaliaram outros aspectos que julgam negativos para a Petrobras, como o fim da paridade aos preços internacionais, suspensão no processo de desinvestimentos, alteração na política de dividendos e, finalmente, o fim do foco no segmento de Exploração & Produção em relação a negócios relacionados a transição energética ou segmento de refino.

Por fim, a Genial disse que “não adianta dar murro de em ponta de faca e insistir em um case que corre o risco de passar a não se apropriar do atual ciclo dos preços do petróleo, principalmente tendo opções que julgamos mais interessantes”, destacando nomes como PRIO (PRIO3) e 3R Petroleum (RRRP3).

Cabe destacar ainda que, na próxima terça-feira (14), o comitê de elegibilidade da Petrobras se reunirá para avaliar cada um dos oito nomes indicados para o conselho de administração da empresa. No entanto, segundo o jornal O Globo, dentro da própria diretoria, já se sabe que a comissão apontará impedimentos legais para dois indicados do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, uma vez que, segundo a Lei das Estatais, os representantes dos órgãos reguladores aos quais a empresa é tema, ou representantes de ministros de estado, não podem participar do conselho.

Os nomes são Pietro Mendes, atual secretário de Petróleo e Gás do ministério, e Vitor Saback, atual diretor da Agência Nacional de Águas. Houve várias disputas políticas em segundo plano relacionadas a indicações para o conselho, já que os membros do Partido dos Trabalhadores têm reclamado de uma subrepresentação.

“Mesmo que a comissão de elegibilidade destaque impedimentos para alguns nomes, ainda existe a possibilidade de que esses nomes sejam aprovados pelo governo, pois essa situação já ocorreu no governo anterior com dois nomes. No entanto, diante da disputa política nos bastidores do governo, não há como saber quais nomes serão aprovados. Quanto mais tempo demorar para a lista final ser enviada à diretoria da Petrobras , mais tempo levará para este governo implementar mudanças políticas dentro da empresa”, apontam os analistas do Bradesco BBI, que têm recomendação neutra para os ativos da Petrobras.