Destaques da Bolsa

Petrobras dispara 3% com BofA, Macquarie e petróleo; small cap salta 8% e só 9 ações caem no Ibovespa

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta quinta-feira

SÃO PAULO – O Ibovespa subiu nesta quinta-feira (15) de olho nas bolsas internacionais, que mostravam euforia após dados da economia dos Estados Unidos mostrarem que a recuperação da atividade está mais lenta, jogando para frente apostas em nova alta de juros por lá. A manutenção da taxa de juros nos EUA favorece os ativos de risco. 

No índice, as ações de peso da Petrobras apareceram entre as maiores altas, após ter sua recomendação e preço-alvo elevados. Os papéis também foram puxada pela alta dos preços do petróleo no mercado internacional. 

Na ponta oposta, as maiores quedas do dia estavam com as ações das empresas exportadoras. Os papéis foram pressionados pelo movimento do câmbio. O dólar comercial fechou em queda de 1,23%, a R$ 3,3004 na compra e R$ 3,3017 na venda. 

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Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão:

Petrobras (PETR3, R$ 15,29, +2,34%; PETR4, R$ 13,51, +3,05%) 
As ações da Petrobras fecharam em forte alta entre preços do petróleo, elevação de recomendação pelo Macquarie e revisão de preço-alvo pelo Bank of America. Lá fora, o contrato de petróleo Brent subiu 1,29%, a US$ 46,44 o barril, enquanto o WTI avançou 0,60%, a US$ 443,84 o barril. 

Hoje, o Bank of America elevou o preço-alvo das ações ordinárias e preferenciais da companhia de R$ 16,20 para R$ 18,50 e R$ 17,50 para R$ 20,00, respectivamente. A recomendação de neutra foi reiterada pelo banco. Já o banco de investimentos Macquarie elevou a recomendação do ADR (American Depositary Receipt) da Petrobras de underperform (desempenho abaixo da média do mercado) para neutra, com preço-alvo sendo elevado de US$ 3,90 para US$ 9,70. 

Ainda no radar da estatal, a Petrobras prestou esclarecimentos sobre a venda da Petrobras Argentina. A empresa informou que a venda “foi conduzida através de processo competitivo e o valor da transação foi avaliado por duas instituições financeiras, que consideraram a oferta justa para a Petrobras (fairness opinion), e por uma terceira, que confirmou que o preço era adequado (valuation report)”.

O Comunicado foi enviado em resposta à Comisión Nacional de Valores (CNV), órgão regulador do mercado de capitais argentino, que pediu informações sobre notícia de 9 de setembro do site informativo argentino Urgente 24, sob o título “Ação no Brasil para revisar a venda da Petrobras Argentina”. A Petrobras disse que não foi citada na ação popular mencionada na reportagem e que teria sido proposta na Justiça Federal para tentar anular a venda dos ativos da Petrobras na Argentina mencionada na reportagem. A estatal “atuará firmemente na defesa de seus direitos”, informou.

Elétricas
O Santander fez um relatório apontando as ações do setor elétrico que podem ser beneficiadas pelo pacote de concessões anunciado na terça-feira pelo governo de Michel Temer. Para os analistas Maria Carolina Carneiro, André Sampaio e Thiago Silva, do banco, há oportunidades de crescimento para Equatorial (EQTL3, R$ 50,40, +1,82%), Energisa (ENGI11, R$ 21,00, +1,20%), AES Tietê (TIET11, R$ 16,19, -0,25%) e Engie (EGIE3, R$ 39,14, +0,59%), antiga Tractebel, enquanto citam que o anúncio deve ajudar a Eletrobras a reduzir pressões negativas em seu balanço. “Acreditamos que alguns investidores podem ter sido desapontados, com alguns leilões podendo ocorrer somente no primeiro semestre de 2018, mas pensamos que esse é um cenário mais realista para venda de ativos”, disseram. 

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Exportadoras 
As ações das empresas de papel e celulose caíram em dia de desvalorização do dólar frente ao real. Com exceção da Suzano, que registrou ligeira alta de 0,19%, Fibria (FIBR3, R$ 23,70, -1,00%) e Klabin (KLBN11, R$ 16,78, -0,94%) encerraram o pregão entre as poucas quedas do Ibovespa. No índice, apenas 9 das 58 ações caíram nesta sessão.  

Minerva (BEEF3, R$ 9,75, +1,67%)
A Minerva começou a exportar carne bovina in natura para os Estados Unidos. Ainda que a cota represente cerca de 5% a 6% do volume exportado pelo Brasil (isso se for totalmente preenchida), deve ter efeito no preço e, portanto, na margem, importante ao longo do tempo, comentaram os analistas do BTG Pactual. Eles citam que o mercado americano de carnes tem preços que chegam a ser até 30% maiores do que mercados tradicionalmente compradores de carne do Brasil. Segundo os analistas, a notícia é boa para a companhia, mas já dentro do esperado. 

BRF (BRFS3, R$ 53,20, -0,21%) 
A BRF aceitou US$ 86,4 milhões em recompra de notes para 2020 e 2022. A empresa aceitou, por meio da sua subsidiária BFF International Limited, US$ 32,2 milhões do valor principal em aberto de US$ 118,3 mi das notes para 2020, disse a BRF em comunicado à CVM. Dos US$ 172,9 milhões em aberto para 2022, foram aceitos US$ 54,2 milhões.

