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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta segunda-feira

Bolsas da Europa caem com temores renovados sobre coronavírus, enquanto índices futuros dos EUA sobem em semana de Fomc: os destaques desta segunda

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(Foto: Getty Images)

O sentimento negativo impera nos mercados neste início de semana. O acirramento das tensões entre China e Estados Unidos e o temor de uma segunda onda de contágio pelo coronavírus fazem a maior parte das Bolsas europeias operarem em terreno negativo. Nos Estados Unidos, os futuros de Nova York operam em alta, atentos à reunião do Fomc desta semana.

No Brasil, o Ministério da Economia e os estados se debruçam sobre propostas que possam viabilizar uma reforma tributária mais ampla. Para isso, é esperada a criação de um fundo que possa compensar estados por eventuais perdas na arrecadação do ICMS.

Entre as notícias corporativas, expectativa em relação ao nome do substituto de Rubem Novaes, que deixa a presidência do Banco do Brasil no próximo dia 6. Também é esperado que o BNDESPar decida sobre a venda de sua fatia na AES Tietê, que está sendo disputada, por enquanto, por Eneva e AES Corp.

Na temporada de balanços, a Hypera divulgou crescimento de lucro no segundo trimestre. Confira os destaques desta segunda-feira (27):

1.Bolsas mundiais

As Bolsas europeias operam em queda com o temor de uma segunda onda de contágio pelo novo coronavírus. Já nos Estados Unidos, os futuros de Nova York registram alta na expectativa da reunião do comitê de política monetária nesta semana.

O FTSE, 100, de Londres, registra desvalorização de 0,20%.

O temor de uma segunda onda de contágio fez com que o Reino Unido colocasse em quarentena os viajantes que retornam da Espanha, país onde há crescimento no número de casos. A decisão pressionou as ações do setor de turismo. China e estados dos Estados Unidos também registram avanço das contaminações pela Covid-19.

Os investidores ainda estão de olho na reunião do Fomc do Federal Reserve (Fed, o bc americano), que divulga na quarta-feira sua decisão sobre política monetária.

Os futuros do Dow Jones sobem 0,47% e os do S&P registram leve alta de 0,51%.

A expectativa é que prevaleça uma postura mais “dovish”, ou seja, mais favorável a uma taxa de juros mais baixa. “Isso deve beneficiar um equilíbrio na taxa de inflação, apoiar os ativos de risco e pressionar o dólar”, disse, à Bloomberg, Matthew Hornbach, estrategista do Morgan Stanley.

Já nas disputadas geopolíticas, a China, como esperado, fechou o consulado dos Estados Unidos em Chengdu (província de Sichuan), ainda como retaliação ao fechamento do consulado chinês em Houston (Texas).

*Veja o desempenho dos mercados, às 7h36 (horário de Brasília):

Nova York

*S&P 500 Futuro (EUA), +0,51%

*Nasdaq Futuro (EUA), +0,91%

*Dow Jones Futuro (EUA), +0,47%

Europa

*Dax (Alemanha), +0,26%

*FTSE 100 (Reino Unido), -0,20%

*CAC 40 (França), -0,12%

*FTSE MIB (Itália), -0,06%

Ásia

*Nikkei 225 (Japão), -0,16% (fechado)

*Hang Seng Index (Hong Kong), -0,41% (fechado)

*Shanghai SE (China), +0,26% (fechado)

Commodities e bitcoin

*Petróleo WTI, -0,12%, a US$ 41,24 o barril

*Petróleo Brent, -0,18%, a US$ 43,26 o barril

**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam em queda de 1,99%, cotados a 814.500 iuanes, equivalente hoje a US$ 116,30 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 7,0032 (-0,22%)

*Bitcoin, US$ 10.215, +3,33%

2. Agenda

No Brasil, o Banco Central (BC) publicou durante a manhã o boletim Focus, que compila as projeções econômicas feitas por uma série de instituições. Mais uma vez, os economistas atenuaram a previsão de queda do PIB de 2020, que passou de retração de 5,95% para de 5,77%, enquanto a estimativa para o IPCA passou de 1,72% para 1,67%. A projeção para a Selic foi mantida em 2% ao ano e o dólar teve a projeção mantida para R$ 5,20.

Às 15h, será a vez da Secretaria de Comércio Exterior divulgar a balança comercial semanal.

