FIQUE DE OLHO

Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta segunda-feira

Ataques à produção de petróleo na Arábia Saudita e fracos dados industriais na China trazem apreensão à abertura dos mercados 

(Divulgação)

SÃO PAULO – Após encerrar a semana passada com alta de 0,55%, aos 103.501 pontos, o Ibovespa começa a semana pressionado pelo ataque à unidade da petroleira da Saudi Aramco, na Arábia Saudita, por um drone, no final de semana, o que deve gerar uma perda na produção de cerca de 5,7 milhões de barris por dia de petróleo (bpd), montante equivalente a aproximadamente 5% da produção mundial do óleo bruto.

O ataque levou os preços do petróleo a dispararem 13% na abertura dos mercados nesta segunda-feira e saltando até 19% na Ásia, na maior alta intradiária da história. A estatal de petróleo da Arábia Saudita, porém, espera restaurar até amanhã (16) cerca de um terço da produção interrompida devido ao ataque, disseram autoridades sauditas. “Acredito que vamos ter a retomada na produção de 2 milhões de barris”, disse uma pessoa familiarizada com o assunto.

Para conter os efeitos do desabastecimento global de combustível, a Arábia Saudita pretende utilizar parte dos seus estoques e compensar o processamento com outras unidades não atingidas. Já o presidente Donald Trump informou no domingo que autorizou a liberação de reservas estratégicas dos EUA para manter a oferta da commodity.

Ainda no exterior, o crescimento da produção industrial e das vendas do varejo da China em agosto decepcionaram e vieram abaixo das expectativas. A produção industrial teve seu menor ritmo de expansão em mais de 17 anos, com alta de 4,4% na comparação com o ano anterior. Já as vendas do varejo subiram 7,5%, abaixo das projeções do mercado de ganho de 7,9%.

Confira os destaques desta segunda-feira

1. Bolsas Internacionais

Os futuros de Nova York operam em baixa nesta manhã, indicando uma abertura negativa dos negócios, no primeiro declínio em nove dias do Dow Jones. A queda reflete os ataques, por meio de drones, à petroleira da Saudi Aramco, na Arábia Saudita, no final de semana.

À CNBC, o estrategista de commodities Bob Ryan, da BCA Research, “este é o maior choque de oferta de todos os tempos”. “O mercado pode apertar significativamente se a interrupção chegar de fato a semanas, ao invés de dias”, acrescentou.

O CEO da Aramco, Amin Nasser, disse que está em andamento um trabalho para restaurar a produção. A empresa emitirá uma atualização de progresso na próxima terça (17). No entanto, levará semanas para que a empresa retome a capacidade total de produção nas instalações danificadas, de acordo com pessoas familiarizadas com as estimativas de danos na Arábia Saudita.

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“É definitivamente pior do que esperávamos nas primeiras horas após o ataque, mas estamos nos certificando de que o mercado não sofra escassez até estarmos totalmente on-line”, disse uma autoridade saudita.

O secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), Mohammad Barkindo, disse que a Arábia Saudita conteve a situação até o momento, após sofrer no fim de semana ataques com drones que comprometeram cerca de metade de sua produção de petróleo, e dispõe de “amplos estoques”.

Em entrevista à TV Bloomberg, Barkindo afirmou também que o foco agora da Opep+, que reúne o cartel e outros grandes produtores como a Rússia, é garantir a segurança da oferta. Ele ressaltou, contudo, que o grupo não tem planos de convocar uma reunião de emergência, embora esteja monitorando o assunto de perto.

Barkindo disse ainda que não há pânico nos mercados e o que o salto nos preços do petróleo, que chegou a quase 20%, foi apenas uma reação inicial.

Na Ásia, com Tóquio fechada, os mercados da China e de Hong Kong fecharam em queda. O ritmo de crescimento da produção industrial chinesa foi o menor em mais de 17 anos, com alta de 4,4% em agosto – abaixo da previsão de analistas consultados pela Reuters, que era de alta de 5,2%.

