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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quinta-feira

Mercado externo tenta recuperação após forte sell-off da véspera; PIB dos EUA, reunião do BCE e reação a balanços e Copom no Brasil são destaque

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As ações europeias registram leve alta na sessão desta quinta-feira (28), após fechar o dia anterior na maior baixa em cinco meses. Os índices futuros americanos também têm recuperação, em um dia em que os mercados aguardam os resultados de algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo, como Apple, Facebook e Alphabet, proprietário do Google.

Na quarta-feira (27), tanto França quanto Alemanha anunciaram lockdowns de pelo menos um mês. O objetivo é amenizar a segunda onda de propagação do coronavírus, que vem se acelerando nos países europeus.

Em destaque entre os indicadores, está ainda o PIB dos EUA.

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No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou atrás em proposta de estudar parcerias privadas para obras e administração de Unidades Básicas de Saúde. A medida havia levantado temor de uma privatização do SUS.

Além disso, o Banco Central manteve a Selic e confirmou o forward guidance de taxas inalteradas. Parte dos analistas vê comunicado como dovish apesar da recente pressão inflacionária e da paralisia das reforma, enquanto há quem destaque que o BC fechou as portas para novos cortes. Atenção ainda para o noticiário corporativo por aqui, com a repercussão dos números reportados por Petrobras, Vale, Bradesco, Ambev, entre outras companhias.

1.Bolsas mundiais

Após a forte queda da véspera, as bolsas europeias tentam recuperação, ainda que limitadas pelos temores com a segunda onda do coronavírus na Europa e novos lockdowns. Analistas do fundo de investimentos internacional Berenberg Bank estimaram que a economia francesa pode encolher em até 4% no quarto trimestre, enquanto a economia alemã pode encolher 1% em meio a novas medidas de lockdown anunciadas na quarta-feira.

O índice Eurostoxx tem alta de 0,33%; o Dax, da Alemanha, sobe 0,45%; O FTSE MIB, do Reino Unido, sobe 0,18%; o CAC, da França, sobe 0,18%; e o FTSE MIB, da Itália, sobe 0,22%.

O Banco Central Europeu deve se encontrar nesta quinta-feira. A expectativa é de que as autoridades discutam um novo pacote de estímulos, a ser lançado apenas em dezembro.

Ações de empresas europeias importantes tiveram altas nesta quinta-feira após a apresentação de resultados positivos. As ações da Royal Dutch Shell subiram 4% após a gigante produtora de petróleo anunciar ganhos de US$ 955 milhões no terceiro trimestre, bem acima da expectativa de US$ 146 milhões.

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As ações do grupo de telecomunicações BT Group tiveram alta de 6% após a empresa ajustar para cima sua previsão de lucros.

Os índices futuros das bolsas americanas também tiveram alta após fortes quedas no dia anterior, replicando os maus resultados europeus. A queda foi de 3,4% para a a Dow, 3,5% para a S&P 500 e 3,7% para a Nasdaq.

Casos também vêm crescendo nos Estados Unidos. Em entrevista à rede CNBC, o ex-administrador chefe da FDA (agência de saúde pública destinada à regulação de substâncias e alimentos), Scott Gottlieb, afirmou que acredita que a trajetória dos Estados Unidos está cerca de três ou quatro semanas atrás da Europa.

O indice S&P 500 Futuro sobe +0,71%; o Nasdaq Futuro sobe 1%; o Dow Jones Futuro sobe 0,59%.

Nesta tarde, investidores acompanham os resultados de algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo: Amazon, Apple, Facebook e Alphabet, dona do Google e Twitter. Juntas, têm valor de mais de US$ 5 trilhões.

As ações de Facebook e Twitter já apresentam alta, após outra rede social, o Pinterest, ter apresentado forte crescimento em receita e em usuários ativos.

Já os mercados asiáticos fecharam em queda nesta quinta-feira, acompanhando os resultados negativos do dia anterior nas bolsas europeias e americanas. O Banco do Japão manteve a política monetária inalterada na quinta-feira, atendendo às expectativas. A previsão do banco é de que a economia japonesa contraia 5,5% no ano fiscal de 2020.

O índice Nikkei, do Japão, fechou em queda de 0,37%; O Hang Seng Index caiu 0,49%; O Kospi, da Coreia do Sul, caiu 0,9%; e o índice Shanghai oscilou positivamente em 0,11%.

