Direto da Bolsa

Petrobras cai mais de 2% e Souza Cruz sobe com “apetite” do BofA; veja mais

Além delas, chama a atenção os papéis da CCR, após a companhia obter liminar para reajuste do preço da gasolina

Por  Paula Barra

SÃO PAULO – Em uma terça-feira (12) de instabilidade para o Ibovespa, o destaque desta sessão fica com a queda nas ações da Petrobras (PETR3, R$ 18,44, -1,76%; PETR4, R$ 19,66, -2,38%) – uma das maiores do índice. No radar da estatal, segue o resultado do segundo trimestre (divulgado na noite de sexta-feira e que refletiu no pregão de ontem), expectativa de reajuste dos preços dos combustíveis, assim como o noticiário político.

Entre dados operacionais e balanços do segundo trimestre, chama a atenção do mercado a alta de 53,6% no lucro líquido do BB Seguridade (BBSE3, R$ 33,47, +1,61%) e que repercutem positivamente nos papéis da empresa. Já a CCR (CCRO3, R$ 18,04, +2,73%), vê suas ações serem impulsionados após a empresa obter a liminar para reajustar o preço do pedágio. Na ponta do Ibovespa, os papéis da Souza Cruz (CRUZ3, R$ 20,62, +3,10%) lideram os ganhos.

Liderando a queda do índice, Energias do Brasil (ENBR3) aparece com queda de 4,58%, a R$ 10,84, seguida por Petrobras e Marfrig (MRFG3, R$ 6,72, -2,33%).

Fora do índice, as ações da Direct To Company (DTCY3, R$ 0,66, +4,76%) que voltaram a disparar hoje (atingindo alta de 41% na máxima do dia) e acumulando nos últimos três dias valorização de 66%, apesar da companhia não ter divulgado nenhum fato relevante ou comunicado ao mercado. Os papéis, no entanto, amenizaram os ganhos nesta tarde e passam a subir cerca de 5%.

Confira os destaques deste pregão:
 
Petrobras (PETR3, R$ 18,44, -1,76%; PETR4, R$ 19,66, -2,38%)
Depois de mirar alta de quase 1% durante o pregão, as ações da Petrobras viraram para queda novamente. No radar da empresa, resultado do segundo trimestre (divulgado na noite de sexta-feira e que refletiu no pregão de ontem), expectativa de reajuste dos preços dos combustíveis, assim como o noticiário político. Segundo uma fonte do governo próxima do núcleo do Executivo à Reuters na véspera, é esperado que um reajuste de 5,5% a 6% ocorra após as eleições presidenciais. Em teleconferência ontem, Almir Barbassa, diretor financeiro da empresa, afirmou que a Petrobras está rumando para reajustar os preços dos seus combustíveis.

Segundo a Guide Investimentos, tudo indica que as expectativas do mercado de reajuste serão realizadas após as eleições, mas ressalta que o evento já está sendo amplamente aguardado. “Qual será o foco agora? Aumento de produção ou eleição”, questiona a corretora. Vale lembrar também que o mercado aguarda a divulgação de duas pesquisas de intenções de votos – Sensus/IstoÉ e Ibope – que podem sair a partir desta terça-feira.

Direct to Company (DTCY3, R$ 0,66, +4,76%)
As ações da Direct to Company voltam a disparar hoje e acumulam nos últimos três dias valorização de quase 60%. Sobre a companhia, no entanto, nenhum fato relevante ou comunicado ao mercado foi feito pela Direct to Company na CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Procurado pelo InfoMoney na véspera, o departamento de relações com investidores da empresa disse desconhecer o motivo da alta.

Vale lembrar que a última vez que o papel ganhou holofote do mercado foi em junho, quando subiu em apenas um pregão 124%. Considerando o desempenho do fechamento do dia 11 de junho até 20 de junho (ou seja, em três pregões, lembrando que o papel não foi negociado alguns dias), a alta foi de impressionantes 196%. Na ocasião, a disparada, no entanto, não surgiu do nada. A companhia anunciou via fato relevante um projeto piloto voltado ao setor de saúde, denominado UNIPRÓ Saúde, que tem como objetivo a venda de cursos especializados aos profissionais da área, através de plataformas e-commerce.

Triunfo (TPIS3, R$ 6,40, +0,63%)
A concessionária de infraestrutura informou que o tráfego total em rodovias por ela administradas avançou 4,1% nos sete primeiros meses do ano, a 51,1 milhões de veículos equivalentes, ante o mesmo período de 2013.

No aeroporto de Viracopos, administrado por concessionária da qual a Triunfo faz parte, o tráfego total de passageiros subiu 5,6% de janeiro a julho, enquanto o total de carga movimentada medido em toneladas caiu 10%.

Ecorodovias (ECOR3, R$ 13,75, -0,15%)
A Ecorodovias informou nesta terça-feira que sua controlada Concessionária Ecovias dos Imigrantes obteve liminar na Justiça que permite a aplicação do índice de reajuste às tarifas de pedágio previsto em contrato de concessão.

O índice passa a vigorar em 13 de agosto. “A ação judicial proposta pela Ecovias dos Imigrantes prossegue seu curso para julgamento do mérito da discussão”, afirmou a companhia. Na segunda-feira, a CCR anunciou que suas concessionárias ViaOeste e SPVias também obtiveram liminares que reconhecem direito à aplicação de reajuste de pedágios previsto em contrato de concessão.

As concessionárias de rodovias que atuam no Estado de São Paulo criticaram decisão do governo paulista sobre reajuste de tarifas abaixo da inflação anunciado no final de junho. No caso da Ecovias, o reajuste contratual era de 7,83% e o aprovado para aplicação foi de 4,58%, segundo divulgado pela agência reguladora Artesp em 27 de junho.