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Já as vendas do varejo subiram 7,5%, abaixo das projeções do mercado, de alta de 7,9%, e ligeiramente abaixo do crescimento do mês anterior, de 7,6%, ambos na comparação anual.

O primeiro-ministro da China, Li Keqiang, afirmou no domingo, que será “muito difícil” que a China mantenha um ritmo de crescimento de 6,0% ao ano nas atuais condições da economia global. A meta chinesa para este ano é crescer entre 6,0% e 6,5%. No segundo trimestre, o PIB do país cresceu 6,2%, no ritmo mais lento em 27 anos.

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“Para a China manter um crescimento de 6% ou mais é muito difícil, em meio à situação internacional complicada e a uma base relativamente alta”, disse Li em uma entrevista à impressa russa que foi reproduzida pelo site oficial do governo chinês. “Essa taxa (6,0%) está no topo das economias líderes do mundo.”

Na Europa, as bolsas operam em queda generalizada, após os ataques à produção de petróleo saudita e dados mais fracos da China.

Além disso, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, reiterou neste domingo que os próximos dias serão fundamentais para garantir um acordo com o Brexit enquanto ele se prepara para se encontrar com líderes europeus.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h17 (horário de Brasília):

S&P 500 Futuro (EUA), -0,42%
Nasdaq Futuro (EUA), -0,68%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,39%

DAX (Alemanha), -0,72%
FTSE (Reino Unido), -0,22%
CAC-40 (França), -0,72%
FTSE MIB (Itália), -1,20%

Hang Seng (Hong Kong), -0,83% (fechado)
Xangai (China), -0,02% (fechado)
*Nikkei (Japão), (fechado por feriado)

Petróleo WTI, +8,64%, a US$ 59,54 o barril
Petróleo Brent, +8,77%, a US$ 65,57 o barril
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian subiam 0,45%, cotados a 670,50 iuanes, equivalentes a US$ 94,92 (nas últimas 24 horas).

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*Bitcoin, US$ 10.364, +0,06%
R$ 42.245, +0,29% (nas últimas 24 horas)

2. Agenda Econômica

No Brasil, a FGV informa, às 8h00, o Índice Geral de Preços (IGP-10) e o Índice de Preços ao Consumir Semanal (IPC-S). Às 8h25, o Banco Central informa o Boletim Focus com as atualizações das expectativas do mercado para os principais indicadores macroeconômicos. À tarde, saem os dados semanais da balança comercial.

Na sexta-feira, o Itaú Unibanco reduziu suas projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 3,6% para 3,4% este ano e de 3,6% para 3,5% no ano que vem,

Para o Itaú, a expectativa para expansão do PIB se mantém em alta de 0,8% em 2019 e de 1,7% em 2020, com mais flexibilização monetária à frente. A instituição financeira prevê que o Copom reduza a taxa Selic para 5,50% ao ano em setembro,

Nos Estados Unidos, o destaque fica por conta da publicação do índice de atividade industrial Empire State de setembro, pelo Fed NY.

3. Noticiário Político

O presidente da República, Jair Bolsonaro, segue internado no Hospital Vila Nova Star, na capital paulista, ingerindo comida cremosa, com boa aceitação, de acordo com boletim médico divulgado no domingo. Segundo o informe, o presidente está sem febre e sem dor, com melhoria progressiva do quadro geral e dos movimentos intestinais. Bolsonaro continua fazendo fisioterapia respiratória, motora e caminhando frequentemente pelo corredor.

O porta-voz da Presidência, Otavio Rêgo Barros, porém, evitou dar uma data para a saída do presidente do hospital. “A previsão de alta estará associada ao quadro clínico que vem evoluindo muito bem, então há expectativa. Não gostaria de adiantar uma data mas estamos esperançosos que seja num prazo curto. A dieta pastosa pode ser um parâmetro para a alta”, disse Rêgo Barros.

