Petrobras (PETR4): foco do mercado fica para dividendos extraordinários após produção

Estatal divulgou dados operacionais na noite de quinta-feira sem trazer grandes surpresas

Felipe Moreira

Sede da Petrobras (foto: Getty Images)

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A Petrobras  (PETR4) divulgou, na última quinta-feira (8), seu relatório de produção do quarto trimestre do ano passado, com produção média de 2,935 milhões de barris diários (boe) de óleo equivalente (petróleo e gás natural), uma alta de 10,9% na comparação com o mesmo período de 2022.

Além disso, a produção do pré-sal cresceu cerca de 18% em relação ao ano anterior e já representa aproximadamente 78% da produção total da empresa. O Goldman Sachs destaca que a ANP divulga números de produção para o mercado de petróleo brasileiro mensalmente e, portanto, avalia o anúncio de ontem como um evento sem grande impacto, especialmente porque a produção está em grande parte em linha com as expectativas do consenso e do banco.

No segmento de refino, o Goldman Sachs comenta que a venda de produtos derivados de petróleo caiu cerca de 5% em relação ao trimestre anterior, principalmente devido à menor demanda sazonal por diesel e à maior participação de etanol no ciclo Otto no caso dos volumes de gasolina. Além disso, o fator de utilização total das instalações de refino atingiu 94% no trimestre.

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A XP aponta que os números da Petrobras vieram em linha com suas expectativas. Com isso, a corretora espera um trimestre sólido para a empresa, com Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de US$ 15,8 bilhões (+17% trimestre a trimestre), apesar dos preços mais baixos do Brent (-3% frente o 3T23) e volumes de vendas de petróleo + derivados estáveis. Segundo a XP, a previsão de aumento do Ebitda deriva das melhores margens em E&P (devido a menores custos e menores despesas de exploração em uma base T/T) e melhores crack spreads em RTC. A estimativa de Fluxo de Caixa Operacional (FCO) menos CAPEX (despesa de capital) é de US$ 9,8 bilhões e, portanto, a previsão de pagamento de dividendos mínimos é de US$ 3,9 bilhões.

A XP também espera que a Petrobras divulgue dividendos extraordinários para o ano fiscal de 2023. O cenário base está atualmente em US$ 5,5 bilhões, mas isso está sujeito à quantidade de caixa que a estatal deseja manter. Atualmente, a corretora vê a Petrobras terminando o 2T24 com caixa próximo a US$ 14 bilhões, que é a média da empresa nos últimos anos. No entanto, considerando a difícil situação fiscal do Brasil e o fato de que o plano estratégico estabeleceu US$ 8 bilhões como “caixa de referência”, a Petrobras poderia pagar ainda mais do que os US$ 5,5 bilhões que a XP suponhe, mantendo-se em total conformidade com sua governança corporativa.

Já o Morgan Stanley elevou sua previsão de dividendos extraordinários de US$ 5 bilhões para US$ 6,0 bilhões e enxerga um rendimento total de 8,1% para as distribuições no 4T23. O banco disse que continua a gostar da exposição à Petrobras durante o anúncio dos lucros de março, uma vez que vê margem para mais dividendos extraordinários, apesar da vantagem mais estreita do preço-alvo fixado em US$ 20 por ADR.

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A equipe de research do Morgan espera fortes resultados downstream devido aos preços mais elevados do diesel e a uma forte balança comercial de vendas de petróleo bruto + produtos petrolíferos. Nesse contexto, o banco projeta um fluxo de caixa (FCF) de US$ 6,2 bilhões antes dos arrendamentos (US$ 4,3 bilhões após os arrendamentos), apoiando fortes dividendos de base.

O Bradesco BBI comenta que o crescimento sequencial da produção foi mais uma vez sólido e em linha com suas estimativas, impulsionando as exportações. Com esses números, o banco que a Petrobras reporte um Ebitda de aproximadamente US$ 15 bilhões e um lucro líquido de US$ 7,5 bilhões no 4T23, mas o foco principal será nos dividendos declarados. O mercado espera dividendos variando de US$ 5 a 10 bilhões. O BBI está mais próximo do topo desta faixa, com US$ 9 bilhões, dos quais US$ 4 bilhões relativos a dividendos mínimos trimestrais e US$ 5 bilhões como pagamento extraordinário para 2023.

O Itaú BBA, por sua vez, espera que a Petrobras reporte US$ 15 bilhões em Ebitda no 4T23, impulsionado por maior produção e melhores margens de refino, o que deverá permitir um pagamento de dividendos de US$ 3,9 bilhões no trimestre, de acordo com a política de remuneração, o que implicaria um rendimento de dividendos de 3,6%.

Analistas do BBA ainda estimam, em relatório chamado “os dividendos extraordinários da Petrobras voltarão a ser a estrela do espetáculo no 4T?” que a estatal poderá pagar entre US$ 4,7 bilhões e US$ 8,5 bilhões em dividendos extraordinários no 4T23, implicando um rendimento de dividendos de 4,2% a 7,7%.

O Goldman Sachs mantém classificação de compra, com preço-alvo de R$ 45,10 para ações ordinárias e de R$ 41 para as PNs, pois continua a ver espaço para um dividendo extraordinário em 7 de março, juntamente com o relatório do 4T23. O BBI também recomendação equivalente à compra e preço-alvo de R$ 38,50. Já o Itaú BBA tem recomendação neutra e preço-alvo de R$ 38,50 para ações preferenciais da estatal.