De olho nas eleições

Petrobras (PETR4): Caminho para criação de valor patrimonial é sólido mesmo com riscos políticos, diz BBI

Com atual preço do petróleo e números de extração, estatal deve continuar gerando patrimônio mesmo nos piores cenários

Por  Vitor Azevedo -

Com a alta dos preços de combustíveis, a Petrobras (PETR3;PETR4), que sempre foi assunto em debates políticos, ganhou ainda mais participação nas falas de candidatos à presidência. A estatal vem sendo atacada por todos os lados, o que já se faz sentir no preço da ação, mas, para analistas do Bradesco BBI, mesmo que as ameaças se cumpram, a companhia pode apresentar uma constância na geração de patrimônio aos acionistas.

Na última segunda-feira (2), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atual primeiro colocado nas pesquisas eleitorais, defendeu “abrasileirar” preço de combustíveis e criticou os “dividendos bilionários” da companhia. No mesmo dia, o atual presidente da república, Jair Messias Bolsonaro, que vem em segundo colocado, falou que a Petrobras é “irresponsável” e que “gasta dinheiro do povo brasileiro”.

Todas essas falas, claro, não são positivas para como o mercado vê a empresa. Mudar a política de preços impactaria diretamente no quanto a companhia lucra e cortar dividendos tornaria a ação muito menos interessante.

Cenários para as ações de Petrobras

Os analistas do Bradesco BBI, no entanto, traçaram cenários para o futuro da Petrobras e, em todos, a companhia continua, a despeito de intervenções, a criar patrimônio.

No primeiro cenário traçado por Vicente Falanga e Gustavo Sadka nada muda e a companhia continua seguindo a política internacional de preços; no segundo, a estatal deixa o preço de seus combustíveis 15% abaixo do preço de mercado e gasta importando o combustível necessário para abastecer o Brasil; no terceiro, além do segundo cenário, a petroleira ainda volta a investir na construção de refinarias.

Em todos os três cenários, os analistas do BBI levaram em conta uma projeção de que o Brent irá assumir uma tendência decrescente, com o barril custando US$ 90 em 2023, US$ 80 em 2024 e US$ 70 em 2025.

No caso de a Petrobras continuar seguindo a política internacional de preços, a projeção é que US$ 81 bilhões sejam desbloqueados em valor patrimonial nos próximos quatro anos.

No segundo cenário, com a companhia segurando o preço da gasolina 15% abaixo do preço internacional, esse valor cairia para US$ 60 bilhões – sendo US$ 15 bilhões gastos com os subsídios, US$ 2,1 bilhões para importar toda a gasolina e diesel para abastecer o Brasil e US$ 4,5 bilhões para expansões brownfield de refino.

No pior cenário, além dos US$ 21,6 bilhões do segundo, a Petrobras ainda desembolsaria US$ 24 bilhões para iniciar a construção das refinarias Premium I e II. Neste, o FCFE cairia para US$ 36 bilhões.

“O valor patrimonial é desbloqueado em todos os cenários. O FCFE e a desalavancagem prevaleceriam”, afirmam os analistas do BBI.

“Dependendo dos resultados das eleições, acreditamos que as ações da Petrobras podem retrair entre 20% e 25%, ou valorizar aproximadamente 100%. Portanto, os riscos permanecem enviesados ​​para o lado positivo, em nossa opinião”.

Assim, o Bradesco BBI tem recomendação outperform para as ações preferenciais da Petrobras, com preço-alvo em R$ 50, upside de 56% sobre o fechamento do pregão desta terça-feira (1).

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