Pelo Twitter, no domingo, Bolsonaro informou sobre um conjunto de medidas anunciadas na última semana pela sua administração. Elencou, entre as realizações, o saque imediato do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), a ampliação de mercados de carne e leite no exterior, a medida provisória (MP) que prevê a criação da carteira estudantil digital e a Semana do Brasil, quando varejistas promoveram descontos nas vendas de produtos.

No governo, um progressivo aumento da influência de líderes e parlamentares evangélicos vem marcando os rumos da administração Bolsonaro, destaca o jornal O Estado de S.Paulo. O movimento, nos últimos meses, coincide com a queda da popularidade do presidente, apontada pelas pesquisas, e o esvaziamento do núcleo militar.

A influência dos evangélicos passa por temas na economia, política externa, saúde, educação e comunicação, se sobrepondo à “pauta de costumes”. Levantamento do Estadão constatou que, desde abril, o presidente abriu mais espaço na sua agenda para encontro com os evangélicos. Isso coincide com as críticas do deputado e pastor Marco Feliciano, em março, pelo Twitter, da “péssima” comunicação do governo.

Já o jornal O Globo destaca que os evangélicos devem chegar a 40% da população até 2032, ante os 30% atuais. Segundo a publicação, embora a bancada de deputados evangélicos tenha se multiplicado, esse eleitorado se divide na hora do voto. Tentativa de censura, como a recentemente praticadas pelo prefeito do Rio, Marcelo Crivella, e pelo governador de São Paulo, João Doria, são um aceno a esse grupo.

O Estadão aponta que o governo Bolsonaro, que não conta com uma base de sustentação no Congresso, decidiu condicionar a liberação de verbas para emendas parlamentares e a distribuição de cargos nos Estados ao apoio em projetos de seu interesse. O Planalto monitora ainda publicações nas redes sociais e discursos de congressistas.

Ainda na política, a Coluna do Estadão pontua que, na companha mais antecipada desde a redemocratização, cresceu a percepção entre políticos e analistas de que Ciro Gomes (PDT) vem se destacando no discurso de defesa da democracia, radicalizado por declarações do clã Bolsonaro, ao mesmo tempo em que se coloca com mais uma vítima do “fanatismo” petista.

4. Noticiário Econômico

A Caixa Econômica Federal registrou cerca de 12 milhões de transações no primeiro sábado após a liberação do pagamento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O número, que considera os canais de atendimento da instituição, incluindo lotéricas, autoatendimento e telesserviço é 80% maior que o registrado em sábados comuns, conforme o banco estatal.

Na sexta-feira, o banco público creditou R$ 4,97 bilhões nas contas de mais de 12 milhões trabalhadores com conta na instituição e, por isso, não precisarão solicitar os saques.

O economista Felipe Salto, da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, alertou em entrevista ao Estadão que a reforma tributária conta com “altíssimo risco de dar errada” se o ministro da Economia Paulo Guedes não assumir o comando. Segundo ele, falta liderança do Executivo em relação à reforma, sobretudo em meio ao andamento de duas propostas simultaneamente na Câmara e no Senado.

A Coluna do Estadão pontua que a Câmara e o Senado disputam a paternidade da reforma tributária, enquanto o governo patina. Segundo a publicação, há um mês os presidentes das duas casas do Congresso, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, conversaram para chegar a um acordo parecido ao alcançado com a reforma da Previdência, ao menos em torno dos pontos principais, mas sem sucesso.

Ainda sobre a saída de Marcos Cintra da chefia da secretaria da Receita Federal, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que aceitou a demissão para acabar com especulações da imprensa sobre o retorno da CPMF e para resguardar o presidente Jair Bolsonaro, em fase de recuperação após cirurgia.

O ministro argumentou que “num momento particularmente frágil”, Bolsonaro ligou do hospital, onde está internado e manifestou contrariedade com notícias sobre o retorno do imposto. Guedes disse que a equipe econômica estava apenas fazendo simulações e que não há um desenho fechado da nova tributação.

