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Petrobras paga R$ 246 bi em tributos em 2019; prévias operacionais de MRV e Tenda e mais destaques

Confira os destaques do noticiário corporativo na sessão desta quinta-feira (16)

Logo da Petrobras em tela de celular
(Shutterstock)
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A Petrobras divulgou na noite de ontem seu relatório fiscal de 2019 e informou que pagou R$ 246 milhões em tributos no ano passado, um aumento de 34,91% sobre 2018. A empresa aumentou o pagamento de impostos ao governo federal, mas reduziu levemente os pagamentos aos governos estaduais e municipais.

Já a construtora Tenda divulgou prévia do primeiro trimestre de 2020 e informou uma expansão de 8% nas vendas líquidas sobre o mesmo período do ano passado, para R$ 439,7 milhões. Especializada no segmento popular do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), a Tenda comentou que a epidemia do coronavírus prejudicou os lançamentos, principalmente no final de março.

Petrobras (PETR3;PETR4)

A Petrobras, maior contribuinte do Brasil – como lembrou o seu presidente, Roberto Castello Branco – divulgou na noite de ontem seu relatório fiscal de 2019. A estatal pagou em 2019 um total de R$ 246 bilhões em impostos, um crescimento de 34,91% no pagamento de tributos sobre 2018, quando pagou R$ 182,4 bilhões. O relatório fiscal inclui o pagamento de todos os tipos de impostos e taxas, incluindo royalties, às três esferas do poder executivo: União, Estados e municípios. O relatório da Petrobras mostrou que a estatal é a maior contribuinte pessoa jurídica que financia a máquina do Estado federal brasileiro.

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A empresa pagou impostos no valor de R$ 173,2 bilhões ao governo federal no ano passado, acima dos R$ 109 bilhões pagos em 2018. Já o pagamento de impostos aos governos estaduais, o que inclui o ICMS, caiu entre 2018 e 2019: de R$ 72,4 bilhões em 2018 para R$ 71,9 bilhões no ano passado. Os impostos pagos aos governos municipais também tiveram queda, de R$ 1 bilhão em 2018 para R$ 900 milhões em 2019.

“A Petrobras é o maior contribuinte do país, de longe. Se a Petrobras for dirigida de forma responsável contribui para o desenvolvimento da sociedade, porque esse montante vai financiar educação, investimento em saneamento básico, segurança pública e saúde, todos os fins que o Estado deve dar” escreveu o presidente da estatal, Roberto Castello Branco.

MRV (MRVE3)

A Construtora e incorporadora MRV publicou a prévia do primeiro trimestre de 2020 e informou vendas líquidas de R$ 1,67 bilhão no período, uma expansão de 27,9% sobre igual período de 2019. Segundo a MRV, foi “o maior volume de vendas líquidas na história da companhia”.

O número de distratos no período recuou 27,8% sobre o primeiro trimestre de 2019, para 827 unidades. Os lançamentos da MRV no primeiro trimestre deste ano caíram 1% sobre igual período do ano passado, para R$ 1,08 bilhão. A empresa informou que vendeu 10.493 unidades no primeiro trimestre de 2020, o que totalizou as vendas líquidas de R$ 1,67 bilhão.

Já os lançamentos caíram, segundo a construtora mineira, porque a MRV “possui um estoque adequado na maior parte das praças em que atua, motivo pelo qual decidiu postergar os lançamentos nestas localidades”. A MRV constatou uma instabilidade nos repasses do governo federal nos recursos para o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) até março. Isto também foi observado por outras construtoras que trabalham no segmento popular, como a Tenda.

Segundo a MRV, os repasses foram normalizados em março, mas a empresa teve que fazer uma queima de caixa de R$ 183,5 milhões no trimestre. “Felizmente, a solução para os problemas do repasse do primeiro trimestre já foi alcançada. Outro efeito negativo, segundo a MRV, foi a epidemia do coronavírus, que levou à paralisação de 20% das obras em março”.

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O banco Bradesco BBI avaliou que os resultados trimestrais da MRV foram positivos, destacando as vendas líquidas de R$ 1,67 bilhão e um crescimento de 17% na velocidade das vendas. Segundo o BBI, infelizmente o ímpeto da empresa – e do setor inteiro – foi freado pela epidemia do coronavírus em março.

“Apesar das vendas terem sido fortes no primeiro trimestre, nós esperamos volumes mais baixos no segundo trimestre porque os estandes foram fechados com o avanço da pandemia do Covid-19. Por outro lado, nós ressaltamos que o segmento de renda mais baixa pode ser o mais resiliente em períodos duros como este”, avalia o BBI. O banco manteve a nota da ação MRVE3 como Neutra, com preço-alvo de R$ 16,00 para 2020, uma alta de 19% sobre o preço dos papéis ontem na B3.

