Fique de olho

Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta segunda-feira

Semana começa com expectativa pelo leilão da cessão onerosa e pacote de Guedes; conversas entre EUA-China animam

Paulo Guedes
(Marcelo Camargo/Agencia Brasil)
Aprenda a investir na bolsa

Os avanços nas tratativas entre os EUA e a China para o fechamento da fase 1 do acordo comercial entre as duas maiores economias globais deixam os investidores otimistas. Hoje, o secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, afirmou que as conversas estavam “muito adiantadas”.

Ross também disse na véspera que “muito em breve” as empresas americanas receberiam licenças para vender à Huawei – empresa chinesa que estava em uma lista negra americana por suposta ameaça à segurança nacional. Segundo ele, o Alasca, o Havaí ou a China são lugares onde os presidentes Donald Trump e Xi Jinping poderiam se reunir para assinar o acordo.

No Brasil, o destaque fica para a expectativa do pacote de medidas que o governo do presidente Jair Bolsonaro deverá entregar amanhã ao Congresso. Em entrevista à Folha, o ministro Paulo Guedes afirmou que as medidas farão uma “transformação na máquina pública”.

Aprenda a investir na bolsa

Já à TV Record, o presidente afirmou que há 80% de chance de sair do PSL e voltou a criticar o governador do Rio e a rede Globo por conta da citação a seu nome no caso do assassinato de Marielle Franco. Ele acrescentou que o caso não está encerrado e que a PGR deve tomar novamente o depoimento do porteiro para maiores esclarecimentos.

Vale destacar ainda que a B3 funciona com horário estendido a partir desta segunda-feira por conta do fim do horário de verão nos EUA, passando a operar entre 10h e 18h. Com o novo horário, não haverá after market, que ocorria depois do fechamento e permitia negócios com condições mais restritas de oscilação.

Confira os destaques desta segunda-feira:

1. Bolsas Internacionais

Os mercados internacionais operam de forma positiva, acompanhando os desdobramentos do noticiário em relação aos avanços com a fase 1 do acordo comercial entre EUA e China. Hoje, o secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, se encontrou com o premiê chinês Li Keqiang, em uma cúpula regional em Bangcoc, segundo a Bloomberg.

Mais cedo, Ross afirmou em um fórum comercial que os EUA estavam “muito adiantados” para fechar o acordo. Segundo ele, essa primeira etapa é “particularmente complicada” e reforçou que os americanos estavam “assegurando que cada lado tenha um entendimento muito correto, claro e detalhado do que cada lado concordou”.

“Estamos em boa forma, estamos fazendo um bom progresso, e não há razão natural para que não possa ser”, disse Ross. “Mas se vai escorregar um pouco, quem sabe. Sempre é possível. Já Trump disse a repórteres na Casa Branca que um acordo comercial, se um for concluído, seria assinado “em algum lugar nos EUA”.

PUBLICIDADE

As notícias de hoje se seguem às informações chinesas de sexta-feira de que chegou a um consenso com os EUA sobre as principais preocupações comerciais, após uma ligação entre altos funcionários dos dois países. Já a Casa Branca comunicou que os representantes “fizeram progressos em várias áreas e estão no processo de resolver questões pendentes”.

Os avanços comerciais refletiram nas bolsas asiáticas, que fecharam em alta, e nos principais índices europeus, também operando no terreno positivo.

Entre os indicadores, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial da zona do euro subiu de 45,7 em setembro – que havia sido o menor nível desde outubro de 2012 – para 45,9 em outubro, segundo pesquisa final divulgada hoje pela IHS Markit.

O resultado final, no entanto, ficou um pouco acima da prévia de outubro e da previsão de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, de 45,7 em ambos os casos. A leitura abaixo de 50 marcou contração na manufatura do bloco pelo nono mês consecutivo.

Entre as commodities, o futuro de minério de ferro fechou em queda, enquanto os preços do petróleo – que chegaram a registrar perdas durante a madrugada – operavam em alta, nesta manhã, acompanhando o otimismo em relação às conversas comerciais entre EUA e China.

