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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta segunda-feira

Dados fiscais no Brasil, PMIs da China, feriado nos Estados Unidos, estreia na B3 e mais destaques do noticiário corporativo na última sessão de maio

SÃO PAULO – A sessão desta segunda-feira (31) promete ser de liquidez reduzida por conta do feriado nos Estados Unidos, mas a expectativa pelos dados fiscais no Brasil, os PMIs da China e alta das commodities devem guiar a última sessão de maio para a Bolsa brasileira, após o Ibovespa atingir a máxima histórica na última sexta-feira.

Confira mais destaques:

1.Bolsas mundiais

Nesta segunda-feira (31), as bolsas asiáticas tiveram resultados variados entre si. As bolsas europeias têm resultados negativos após uma semana forte. As bolsas americanas não abrirão por conta do feriado do Memorial Day.

Investidores reagem à divulgação do índice PMI (Índice do Gerente de Compras) relativo a maio, que mediu 51 pontos, levemente abaixo da expectativa de 51,1 pontos de analistas ouvidos pela agência internacional de notícias Reuters, e ao patamar do mês anterior, também de 51,1 pontos.

A pontuação abaixo do esperado é creditada à alta dos preços das commodities. Qualquer leitura acima de 50 pontos indica expansão; abaixo, retração.

Já o PMI composto da China chegou, em maio, ao terceiro mês de aceleração, a 54,1 pontos.

As bolsas da China continental fecharam em alta. O índice Shanghai composto subiu 0,41%, enquanto que o componente Shenzhen subiu 0,966%. O índice Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,2%.

No Japão, as vendas no varejo subiram 12% em abril em comparação com o mês anterior, segundo dados oficiais divulgados na segunda-feira. O índice Nikkei 225 recuou 0,99%, enquanto que o Topix recuou 1,26%. O Kospi, da Coreia do Sul, subiu 0,48%.

As bolsas europeias fecharam em alta na sexta-feira, atingindo níveis recordes em reação aos fortes dados econômicos dos Estados Unidos.

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O índice Eurostoxx, que reúne as ações de 600 empresas de todos os principais setores de 17 economias europeias, subiu 0,57%.

O setor de serviços financeiros subiu 1,3%, liderando os ganhos, em meio a altas de quase todos os setores e principais bolsas.

O índice DAX, da Alemanha, fechou a semana anterior em patamar recorde. Nesta segunda, tem uma queda de cerca de 37 pontos, a 15.482, impactado pelo Deutsche Bank, cujas ações são negociadas em território negativo após reportagens afirmarem que o Federal Reserve está preocupado com as práticas contra lavagem de dinheiro implementadas pelo banco alemão. O Wall Street Journal informouque o Federal Reserve disse ao credor alemão que as falhas persistentes em seus controles de combate à lavagem de dinheiro não estavam sendo resolvidas.

O CAC, da França, se mantém estável, assim como o FTSE MIB, da Itália. O FTSE 100, do Reino Unido, permanece fechado por conta de um feriado.

Publicado nesta segunda, o relatório mais recente sobre perspectiva econômica da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) traz notícias positivas para a Zona do Euro. O relatório prevê recuperação econômica porém desigual.

A organização prevê alta de 5,8% no Produto Interno Bruto global em 2021, frente a uma contração de 3,5% em 2020. Para o G20, prevê crescimento de 6,3%, e para a Zona do Euro, de 4,3%.

Entre os principais desafios, o relatório lista a falta de vacinas para países não desenvolvidos.

Nesta segunda-feira, a França inicia a vacinação contra Covid-19 de quaisquer pessoas com mais de 18 anos de idade. Até 29 de maio, o país havia vacinado 37,5% de sua população, segundo dados oficiais compilados pelo site Our World in Data.

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No mercado de commodities, o minério de ferro negociado em Dalian registra alta de cerca de 5%, seguindo recuperação, enquanto os principais contratos futuros de petróleo avançam cerca de 1% com os investidores atentos à reunião da Opep+ na próxima terça-feira e com melhores perspectivas para a demanda em meio à recuperação da economia.

Veja o desempenho dos principais índices às 7h50 (horário de Brasília):
*S&P 500 Futuro (EUA), -0,04%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,11%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,03%
Europa
*Dax (Alemanha), -0,28%
*CAC 40 (França), -0,06%
*FTSE MIB (Itália), +0,29%
Ásia
*Nikkei (Japão), -0,99% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong), +0,09% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), +0,48% (fechado)
*Shanghai SE (China), +0,41% (fechado)
Commodities e bitcoin
*Petróleo WTI, +1,025%, a US$ 67 o barril
*Petróleo Brent, +1% a US$ 69,41 o barril
*Bitcoin +3,13%, a US$ 36.867,54
**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian com alta de 5,28%, cotados a 1106 iuanes, equivalente hoje a US$ 173,58 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,37

2. Agenda

Às 8h25, o Banco Central do Brasil divulgou o Boletim Focus, com a expectativa de analistas em relação a indicadores importantes, como inflação, variação do PIB e taxa de câmbio. Na projeção, foi elevada a expectativa de inflação de 5,24% para 5,31% em 2021, além de projetar uma alta maior para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2021, de 3,52% para 3,96%. A a previsão da taxa Selic passou de 5,50% para 5,75% ao ano no fim de 2021.