Nos Estados Unidos, a semana começa com a agenda de divulgação mais fraca. Os dados sobre pedidos de bens duráveis referentes ao mês de junho serão divulgados às 9h30 (horário de Brasília).

Às 11h30, é a vez do Fed de Dallas divulgar o índice de atividade das empresas referente ao mês de julho.

3. Reforma tributária

O Ministério da Economia e governadores discutem a criação de dois fundos com recursos para incentivar que os estados aceitem alterar as regras do ICMS. Esse acordo poderia viabilizar uma reforma tributária mais ampla, segundo reportagem do jornal “Folha de S.Paulo”.

Na proposta da equipe econômica, esse fundo poderia ser composto por recursos de royalties de petróleo. Já os estados não querem ficar reféns da volatilidade do setor de petróleo e preferem que a fonte de recursos seja uma parcela da unificação dos impostos.

Em uma reforma tributária ampla, PIS, Cofins, IPI, ICMS (estadual) e ISS (municipal) seriam unificados em um único tributo, a ser repartido entre União, estados e municípios. Cada um com uma parte da alíquota a ser definida.

4. Taxa de desemprego

O secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, espera um repique significativo na taxa de desemprego a partir de setembro, segundo entrevista concedida ao jornal “Folha de S.Paulo”.

A avaliação do secretário é que a metodologia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não consegue captar a situação do mercado de trabalho no momento, porque as pessoas perdem o emprego, mas não buscam uma nova vaga por causa das restrições do isolamento.

Dados da Pnad Contínua mostram que a taxa de desemprego no país ficou em 12,9% no trimestre encerrado em maio, contra 12,3% no mesmo período de 2019.

Ainda no radar, diretor de programas da Secretaria Especial de Fazenda da pasta, Caio Megale já comunicou que irá deixar o cargo na próxima sexta-feira (31) e deve retornar ao setor privado. Veja mais clicando aqui. 

5. Radar corporativo

Após a renúncia de Rubem Novaes na sexta-feira à noite, cresce a expectativa em relação ao nome de quem irá assumir o Banco do Brasil. O atual presidente fica no cargo até o próximo dia 6.

O novo executivo terá que enfrentar discussões sobre a venda de ativos do banco e a estratégia digital, segundo reportagem do jornal “Valor Econômico”.

Entre os cotados para o cargo está Hélio Magalhães, presidente do conselho de administração e que já dirigiu o Citi no Brasil.

O anúncio da saída de Novaes pegou a cúpula e os funcionários do banco de surpresa. O executivo teria alegado cansaço e a percepção de que é preciso passar o bastão para alguém mais ligado às inovações tecnológicas.

E sobre a venda das ações que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) possui na AES Tietê, a expectativa é que o banco de fomento sinalize preferência pela proposta da AES Corp, segundo reportagem do jornal “Valor Econômico”. A outra empresa na disputa é a brasileira Eneva.

A AES apresentou oferta por 18,5% da Tietê, do total de 28,41% detido pelo banco de fomento. Essa fatia equivale a R$ 1,27 bilhão que seriam pagos em dinheiro e, por isso, agradado ao BNDES. Já segundo o jornal O Globo, o banco de fomento já teria decidido vender as ações para a AES.

Ainda entre as aquisições, o BTG fez uma proposta pela área de fibra ótica da Oi, que vale R$ 25,5 bilhões. A proposta do BTG prevê a compra de 25% do capital total e 51% do capital votante da unidade produtiva isolada (UPI) InfraCo, cuja infraestrutura tem cerca de 400 mil quilômetros de fibra, segundo o Valor Econômico.

E na temporada de balanços, a farmacêutica Hypera registrou lucro líquido de R$ 396,4 milhões no segundo trimestre, uma alta de 17,6% na comparação com igual período do ano passado.

A receita líquida ficou em R$ 1,05 bilhão no período, uma alta de 7,9% no comparativo anual.

A companhia divulgou ainda as estimativas de desempenho para 2020, baseada nos impactos da epidemia de Covid-19, variações cambiais, maior endividamento e incorporação de resultados da aquisição recente da família de medicamentos Buscopan a seu portfólio. Com isso, a receita líquida no ano chegaria a R$ 4 bilhões, ante R$ 3,3 bilhões em 2019. Já o lucro líquido seria de R$ 1,3 bilhão, uma alta de 9%.

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