Confira o desempenho dos mercados, segundo cotação das 07h17 (horário de Brasília)

*S&P 500 Futuro (EUA), +0,43%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,53%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,40%

*DAX (Alemanha), +0,97%
*FTSE (Reino Unido), +0,76%
*CAC-40 (França), +0,82%
*FTSE MIB (Itália), +1,13%

PUBLICIDADE

*Hang Seng (Hong Kong), +1,65% (fechado)
*Xangai (China), +0,58% (fechado)
*Nikkei (Japão), (fechado por feriado)

*Petróleo WTI, +0,37%, a US$ 56,41 o barril
*Petróleo Brent, +0,45%, a US$ 61,97 o barril

**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam em queda de 1,20%, cotados a 615,00 iuanes, equivalentes a US$ 87,49 (nas últimas 24 horas). USD/CNY= 7,0286 (-0,11%)

*Bitcoin, US$ 9.214,52, -0,22%

2. Agenda Econômica

No Brasil, o IPC, que mede a inflação na cidade de São Paulo, subiu 0,16% em outubro, ganhando força após ficar estável em setembro e acelerando levemente em relação ao aumento de 0,15% observado na terceira quadrissemana do mês passado, segundo a Fipe. O resultado ficou abaixo do piso das estimativas do consenso do Broadcast, de altas de 0,17% a 0,21%.

Já as 8h25 será a vez do Banco Central divulgar a atualização das projeções do mercado no Boletim Focus. Já às 15h00, serão conhecidos os dados da balança comercial semanal.

Nos EUA, saem os números de encomendas à indústria, tendência de emprego e condições empresariais. No corporativo, são esperados os balanços de Occidental Petroleum, Uber e Groupon, nos Estados Unidos, e da Telefónica, na Europa.

Confira no que ficar de olho durante a semana no InfoMonday:

3. Governo e Congresso

PUBLICIDADE

O presidente Jair Bolsonaro pretende ir ao Congresso Nacional amanhã (5) para entregar o conjunto de reformas preparado pela equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes. “A ideia é dar demonstração, como na reforma da Previdência, de que estamos juntos”, disse Bolsonaro, indicando que poderá convidar o presidente do STF, Dias Toffoli, num gesto de “harmonia” entre os Poderes.

Bolsonaro sinalizou ainda que a reforma administrativa – uma das que compõem o conjunto de medidas a ser apresentado – deve acabar com a estabilidade para novos servidores. Apenas algumas carreiras preservarão esse direito. No entanto, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tem defendido maior prioridade para a reforma tributária, que já começou a tramitar nas duas Casas, embora o governo não tenha enviado um texto próprio.

O presidente evitou dizer qual delas – a tributária ou a administrativa – deveria avançar primeiro. “O que for menos difícil tem que ir na frente. Qualquer uma dessas duas reformas são bem-vindas”, afirmou. “O (ministro da Economia) Paulo Guedes tem a mesma visão minha. O Guedes gostaria que as três já estivessem aprovadas (além das duas, a Previdência). Segundo ele, a diminuição da carga tributária está no radar do ministro, mas não será “de uma hora para outra”.

Ainda sobre as medidas a serem anunciadas, está o novo programa do governo para incentivar a geração de empregos no País, que pretende reduzir o custo das empresas nas contratações de trabalhadores com remuneração de até 1,5 salário mínimo, o equivalente hoje a R$ 1.497,00 mensais, segundo o Estadão.

A equipe econômica pretende impedir que os benefícios sejam destinados a contratações de profissionais que encontram trabalho com maior facilidade. Dessa forma, o novo programa terá uma faixa etária definida. As empresas poderão contratar sob esse novo modelo jovens entre 18 e 29 anos e pessoas acima de 55 anos.

A intenção ainda do governo será livrar ainda as empresas da contribuição patronal para o INSS (de 20% sobre a folha) e as alíquotas do Sistema S, do salário-educação e do Incra. Além disso, a contribuição para o FGTS será de 2%, ante os atuais 8%. Não haverá mudança no valor da multa de 40% em demissão sem justa causa. Assim, o custo das contratações deve cair 32%.

Outra iniciativa será na mudança da fórmula de correção dos débitos em ações trabalhistas, alterando o componente da correção para o juro da poupança, segundo o Estadão. O governo ainda avalia o quanto as medidas liberariam do balanço das empresas, que hoje têm provisões bilionárias devido a ações trabalhistas.

