FIQUE DE OLHO

Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta segunda-feira

Mercados abrem semana em queda com piora nas negociações entre EUA e China e quebra da Thomas Cook; no Brasil, Bolsonaro embarca para evento na ONU

SÃO PAULO – O Ibovespa registrou a quarta semana consecutiva de alta, com ganhos de 1,27%, aos 104.817 pontos. Mesmo após a volatilidade nos mercados, por conta dos ataques com drones à planta de processamento de petróleo de Abqaiq, da Saudi Aramco, os cortes de juros promovidos pelo Comitê de Política Monetária (Copom) e pelo Federal Reserve animaram os investidores.

Em meio a uma agenda intensa nesta semana, com votação da reforma da Previdência no Senado, ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e PIB norte-americano, as bolsas no exterior abriram hoje majoritariamente em queda, refletindo as preocupações com as negociações comerciais entre EUA e China.

No final de semana, o Ministério do Comércio da China afirmou que as equipes econômicas e comerciais das duas potências econômicas mantiveram discussões “construtivas”, em Washington, semana passada. No entanto, os investidores interpretaram de forma negativa o cancelamento da ida de uma delegação chinesa a fazendas nos EUA e o seu retorno antecipado. Além disso, dados da economia europeia vieram piores do que o esperado, afetando a confiança dos investidores. 

No Brasil, o destaque fica com o boletim Focus, que deve trazer as novas projeções macroeconômicas do mercado, sobretudo após a última decisão de corte dos juros do Copom. Já o presidente Jair Bolsonaro embarca hoje para Nova York, onde amanhã fará o discurso de abertura da 74ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU).

Confira os destaques desta segunda-feira:

1. Bolsas Internacionais

No exterior, as bolsas europeias operam em queda generalizada após a operadora britânica de turismo Thomas Cook entrar em colapso, diante do fracasso da tentativa de obter recursos para superar uma grave crise financeira. Mais de 600 mil viagens foram canceladas, e há cerca de 150 mil turistas fora do Reino Unido que terão de ser resgatados pelo governo do país.

A Autoridade de Aviação Civil do Reino Unido confirmou que a Thomas Cook encerrou as operações, o que implica na paralisação das atividades de quatro companhias áreas e na dispensa de 21 mil funcionários em 16 países. Na sexta-feira, a companhia informou que buscava obter 200 milhões de libras esterlinas (R$ 1 bilhão) para seguir operando. As negociações com acionistas e credores, no entanto, fracassaram.

Entre os indicadores, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto da zona do euro, caiu de 51,9 em agosto para 50,4 em setembro, atingindo o menor nível desde junho de 2013, segundo dados preliminares da IHS Markit. O resultado frustrou analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam alta marginal do PMI composto a 52.

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Apenas o PMI industrial da zona do euro diminuiu de 47 em agosto para 45,6 em setembro, tocando o menor patamar em 83 meses e se afastando mais da barreira de 50, o que indica contração mais acentuada da manufatura. Neste caso, a previsão de economistas era de leve aumento a 47,2.

Já o PMI de serviços do bloco recuou de 53,5 para 52 no mesmo período, no menor nível em oito meses e vindo abaixo da projeção do mercado, de ligeira redução a 53,3.

Na Ásia, com Tóquio fechada, as bolsas fecharam em queda, repercutindo os desdobramentos da guerra comercial de sexta-feira, quando o presidente Donald Trump afirmou buscar um “acordo completo” com a China, o que teria levado a delegação oriental a cancelar visitas a fazendas dos EUA.

Em Nova York, os futuros operam misturados, com as preocupações comerciais. Além disso, segundo a CNBC, o Departamento de Justiça dos EUA alertou suas empresas contra o roubo de segredos comerciais por parte de chineses.

Entre as commodities, o minério de ferro operam com tendência de alta, enquanto os preços do petróleo, que abriram em alta, diante da manutenção das tensões no Oriente Médio, inverteram o sinal no início da manhã.