Vale e siderúrgicas
As ações da Vale (VALE3, R$ 16,85, +1,32%; VALE5, R$ 14,31, +1,27%) próximas da estabilidade, após alta de até 2% hoje. Já os papéis da holding Bradespar (BRAP4, R$ 9,79, -0,31%) – que detém participação na Vale – encerrou o pregão em queda. Ontem, eles dispararam 3,7%. O movimento seguiu os preços do minério de ferro. A commodity cotada no Porto de Qingdao, na China, encerrou a sessão estável, a US$ 55,97 a tonelada. 

Já as siderúrgicas tiveram dia misto, com Gerdau (GGBR4, R$ 8,71, -0,34%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 3,84, +1,86%), CSN (CSNA3, R$ 8,27, +0,12%) e Usiminas (USIM5, R$ 3,55, -0,56%). No radar da Gerdau, os analistas do BTG divulgaram um relatório sobre a empresa. Eles estiveram em uma visita na planta de chapas grossas da companhia em Ouro Branco, Minas Gerais. “Mais relevante que os aspectos técnicos é destacar que essa planta marca a entrada da companhia em um novo mercado, mais voltado à indústria naval”, comentaram. Segundo eles, o projeto permite a empresa entrar gradualmente em um mercado dominado por um player, anteriormente. Apesar da demanda em chapas grossas estar em ciclo de baixa no Brasil, eles veem oportunidades de longo prazo, com a demanda estabilizando, menor estrutura de custo e qualidade superior do produto, o que permitiria ganhos de participação à frente. Eles reiteraram o papel como top pick no setor. 

Já sobre a Vale, a mineradora fechou acordo para retomar projeto de potássio na Argentina. O anúncio foi feito nesta quarta-feira durante fórum de investimentos em Buenos Aires.

O projeto Rio Colorado na província de Mendonza estava paralisado desde 2013. O projeto contempla desenvolvimento para produção de 1,4 milhão de toneladas por ano. Argentina, Mendonza e Vale concordaram em buscar investidores para assumir o projeto nos próximo anos.

Por fim, destaque para uma notícia da Folha de S. Paulo sobre a Samarco, joint venture entre a Vale a BHP Billiton. O jornal informa que a barragem de Fundão, epicentro da tragédia de Mariana (MG) em 2015, começou a receber lama da Samarco seis meses antes do início oficial de sua operação.

Isso ocorreu em dezembro de 2008, quando a barragem ainda não estava pronta e faltavam alguns componentes essenciais para o uso. Segundo informa o jornal, a utilização antecipada do local foi feita porque a Samarco enfrentou problemas no reservatório vizinho, Germano, mas não era aconselhada pelos consultores da empresa. À época, Fundão apresentava deficiência crítica no sistema de drenagem.

Energias do Brasil e Telefônica Brasil
A Energias do Brasil (ENBR3, R$ 14,34, +2,58%) e a Telefônica Brasil (VIVT4, R$ 47,42, +2,75%) entraram em ‘Buy List’ do Itaú BBA. As companhias substituem BB Seguridade e Ultrapar, que foram removidas da “Brazil Buy List”, segundo relatório.

A Energias do Brasil é adicionada devido a seu “atrativo múltiplo enm relação a seus pares privados”, “balanço confortável (dívida líquida/Ebitda de 2,4 vezes para fim de 2016)” e “potencial de crescimento de lucros”.

Já a avaliação da Telefônica Brasil tem como base o “posicionamento de mercado premium”, potencial de retorno total de 24% e “potencial de liberar valor a partir do leque de alternativas relacionadas à regulamentação do serviço fixo-voz”. A BB Seguridade e Ultrapar deixam lista após ganhos respectivos de 38,2% e 27,4% desde a inclusão das ações à lista, segundo o relatório. Outras ações que integram a lista: Banco do Brasil, Bradesco, CPFL Energia, Petrobras, Randon, Rumo, Smiles e São Martinho. “Desde a sua criação, em agosto de 2014, nossa Brazil Buy List se valorizou 28,6%, superando o desempenho do Ibovespa em 33,8%. Até agora, em 2016, nossa carteira teve um desempenho positivo de 39,5%, enquanto o Ibovespa se valorizou em 30,2%”.

Linx (LINX3, R$ 18,25, +7,99%)
As ações da dispararam seguindo o pregão da véspera, quando os papéis subiram 1,87%. No radar da companhia, o conselho de administração da Linx aprovou a realização de oferta com esforços restritos de colocação de 24 milhões de ações no mercado. Levando em conta a cotação de fechamento de ontem (R$ 16,59), o montante total da oferta seria algo próximo a R$ 400 milhões. O valor por ação, no entanto, será fixado através do procedimento de bookbuilding que, segundo cronograma apresentado, deverá ser concluído em 26 de setembro.

Segundo comunicado da empresa enviado ao mercado, esses recursos captados servirão para novas aquisições de empresas, seguindo a estratégia de consolidação do mercado de software para o varejo executada pela Linx.

No âmbito da oferta restrita, a emissão de ações será realizada sem o direito de preferência dos acionistas posicionados ao fim do pregão de 14 de setembro (quando a empresa comunicou ao mercado), mas somente com o direito de prioridade em subscrever proporcionalmente a sua participação dentro do limite estabelecido. Na prática, cada ação detida pelo acionista dará direito a subscrever 0,16996277 ação nesta oferta. 

Fleury (FLRY3, R$ 37,70, -4,99%) 
As ações da Fleury tiveram a recomendação rebaixada pelo JPMorgan de overweight para neutra.