Tenda (TEND3)

A Construtora Tenda divulgou prévia do primeiro trimestre de 2020 e informou que realizou vendas líquidas de R$ 439,7 milhões no período, um aumento de 8% sobre igual trimestre do ano passado. Com o foco em empreendimentos populares do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), a Tenda realizou apenas quatro lançamentos no período, sendo dois na Região Metropolitana de São Paulo, com Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 165,6 milhões, uma queda de 57,1% sobre o primeiro trimestre de 2019. A Tenda informou que entregou 1.856 unidades no primeiro trimestre, um crescimento de 20,8% sobre igual período de 2019.

Segundo a construtora, o banco de terrenos atingiu R$ 10,56 bilhões em VGV no primeiro trimestre de 2020, uma expansão de 12,1% sobre igual período de 2019. A Tenda comentou que os lançamentos foram diretamente impactos pela epidemia do Covid-19, principalmente em março.

Os estandes de vendas foram completamente fechados e os corretores passaram a trabalhar em home office, mas as obras continuaram na maioria das cidades. “O principal desafio a superar no processo de vendas tem sido na atração de novos interessados (leads), o que pode comprometer o volume de vendas”, comentou a empresa. A Tenda também afirmou que o fechamento dos cartórios e dos serviços municipais em várias cidades, por causa da epidemia, atrapalhou os lançamentos, cuja maioria estava concentrada para acontecer no final de março.

Segundo a empresa, o fato de dois dos quatro lançamentos terem sido feitos na região metropolitana de capital paulista, aumentou tanto o preço médio dos apartamentos como alavancou as vendas brutas, que avançaram 22,1% sobre o primeiro trimestre de 2019, para R$ 540,9 milhões. Os distratos avançaram 180,9% sobre o primeiro trimestre de 2019, para R$ 101 milhões no primeiro trimestre deste ano, saltando de 8,1% sobre as vendas brutas, no primeiro trimestre de 2019, para 18,7% no primeiro trimestre deste ano.

O banco Bradesco BBI avalia que os resultados do primeiro trimestre de 2020 da construtora Tenda foram sólidos, mas os lançamentos foram prejudicados pelo coronavírus no final de março. O BBI comenta que a expansão das vendas líquidas foi um fator positivo e avalia que a Tenda, com o foco em apartamentos mais baratos, deve continuar a entregar um bom desempenho nos próximos trimestres. “A Tenda deve continuar a ganhar mercado, com o programa MCMV”, projeta o BBI, que mantém a ação com nota Outperform – acima da média de mercado, e preço-alvo de R$ 38,00 para 2020, uma alta de 71% sobre o papel negociado ontem na B3.

Duratex (DTEX3

O Bradesco BBI reavaliou o preço-alvo das ações da Duratex, uma das maiores indústrias brasileiras de pisos laminados, louças e metais sanitários, revestimentos cerâmicos e produtos para aquecimento de água (marca Hydra).

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Segundo o BBI, devido ao cenário sombrio que se abateu sobre a economia brasileira com a epidemia do coronavírus, as projeções mudaram, mas a Duratex continua avaliada como outperform – acima da média de mercado – pelo banco. “Nós ajustamos nossas estimativas para a realidade de 2020 e 2021. O segundo trimestre deste ano deve assistir a uma queda dramática nos volumes de vendas ao redor de vários segmentos, e nossa expectativa de uma recessão com curva em U implica em resultados fracos durante 2020, mas com uma forte recuperação começando no quarto trimestre”, avalia o BBI.

Como as ações da Duratex despencaram 45% em 2020, acima da média de 30% da queda do Ibovespa, o BBI avalia que agora é um momento bom de entrada. “Nosso novo preço-alvo de R$ 14,00 para a ação em 2020 ainda oferece um ‘upside’ de 55%”, comenta o BBI. O novo preço-alvo do BBI para a DTEX3 neste ano implica valorização de 53% sobre os R$ 9,15 de ontem na B3, mas aposta que a recuperação realmente ocorrerá no quarto trimestre do ano.

Light (LIGT3)

A Light, concessionária distribuidora de energia elétrica no Estado do Rio de Janeiro, informou que liquidou ontem a décima-oitava série de debêntures simples e não conversíveis que colocou à venda recentemente. A empresa levantou R$ 400 milhões na B3, que pretende usar como capital de giro. Os papéis pagarão juros pelo CDI mais 2,51% ao ano aos donos.

Raia Drogasil (RADL3

A Raia Drogasil aprovou ontem a primeira emissão de notas promissórias comerciais da empresa, no valor total de R$ 300 milhões. As notas promissórias terão prazo de resgate de 730 dias a partir da data da emissão e pagarão juros sobre os DI diários mais uma sobretaxa de 3% ao ano.

M. Dias Branco (MDIA3) – A indústria de bolachas e moageira de trigo M. Dias Branco aprovou a emissão de notas promissórias comerciais no valor de R$ 200 milhões. As notas vencerão em 180 dias e a empresa usará os recursos levantados para reforço de caixa.