Tropas norte-americanas devem ser enviadas à região para fortalecer a defesa na Arábia Saudita. No domingo, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, disse, porém, que Washington pretende evitar a guerra com o Irã.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h27 (horário de Brasília):

S&P 500 Futuro (EUA), 0,0%
Nasdaq Futuro (EUA), +0,12%
*Dow Jones Futuro (EUA), 0,09%

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DAX (Alemanha), -1,15%
FTSE (Reino Unido), -0,62%
CAC-40 (França), -0,96%
FTSE MIB (Itália), -1,14%

Hang Seng (Hong Kong), -0,98% (fechado)
Xangai (China), -0,81% (fechado)
*Nikkei (Japão), (fechado por feriado)

Petróleo WTI, -0,52%, a US$ 57,79 o barril
Petróleo Brent, -0,33%, a US$ 64,07 o barril
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian subiam 2,37%, cotados a 647,50 iuanes, equivalentes a US$ 90,84 (nas últimas 24 horas).

*Bitcoin, US$ 9.990,77, -0,64%
R$ 41.680, -0,51% (nas últimas 24 horas)

2. Agenda Econômica

No Brasil, a bateria de indicadores começa às 8h00, com a FGV publicando o IPC-S e a Confiança do Consumidor.

Às 8h25, será a vez do Banco Central publicar o boletim Focus, enquanto às 10h30 informa os dados do investimento estrangeiro direto e transações correntes. À tarde, sai o resultado da balança comercial semanal.

Nos EUA, às 9h30, sai o índice de atividade nacional de agosto do Fed. Já as 10h45, a Markit publica dos dados da PMI industrial, de serviços e composta.

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Confira o que acompanhar na agenda da semana no InfoMonday:

 

 

3. Noticiário Político

Na política, o destaque é a ida do presidente Jair Bolsonaro aos EUA onde fará o discursos de abertura da Assembleia-Geral da ONU. Ele sairá de Brasília pela manhã, com chegada prevista para as 14h55, em Nova York. Por conta da recuperação após operação, Bolsonaro terá uma agenda limitada nos Estados Unidos.

O Itamaraty informou que o único compromisso previsto é o do discursos na ONU, amanhã pela manhã. No entanto, segue a expectativa sobre um possível encontro com o presidente Donald Trump. Segundo a Folha de S.Paulo, integrantes do Planalto mantêm essa perspectiva da reunião entre Bolsonaro e Trump.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse que o Brasil quer “desmistificar” para a comunidade internacional que houve flexibilização da legislação ambiental no governo Bolsonaro. Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, Salles informou que o governo pretende esclarecer a situação na Amazônia e exaltar as oportunidades de investimento no País.

Bolsonaro recebeu críticas da Comissária dos Direitos Humanos da ONU e ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, que declarou sentir “pena do Brasil”, em entrevista à uma emissora chilena, segundo a Reuters. Segundo ela, há uma percepção de “redução do espaço cívico e democrático, caracterizado por ataques contra defensores dos direitos humanos” e “restrições impostas ao trabalho na sociedade civil”.

Ainda na política, o Estadão destacou que, após as derrotas no Congresso e com receio de novos reveses, o Planalto abandonou o discurso de não lotear cargos para obter votos no Legislativo. Segundo a publicação, mesmo não abrindo mão do comando dos ministérios, Bolsonaro foi convencido a premiar partidos leais às suas propostas com cargos.

Já a Folha traz que, após demitir quatro integrantes de primeiro escalão nos nove primeiros meses de seu governo, o presidente Bolsonaro buscará lotear a esplanada dos ministérios com políticos aliados, sem passar a mensagem de “toma lá da cá” e ainda se livrar de ministros com baixo desempenho.

A ideia, segundo a Folha, é realizar essas mudanças a conta gotas, evitando movimentos abruptos que possam desestabilizar o governo. Além disso, há um plano de reestruturação que sugere a fusão de pastas e a redução de secretarias. A palavra final, porém, será de Bolsonaro, que ainda não tomou nenhuma decisão.

O Valor Econômico destaca ainda que o ministro Sergio Moro vem usando seu prestígio pessoal, sem alarde, para montar uma espécie de bancada no Congresso, formada por políticos de diversos partidos, inclusive de esquerda, cujo objetivo em comum seria uma agenda de combate à corrupção.

4. Noticiário Econômico

Considerado complexo, burocrático e ultrapassado, o sistema tributário brasileiro poderia gerar ganhos bilionários para a sociedade apenas com a reformulação da estrutura de arrecadação de impostos. Cálculos elaborados da Firjan mostram que as duas propostas de reforma tributária – em discussão no Congresso – têm potencial para criar 300 mil empregos por ano e incrementar o consumo em até R$ 122,7 bilhões.

