PETR4 em forte queda, mas PETR3 caiu ainda mais: programa de recompra vai “fechar o gap” entre as ações da Petrobras?

Analistas veem possível redução de desconto, mas destacam também o tamanho relativamente pequeno do programa de recompra de PETR4

Lara Rizério

(Shutterstock)

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A sessão pós-resultados do segundo trimestre de 2023 (2T23) foi de queda durante boa parte do dia para as ações da Petrobras (PETR3;PETR4). Porém, cabe ressaltar, as ações ordinárias (com direito a voto) registraram uma baixa bem mais expressiva do que as ações preferenciais (com preferência no pagamento de proventos).

Nesta sexta-feira (4), os papéis PETR3 caíram 4,20%, a R$ 32,88, enquanto os ativos PETR4 tiveram baixa de 2,98%, a R$ 30.

Com isso, se reduz uma distância que já tinha diminuído durante o ano, mas que ainda não havia fechado totalmente. Até a sessão da véspera, em 2023, os ativos PETR3 haviam subido 43%, enquanto os PETR4 tiveram ganhos de 50%. Contudo, apesar desse desempenho, e contando com a variação de hoje, a ação PETR3 ainda vale cerca de 9,5% a mais do que a PETR4.

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A diferença de desempenho na sessão, com uma baixa maior de PETR3, ocorre após a petroleira, em meio à mudança de sua política de distribuição do resultado a acionistas, anunciar o programa de recompra de ações apenas para os papéis preferenciais.

O número de ações a serem adquiridas é de até 157,8 milhões e o programa tem prazo máximo de 12 meses. Os recursos serão provenientes da atual Política de Remuneração aos Acionistas. “Consideramos a notícia ligeiramente positiva, considerando que apenas ações PNs serão visadas e o tamanho relativamente pequeno do programa (2,8% do total de PNs e 1,2% do total de capital)”, apontam os analistas da XP.

A quantidade de ações preferenciais de até 157,8 milhões de ações é equivalente a cerca de 3,5% do total do “free float” (ações em circulação no mercado) dos ativos PN.

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“Em junho de 2023, o capital da Petrobras era composto por um total de 13.044 milhões de ações em circulação, das quais 5,602 milhões (43%) são PNs. Portanto, estimamos que o programa possa embarcar, 2,8% do total de ações PNs em circulação e 1,2% do capital total em circulação”, avalia a XP.

Os recursos do programa virão daqueles calculados para distribuição de acordo com a política de remuneração ao acionista atualizada, que prevê a remuneração ao acionista – dividendos e recompras – com base em 45% do fluxo de caixa livre (fluxo de operações descontados os investimentos).

Ao contemplar apenas as ações PNs, o programa de recompra pode ajudar a reduzir o desconto das preferenciais em relação às ordinárias, aponta o Credit Suisse. Porém, reforça também que o programa é relativamente pequeno, com cerca de 1,2% do número total de ações e 3,5% do free float das ações preferenciais (levando a uma redução do desconto, mas sem fechar a diferença).

“Observamos também que PETR4 (ações preferenciais) são negociadas com 11% de desconto em relação a PETR3 (ações com direito a voto), o que pode explicar por que o programa visa a compra de ações preferenciais”, apontam os analistas do Goldman Sachs.

Cabe destacar que há outro ponto em questão sobre as ações que seriam alvo do programa de recompra. Na semana passada, o Morgan Stanley já havia apontado esperar que as recompras seriam pequenas no contexto das distribuições totais, dadas as janelas limitadas para a empresa executá-las.

Além disso, esperavam que elas ocorreriam apenas com ações preferenciais, dadas as possíveis sensibilidades legais em torno de uma mudança na estrutura do controle acionário. Por fim, destacou, com as ações preferenciais negociadas com desconto em relação às ações ordinárias, essa seria a melhor opção para alocação de capital.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.