Às 9h30 é divulgado o resultado das contas do setor público consolidado de abril pelo Banco Central.

Às 9h, serão revelados os dados de inflação preliminar de maio na Alemanha.

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, participa da programação do Fórum de Investimento Brasil 2021 a partir das 14h e de webinar da Frente da Economia Verde, por divulgação de vídeo gravado às 15h45. Às 9h, Jair Bolsonaro participa da abertura do Brazil Investment Forum; às 11h, será a vez da fala de Paulo Guedes, ministro da Economia, participar do evento.

Às 20h50 são divulgados dados sobre gastos de capital no primeiro trimestre no Japão. Às 21h30 é divulgado o PMI (Índice do Gerente de Compras) relativo a maio no Japão.

Às 22h45 é divulgado o índice PMI Caixin relativo a maio no Japão.

3. Covid no Brasil

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No domingo (30), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 1.844, queda de 4% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 950 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 61.306, queda de 4% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 41.705 casos. 45.233.638 pessoas receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 21,36% da população. A segunda dose foi aplicada em 22.063.266 pessoas, ou 10,42% da população.

O sábado foi marcado por manifestações contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), com críticas à gestão da pandemia pelo governo federal e exigência de um ritmo de vacinação mais intenso contra a Covid-19, entre outras demandas. Os atos também foram alvo de críticas por terem causado aglomerações durante a pandemia.

Os protestos foram convocados em todas as regiões do país por movimentos sociais, entidades estudantis, partidos políticos, centrais sindicais e até mesmo torcidas organizadas.

Entidades como a UNE (União Nacional dos Estudantes), a CUT (Central Única dos Trabalhadores), o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), e o coletivo Democracia Corinthiana, além de integrantes de partidos como PSOL e PT, haviam divulgado a realização dos protestos.

Nas manifestações foram vistas faixas e cartazes com palavras de ordem como: “Fora Bolsonaro”, “Fora Genocida” e “Impeachment Já”. Um boneco inflável do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a faixa presidencial também apareceu no Rio de Janeiro, onde o assassinato da vereadora Marielle Franco e as mortes de moradores de favelas em operações no Rio foram lembrados.

Em Brasília, os manifestantes caminharam pela Esplanada dos Ministérios, em clima pacífico, sem confusões. Em Recife, segundo o portal G1, durante o ato, a Polícia Militar atirou balas de borracha e gás lacrimogênio contra os participantes. A manifestação terminou por volta das 13h. Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, duas pessoas perderam a visão depois da ação da PM no Recife.

Em São Paulo, a manifestação chegou a ocupar sete quarteirões da Avenida Paulista e se dispersou pela noite na região da Praça Roosevelt, segundo informações do jornal Folha de S. Paulo. Os organizadores estimaram a presença de 80 mil pessoas.

Também houve atos em Belo Horizonte (MG), Florianópolis (SC), Belém (PA), João Pessoa (PB), Salvador (BA), Aracaju (SE), Maceió (AL), Teresina (PI), Recife (PE), Palmas (TO), Porto Velho (RO) e São Luís (MA), segundo o portal UOL.
Sem fazer referência explícita aos atos, Bolsonaro publicou no dia da manifestação uma foto em que vestia uma camiseta com a frase “imorrível, imbroxável, incomível”.

Em entrevista publicada nesta segunda-feira pelo jornal Folha de S. Paulo, o líder governista na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR) afirma que os atos abrem a disputa de 2022 entre Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele avaliou que a esquerda perdeu o argumento contra aglomerações pró-governo.

Segundo o jornal, o PT, por sua vez, evita associar os protestos a Lula, e aposta no desgaste do governo, com a economia desfavorável e o cenário de rejeição contra Jair Bolsonaro. A avaliação do partido, assim como do PDT, foi de que os atos tiveram mais pessoas do que o esperado, o que reforça a necessidade de atuação na CPI da Covid.

4. Crise hídrica segue no radar

O noticiário desta segunda-feira chama a atenção para o agravamento da crise hídrica no Brasil, a pior dos últimos 91 anos. A produção das hidrelétricas representa mais de 60% da matriz energética brasileira.