O trabalho foi feito com base numa metodologia elaborada ao longo de um ano e não prevê alterações na carga tributária. Para chegar ao resultado, foram analisadas a Proposta de Emenda à Constitucional (PEC) 45, do deputado Baleia Rossi – baseada no trabalho do economista Bernard Appy -, e a PEC 110, do ex-deputado Luiz Carlos Hauly. O governo ainda não apresentou a sua proposta.

“Nosso objetivo foi avaliar o impacto da reforma no bem-estar da população por meio da renda, consumo e geração de emprego”, diz o gerente de Economia da Firjan, Jonathas Goulart. Segundo ele, também era importante entender os efeitos da criação de um imposto único apenas com tributos federais e outro que inclui Estados e municípios (ICMS e ISS).

Sem Estados e municípios, o acréscimo no consumo cai para apenas R$ 39 bilhões, segundo a Firjan. A disparidade entre os números é a prova de que não faz sentido uma reforma pela metade, aponta a Firjan.

Na média, as duas propostas em tramitação no Congresso trazem ganhos semelhantes para a população (na casa de R$ 122 bilhões), já que preveem a criação de um imposto único nos moldes do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) usado no exterior.

Com valorização de mais de 7% no ano e sem deixar o patamar dos R$ 4, fora da expectativa de boa parte dos economistas e dos empresários, o dólar está pressionando o custo e o lucro das empresas, mas alta deve ter poucos reflexos para o consumidor final. A fraca demanda fraca impossibilita o repassar desse aumento de custos para os preços de produtos e serviços, destaca o Estadão.

De acordo com economistas, o patamar ideal para o dólar no Brasil oscila entre R$ 3,60 e R$ 3,80. Mas, segundo eles, a moeda só vai voltar para essa faixa quando as reformas forem aprovadas e houver redução do déficit fiscal. Pressões do mercado internacional também têm afetado a cotação.

A principal é o risco de recrudescimento da guerra comercial entre EUA e China. Junta-se a isso a redução dos juros no País, que diminui a rentabilidade dos investidor estrangeiro. Com isso, eles preferem aplicar o dinheiro em outros mercados, com taxas maiores de retorno, como México.

Já o total de empresários que espera queda na inadimplência até o fim do ano aumentou de 25% para 32% no terceiro trimestre, em comparação ao mesmo período de 2018. Além disso, 51% dos empresários pretendem realizar investimentos até o fim de 2019, marcando um crescimento de 13 pontos porcentuais em relação a 2018, de acordo com pesquisa feita pela Boa Vista.

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Ainda em relação aos investimentos, 55% das empresas têm a intenção de aportar recursos em novos produtos e serviços, 53% querem dar um upgrade tecnológico e 46% capacitar seus profissionais. E no que diz respeito à inadimplência, o porcentual dos empresários que aguardam aumento diminuiu 10 pontos porcentuais, ficando em 20% atualmente.

5. Noticiário Corporativo

A Huawei Technologies e China Mobile estão explorando uma parceria para entrar na disputa pela Oi, informou o jornal O Globo no final de semana, mas sem citar como obteve a informação. Um porta-voz da Oi não quis comentar a informação do Globo. Huawei negou interesse em comprar Oi ou qualquer tele no Brasil, segundo informou a Reuters, citando email enviado pela empresa.

A Petrobras informou que celebrou contrato de cessão de direitos creditórios permitindo a antecipação de cerca de R$ 8,4 bilhões dos recebíveis da Eletrobras reconhecidos nos instrumentos de assunção de dívidas referentes à integralidade das dívidas confessadas em 2014 pelo Sistema Eletrobras, com vencimento original até janeiro de 2025.

A Usiminas informou que fará a emissão de debêntures no montante de até R$ 2 bilhões. Segundo a empresa, os recursos obtidos com a oferta serão destinados ao pré-pagamento de dívidas contratadas perante o Banco do Brasil, o Itaú Unibanco, o Banco Bradesco e os debenturistas da 6ª emissão pública.

A Cemig celebrou com o Estado de Minas Gerais aditivo para assegurar a Gasmig a extensão da sua concessão até o ano de 2053. A Gasmig pagará um bônus de outorga de R$ 850 milhões para o Estado de Minas Gerais.

(Com Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)