ALL (ALLL3, R$ 8,54, -1,27%)
A ALL aparece entre as maiores quedas do Ibovespa nesta manhã. A Ipiranga, do grupo Ultra, entrou com pedido de isonomia no Cade (Conselho de Administração de Defesa Econômica) no processo que envolve a incorporação da ALL pela Rumo, do grupo Cosan, de acordo com fontes ouvidas pelo jornal Valor Econômico. 

CCR (CCRO3, R$ 17,96,+2,38%)
A companhia teve lucro líquido de R$ 275,8 milhões no segundo trimestre, queda de 9,4% na comparação anual, enquanto a receita líquida ajustada subiu 4,5%, para R$ 1,5 bilhão.

Segundo a equipe de análise da XP Investimentos, o resultado foi fraco em termos de crescimento de receita. “O segmento de Concessões rodoviárias já apresenta impactos negativos do menor fluxo de pesados, frente ao cenário de desaceleração econômica que o país enfrenta. Isso fez com que o ritmo de crescimento de receitas da companhia caísse do patamar de 10% para menos que 5% de aumento na comparação anual”, comentaram os analistas.

Além disso, a CCR informou na segunda-feira que suas concessionárias ViaOeste e SPVias obtiveram liminares que reconhecem direito à aplicação de reajuste de pedágios previsto em contrato de concessão a partir de 13 de agosto. O reajuste contratual previsto para as duas concessionárias era de 7,83%. Para a SPVias, o percentual de reajuste concedido foi de 5,26%, enquanto para a ViaOeste foi de 6,14%.

Itaúsa (ITSA4, R$ 9,64, +0,21%) 
A holding teve lucro líquido consolidado de R$ 1,794 bilhão no segundo trimestre, avanço de 51,5% sobre o mesmo período do ano anterior, informou a holding que controla o banco Itaú Unibanco, nesta terça-feira.

O lucro líquido individual, que não considera o lucro atribuível a acionistas não controladores, ficou em R$ 1,757 bilhão, avanço de 57,6% na mesma base de comparação. 

A Itaúsa, que também controla Duratex, Elekeiroz e Itautec, encerrou junho com patrimônio líquido consolidado de R$ 38,493 bilhões de reais, contra R$ 34 bilhões um ano antes.

BB Seguridade (BBSE3, R$ 33,47+1,61%)
A companhia teve lucro líquido de R$ 845,5 milhões entre abril e junho, ante expectativa média de analistas de resultado positivo de R$ 726 milhões.

Segundo a equipe de análise da XP Investimentos, o desempenho apresentado pode ser considerado positivo e relevante. “Vale ressaltar que o ritmo de crescimento do grupo não deve se manter neste patamar”, ressaltou a corretora. Além disso, o conselho de administração da companhia aprovou ainda a distribuição de R$ 1,195 bilhão em dividendos, a serem pagos ainda neste mês.

A empresa afirmou que apresentou receitas recordes em todos os segmentos de negócio no primeiro semestre, com destaque para as contribuições em planos de previdência privada e de seguros de vida, habitacional e rural. A receita líquida do trimestre somou 1,156 bilhão de reais, alta de 46,2 por cento sobre o faturamento obtido um ano antes. Enquanto isso, as despesas subiram 9,5 por cento, a cerca de 130 milhões de reais.

Abril Educação (ABRE11, R$ 37,45, +1,90%)
A companhia voltada à educação básica e pré-universitária, ampliou seu prejuízo líquido para R$ 37 milhões no segundo trimestre, ante resultado negativo de R$ 8,2 milhões um ano antes. A receita líquida entre abril e junho totalizou R$ 209,4 milhões, um crescimento de 27% sobre o mesmo período do ano passado.

Eletropaulo (ELPL4, R$ 10,26, -1,82%)
A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) julga nesta terça-feira recurso da companhia contra a decisão da agência para que ela devolva R$ 626 milhões a consumidores, em reunião semanal que teve início às 9h (horário de Brasília). 

Anima (ANIM3, R$ 27,42, +2,70%)
A companhia mostrou um crescimento de 305,4% no lucro líquido neste segundo trimestre, em relação ao mesmo período do ano anterior. De abril a junho, a empresa reportou um lucro de R$ 30 milhões, ante R$ 7,4 no trimestre anterior. Segundo a equipe de análise da XP Investimentos, a companhia manteve um bom patamar de crescimento, com ganho de margem acima do esperado. 

No trimestre, a receita líquida da Anima foi de R$ 141 milhões, crescimento de 27,1%, com relação ao mesmo período do ano anterior. Já o Ebitda ajustado foi de R$ 25,7 milhões, com uma margem de 18,2%.

Souza Cruz (CRUZ3, R$ 20,62, +3,10%)
As ações da Souza Cruz lideram os ganhos do Ibovespa nesta terça-feira. O movimento de alta nos papéis da empresa se intensificou a partir das 11h30 (Horário de Brasília), com um aumento da pressão comprada de banco internacionais – em especial o Merrill Lynch.

Normalmente, as corretoras de grandes bancos internacionais são utilizadas em sua maioria por investidores estrangeiros, qualificados ou fundos de investimento, o que pode indicar algum grande “player” do mercado aproveitando a grande queda recente nos papéis para compra-los. Vale mencionar que desde o final de junho até ontem, as ações da companhia acumulam queda de 14% e alcançaram o menor patamar desde 10 março.

(Com Reuters)

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