Em entrevista à Folha, Guedes afirma que as medidas a serem encaminhadas ao Congresso farão uma “transformação da máquina pública, que servia a uma ordem politicamente fechada e agora precisa servir à população”. Segundo o ministro, o envio, o trâmite e o arcabouço das medidas é resultado do diálogo entre Executivo e Legislativo.

“Hoje, presidente e Congresso são reformistas. As reforma que vêm aí foram processadas politicamente”, afirmou Guedes na entrevista à Folha. Em relação às cobranças sobre a volta do crescimento, ele afirmou que “foram 30 anos de centro-esquerda. Dá para esperar quatro aninhos de um liberal-democrata? Se não melhorar, troca, sem intolerância. Mas deu três meses e já começaram: cadê o crescimento? Vamos ser razoáveis. Não é justo”.

4. Bolsonaro fala sobre gravações

O presidente Bolsonaro se pronunciou no final de semana em relação às gravações relacionadas ao caso da citação de seu nome nas investigações pela morte da vereadora Marielle Franco: “Nós pegamos (a gravação), antes que fosse adulterada, ou tentasse adulterar, pegamos toda a memória da secretária eletrônica que é guardada há mais de ano. A voz não é a minha”, declarou Bolsonaro a jornalistas.

A declaração recebeu críticas e acusações ao presidente por obstrução de justiça, com partidos de oposição adiantando que pretendem entrar com representação no STF e PGR. O deputado David Miranda afirmou que a interceptação de provas pode ser classificada como crime de responsabilidade, passível de impeachment, o que será discutido com líderes da oposição durante a semana.

À TV Record, Bolsonaro acrescentou que o caso não está encerrado e que a PGR deve tomar novamente o depoimento do porteiro para maiores esclarecimentos. Já em reportagem, em que consultou peritos criminais e especialistas, o Estadão diz que a análise dos áudios apresentado pelo Ministério Público do Rio não têm valor legal, por ter sido realizada por técnicos e não por peritos oficiais.

Em relação à polêmica sobre um “nova AI-5”, a Coluna do Estadão destaca que os governistas se alarmaram com as repercussões, que “furou a bolha da polarização”, causando reações negativas também entre os eleitores de Bolsonaro. A constatação veio do termômetro das redes sociais. A coluna acrescenta que o timing foi especialmente ruim, pois comemorava-se a reviravolta no caso do porteiro.

Já Bolsonaro reforçou que seu filho, Eduardo, está protegido em relação eventuais penalidades sobre as declarações referentes ao AI-5 por ter imunidade parlamentar. “Para que serve o artigo 53 da Constituição? Lá está escrito que senadores e deputados são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer palavras, opiniões e votos. Ponto final. Eu puxei a orelha dele, porque falou do AI-5. Mas o pessoal aproveita, qualquer coisa que a gente faz, potencializa”, afirmou o presidente à Record.

Ainda sobre a crise com o PSL, o Estadão relata que enviou emissários para saber se o Partido Militar Brasileiro pode ser o seu destino, caso saia da legenda com a qual se elegeu ano passado. Segundo a publicação, a legenda é articulada pelo coordenador da bancada da bala no Congresso, deputado Capitão Augusto (PL-SP), e está em fase final de criação, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Já sobre o episódio dos laranjas, a Folha traz que as três principais candidatas do PSL suspeitas em Pernambuco negaram irregularidades, em depoimento à PF, mas afirmaram que o material feito com dinheiro público ajudou a impulsionar a candidatura de Bolsonaro. Já levantamento do Estadão informa que 20 dos 53 parlamentares do PSL eleitos apresentaram notas fiscais de empresas de fachada para justificar reembolso de R$ 730 mil.

5. Noticiário Corporativo

A Telefônica Vivo reportou lucro líquido de R$ 1,046 bilhão no terceiro trimestre, desempenho 67,1% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. O Ebitda recuou 15,1%, para R$ 4,060 bilhões, enquanto a receita subiu 2,6%, a R$ 11,047 bilhões.

A Petrobras conclui venda da Belem Bioenergia por R$ 24,7 milhões e divulgou o teaser de E&P na bacia de Sergipe-Alagoas. Além disso, a empresa foi notificada a depor em ação penal na Argentina.

(Com Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)

Invista contando com a melhor assessoria do mercado: abra uma conta gratuita na XP.