A crise poderá fazer com que o Brasil tenha problemas de abastecimento de energia a partir do segundo semestre. Mesmo analistas que assumiam uma posição mais cautelosa já começam a enxergar dificuldades no suprimento de energia em horários de pico. Assim, pode haver blecautes.

O risco de racionamento rigoroso, como ocorreu em 2001, é visto, no entanto, como remoto. Veja mais clicando aqui. 

Além disso, o presidente Jair Bolsonaro assinou no sábado decreto que altera a programação orçamentária e financeira do ano corrente após o governo verificar a possibilidade de ampliar limites de empenho e ajuste de dotações orçamentárias ao teto de gastos.

A alteração busca adequar ao cumprimento da meta de resultado primário estabelecida pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) 2021 os limites de empenho e movimentação financeira e de pagamento das despesas públicas primárias discricionárias do Executivo federal previstas na Lei Orçamentária Anual (LOA) 2021.

“A reavaliação das receitas primárias e das despesas primárias obrigatórias constantes da LOA 2021 ao final do 2º bimestre de 2021 indicou a possibilidade de ampliação dos limites de empenho e movimentação financeira de todos os Poderes, MPU e DPU no montante de R$ 128,36 bilhões”, afirma comunicado da Secretaria-Geral da Presidência da República.
Por outro lado, o Poder Executivo federal deverá realizar ajustes nas dotações orçamentárias e nos cronogramas de pagamento das despesas sujeitas ao teto de gastos no valor de R$ 4,52 bilhões, acrescentou.

Atualmente consta do decreto de programação financeira o bloqueio de R$ 9,28 bilhões de despesas discricionárias primárias para o cumprimento do teto de gastos, porém a necessidade prevista para o bloqueio apresentada na reavaliação das receitas primárias e das despesas primárias do segundo bimestre de 2021 foi inferior.

5. Radar corporativo

Em destaque, a Petrobras divulgou nota de esclarecimento no sábado (29) à noite reafirmando sua política de preços depois de Jair Bolsonaro defender, no dia anterior, “previsibilidade” no reajuste do preço dos combustíveis.

Bolsonaro afirmou a apoiadores que a petroleira, presidida pelo general Joaquim Silva e Luna, está concluindo estudos que tratam sobre uma fórmula que assegure “previsibilidade aos reajustes dos combustíveis”. O presidente afirmou que não se trata de ingerência na empresa, mas afirmou : “Troquei o comando da Petrobras e no início isso foi um escândalo. Mas é para interferir mesmo, eu sou o presidente. Tenho que manter todo mundo empregado?”

A companhia afirmou que “conforme já informado na última conferência com analistas e investidores sobre os resultados do primeiro trimestre de 2021, em 14 de maio de 2021, a companhia diz que, na busca de executar sua política de preços monitora, permanentemente o mercado.” Além disso, destacou que, “a partir de uma percepção de realinhamento de patamar, seja de câmbio, seja de cotações internacionais de petróleo e derivados, realiza reajustes de preço. Os estudos e monitoramentos elaborados pelas áreas técnicas de comercialização da Petrobras suportam a tomada de decisão e a proposição de reajustes de preço, sendo observado permanentemente o ambiente de negócios e o comportamento dos seus competidores, visando um posicionamento competitivo adequado.”

Ainda no radar da empresa, ela informou na sexta-feira que sua subsidiária na Bolívia foi condenada a pagar uma indenização de US$ 61,1 milhões pelo uso da propriedade onde está localizado o campo de San Alberto, em sentença que também impôs medidas cautelares à unidade da petroleira naquele país.

“Na decisão judicial, um suposto proprietário da área ocupada pelo bloco San Alberto foi contemplado com uma indenização por uso da propriedade, calculada a partir de 1996, quando as operações do bloco foram iniciadas”, disse a Petrobras em comunicado.

O Banco do Brasil anunciou na sexta-feira a aprovação de R$ 480,8 milhões em juros sobre capital próprio do 2º trimestre; os proventos serão pagos em 30 de junho.

A Ânima informou que concluiu aquisição de ativos da Laureate e espera sinergias de R$ 350 milhões até 2025. Já a Irani aprovou o financiamento de até R$ 484 milhões junto ao BNDES.

A CCR informou que o tráfego de veículos em rodovias administradas pela empresa cresceu 12,3% de janeiro até 27 de maio ante mesmo período de 2020. O Conselho da empresa ainda aprovou a emissão de R$ 545 milhões em debêntures.

Já o BTG Pactual anunciou oferta primária com esforços restritos de até 24,402 milhões de units, que deve ser precificada em 8 de junho. Considerando o preço de fechamento dos papéis na véspera, de R$ 122,94, a oferta alcança quase R$ 3 bilhões. Também está prevista a estreia da ação da Dotz nesta segunda-feira.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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