Recomendações

A EcoRodovias (ECOR3) teve a recomendação reduzida a venda pelo Goldman Sachs, com preço-alvo de R$ 9,30. Já a Marfrig (MRFG3) foi elevada a compra pelo Jefferies, com preço-alvo de R$ 14.

Aéreas

O setor aéreo pode ser um dos grandes beneficiados do acordo que está sendo costurado entre o governo, bancos privados e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Essa ajuda, que deve ser de ao menos R$ 48 bilhões, segundo o jornal Folha de S.Paulo, contempla as quatro empresas de aviação do país: Azul, Gol, Latam e Passaredo. No caso, elas teriam um suporte de R$ 8 bilhões.

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Pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) com empresas do setor aéreo aponta que 81% delas estão com a capacidade de cumprir as obrigações financeiras comprometidas em algum nível, segundo o jornal O Estado de São Paulo. Dos entrevistados, 61,1% responderam que há uma redução de 80% ou mais no faturamento dos próximos 30 dias.

Devido à pandemia mundial do novo coronavírus, diversos países adotaram medidas de restrição de voos, além da queda da demanda em meio às orientações de isolamento social.

Via Varejo (VVAR3)

A Via Varejo, dona das marcas Casas Bahia e Ponto Frio, negocia a suspensão do pagamento dos aluguéis de suas lojas. O objetivo é buscar maior equilíbrio no momento em que as receitas da varejistas registram queda de 50%, segundo informou o jornal Folha de S.Paulo.

A rede possui 1.020 lojas físicas, que estão fechadas desde o final de março. A negociação de suspensão dos aluguéis está sendo feita com todos os proprietários, inclusive Michel Klein, um dos controladores da varejista. Além disso, a Via Varejo estaria negociando em grupo a suspensão dos aluguéis das lojas de shoppings centers.

As vendas de comércio eletrônico não foram paralisadas nesse período, mas não estão sendo suficientes para compensar o fechamento das lojas físicas.

BRF (BRFS3

O Bradesco BBI e a XP Investimentos comentaram a possibilidade de a BRF reduzir abates de frangos nos seus frigoríficos por causa do avanço da epidemia do coronavírus no Brasil. Essa possibilidade foi levantada pelo executivo-chefe da empresa, Lorival Luz, em entrevista ao jornal Valor. O Bradesco BBI considera remota a possibilidade de que o Covid-19 atinja o setor como ocorreu nos Estados Unidos, onde vários frigoríficos foram temporariamente fechados após a contaminação de funcionários pelo vírus.

O BBI lembra que, mesmo nos EUA, onde segue monitorando de perto a situação, a maioria das plantas deve reabrir na próxima semana. “No Brasil a indústria adotou protocolos sanitários muito rígidos bem no começo da pandemia, o que pode mitigar os riscos de os frigoríficos serem afetados por fechamentos temporários”, comenta o BBI. A ação da JBS (JBSS3) continua a “top pick” do banco, mas a da BRF (BRFS3) também possui recomendação outperform – acima da média de mercado.

Já a XP Investimentos pondera que, no Brasil, no momento existem poucos casos de funcionários contaminados pelo vírus, apenas 6 na BRF. “Segundo a empresa, os funcionários foram afastados preventivamente, ainda antes de terem o diagnóstico confirmado para o Covid-19. Seguimos monitorando de perto a situação do abastecimento e mantemos nossa recomendação de compra para a BRF”, destaca a XP.

Centauro (CNTO3)

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o presidente do Conselho de Administração da Centauro, Sebastião Bonfim, informou que a varejistas de materiais esportivos está negociando a postergação dos pagamentos com fornecedores.

A empresa também suspendeu os investimentos previstos nas lojas físicas. Serão mantidos apenas os esforços de expansão para a plataforma de comércio eletrônico, que tem compensado parcialmente o fechamento das lojas.

São Martinho (SMTO3)

O Bradesco BBI comentou a pressão dos usineiros brasileiros e das entidades representativas do setor sucroenergético por mais apoio às usinas de álcool e cana-de-açúcar. Entre as medidas, os usineiros querem que o governo aumente a Cide, uma taxa sobre os combustíveis paga pelo consumidor, de R$ 0,10 por litro para R$ 0,50 por litro. Os usineiros também querem a suspensão temporária, pelo governo, da cobrança do PIS e da Cofins sobre o setor alcooleiro.

O BBI avalia que, mesmo se essas medidas forem implementadas, não afetarão suas análises sobre a São Martinho e o setor como um todo. “A indústria do etanol mostrava sinais de excesso da oferta em março, um problema que achamos que pode se agravar se houver aumento de preços por causa de um aumento na Cide. Nos preocupa que as usinas aumentem a produção do açúcar na safra que começa agora, o que impediria uma recuperação nos preços do açúcar, um fator importante para o preço da ação da São Martinho, na nossa visão”, avalia o BBI.

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(Com Agência Estado e Bloomberg)