“Não foi o presidente que pediu a cabeça (de Cintra). As versões são que o presidente exigiu. O presidente não exigiu nada. Eu mesmo me antecipei e falei com o Cintra que nós combinamos que não era para falar nisso (novo imposto). E ele respondeu que o secretário é que detalhou o estudo”, disse Guedes em coletiva com correspondentes internacionais na sexta-feira.

Guedes destacou ainda que criará um sistema para acelerar as privatizações no ano que vem, um “fast track”. A meta de desestatização para este ano, de R$ 80 bilhões, já foi praticamente alcançada. As grandes vendas, porém, são esperadas para o ano que vem.

O ministro da Economia criticou as cobranças ao governo Jair Bolsonaro em relação a uma retomada imediata, após anos de “crescimento perdido” e disse ver um cenário mais favorável para 2020.

“Nunca falei que a economia ia crescer este ano”, disse, buscando, porém, passar uma visão otimista sobre a economia em 2020. “Acho que tem uma boa chance de o País se mover bem no ano que vem. 2,5%? 1,0%? 1,5%? Não sei. Já no segundo semestre vamos estar melhores do que no primeiro semestre”, afirmou.

Por fim, em entrevista ao jornal O Globo, o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, afirmou que, após a investigação de empréstimos concedidos para obras em Cuba e Venezuela, o banco se prepara para retomar a linha de crédito à exportação de serviços, suspensa há três anos. Entretanto, o foco serão os setores de defesa e softwares.

5. Noticiário Corporativo

O jornal O Globo trouxe que o governo pretende mudar o regime de exploração de áreas do pré-sal, atualmente leiloadas apenas no regime de partilha, apoiando o projeto do senador José Serra (PSDB-SP), onde a Petrobras perde o direito de exercer preferência por blocos a cada leilão na área. Segundo a publicação, a ideia é que se possa usar também o modelo de concessão, o que tem potencial para aumentar a arrecadação federal no curto prazo, com impacto positivo sobre as contas públicas.

A Petrobras informou que iniciou a etapa de divulgação da oportunidade de desinvestimento referente à venda da totalidade de suas participações em duas concessões terrestres, incluindo instalações de escoamento, denominadas Polo Cupiúba e Carapanaúba, localizadas no estado do Amazonas. Eles compreendem duas concessões terrestres, com instalações integradas, com produção média, em 2018, de cerca de 81 bpd de óleo e 82 mil m3/dia de gás. A Petrobras é operadora com 100% de participação.

A Petrobras aprovou ainda um plano de pessoal para empregados lotados em ativos/unidades em processo de desinvestimento, que prevê três ferramentas: Recrutamento Interno, Procedimento de Desligamento por Acordo (PDA) e um Programa de Desligamento Voluntário (PDV) Específico. O plano de pessoal será apresentado aos empregados no início da fase vinculante de cada processo de desinvestimento.

A Coluna Painel SA da Folha publicou que Japão, China, EUA e Argentina devem ser países para os quais a Marfrig deverá começar a exportar sua carne vegetal. No Brasil, a primeira grande rede de fast food a comercializar o produto foi a Burger King, o que gerou filas no lançamento em uma de suas lojas, em São Paulo, este mês.

A CSN informou que a sua subsidiária Transnordestina Logística vem mantendo tratativas com o governo federal para a retomada de suas obras. “Contudo, não houve, até o presente momento, qualquer definição sobre essa questão, não existindo, portanto, qualquer fato a ser divulgado ao mercado nos termos da legislação em vigor”, afirmou a empresa, após ser questionada pela CVM por conta de reportagem do jornal Valor.

O GPA comunicou que a sua subsidiária Sendas protocolou o pedido de autorização da oferta pública de aquisição de até a totalidade das ações de emissão do Éxito S.A. perante a Superintendência Financeira da Colômbia, ao preço de 18.000 pesos colombianos por ação de Éxito.

(Com Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)