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Veja o desempenho dos principais índices às 7h20 (horário de Brasília):

Futuros dos EUA
*S&P 500 Futuro (EUA), +0,71%
*Nasdaq Futuro (EUA), +1%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,59%

Europa
*Dax (Alemanha), +0,45%
*FTSE 100 (Reino Unido), +0,18%
*CAC 40 (França), +0,18%
*FTSE MIB (Itália), +0,22%

Ásia
*Nikkei (Japão), -0,37% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong) -0,49% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), -0,9%% (fechado)
*Shanghai SE (China), +0,11% (fechado)

Commodities e bitcoin
*Petróleo WTI, -4,9%, a US$ 35,86 o barril
*Petróleo Brent, -3,83%, a US$ 37,62 o barril
*Bitcoin, US$ 13.139,72, -3,73%
Sobre o minério: **Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam em queda de 0,71%, cotados a 779,5 iuanes, equivalente hoje a US$ 116,26 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,70

2. Agenda de indicadores

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) manteve na noite de quarta-feira (28) a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 2% ao ano — seu menor patamar histórico. O comunicado da decisão tranquilizou os economistas em relação ao chamado forward guidance, as expectativas de longo prazo da autoridade, mas seguem as preocupações em relação ao quadro fiscal do país e a inflação.

“O mercado precisa dessa previsibilidade, o investidor, o empresariado, de que as taxas [de juros] vão continuar baixas. Só que infelizmente por conta desse ruído fiscal todo o investidor ainda fica um pouco receoso de tomar segurança em relação ao forward guidance do BC”, disse Patrícia Braga, estrategista da MAG Investimentos, em live no InfoMoney. Confira mais análises clicando aqui. 

Nesta quinta-feira, o governo apresenta os resultados primários e dados sobre a criação de empregos formais.

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Às 7h, autoridades da União Europeia apresentam dados sobre confiança industrial, confiança em serviços, confiança do consumidor e confiança na economia em geral.

Às 8h, a FGV apresenta dados do índice de inflação IGPM. Às 9h30, o governo dos Estados Unidos apresenta dados do PIB no terceiro trimestre no país. A expectativa é de alta de 32% do PIB em termos anualizados na comparação trimestral, após queda de 31,4% no trimestre anterior.

Também às 9h30 serão apresentados dados sobre novos pedidos de seguro-desemprego, com estimativa de 770 mil pedidos. Também serão revelados os dados de consumo pessoal, índices de preços e principais gastos pessoais no terceiro trimestre.

Às 9h45, autoridades europeias apresentam dados sobre a taxa de refinanciamento principal do Banco Central Europeu; sobre a facilidade de empréstimo marginal; e a taxa de facilidade de depósito.

Às 11h, autoridades americanas apresentam dados sobre a venda de casas pendentes.

3. Governo recua em decreto sobre privatização de postos

Após repercussão negativa, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) revogou o decreto que 10.530. O documento autorizava estudos para realizar parcerias entre os setores privados e público, para construção e administração de UBS (Unidades Básicas de Saúde).

A medida levantou preocupação sobre uma possível privatização do SUS, e foi combatida por parlamentares, especialistas, ex-ministros, e gerou comoção nas redes.

Ao recuar, Bolsonaro defendeu o decreto, afirmando que o objetivo era viabilizar a finalização de obras no SUS. Ele afirmou que era “falsa” a ideia de que havia pretensão de privatizar o serviço.

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O decreto era assinado por Bolsonaro e pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, mas não pelo ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello.

Em nota reproduzida pelo portal UOL, o Ministério da Economia alegou que o decreto teria sido pedido pelo Ministério da Saúde, comandado pelo general Eduardo Pazuello. “De acordo com o Ministério da Saúde, a participação privada no setor é importante diante das restrições fiscais e das dificuldades de aperfeiçoar o modelo de governança por meio de contratações tradicionais”.

Mas, segundo o Estadão, a revogação pegou o próprio Ministério da Saúde de surpresa. De acordo com o jornal, a pasta demorou quase um dia inteiro para responder a questionamentos.

A resposta chegou praticamente no mesmo momento em que Bolsonaro recuava publicamente. O Ministério da Saúde enviou uma nota à Coluna do Estadão defendendo a proposta abortada, alegando se tratar de um pedido da pasta. A nota afirmava que “a avaliação conjunta (com a Economia) é de ser preciso incentivar a participação da iniciativa privada”.

Citando fontes governistas, a coluna afirma que Pazuello ficou, novamente, “vendido”, ou seja, foi pego de surpresa, pelo episódio.

4. Intenção de investir

Segundo leitura da Sondagem de Investimentos da FGV publicada pelo jornal Valor nesta quinta-feira, a intenção de investimentos da iniciativa privada ensaia retomada nos próximos meses. A pesquisa consultou 4.050 empresas.

Segundo o levantamento trimestral, após retração recorde no período de abril a junho, indústria, serviços, comércio e construção sinalizam maior intenção investimentos para os próximos 12 meses até o terceiro trimestre de 2021

Quanto mais pontos no indicador, maior a intenção de investir nos próximos 12 meses.

Na indústria, a intenção de investimentos atingiu 104,1 pontos, 47,8 a mais do que no segundo trimestre. No comércio, atingiu 109,9 pontos, alta de 31,7 pontos frente o segundo trimestre. Na construção, atingiu 94,3 pontos, alta de 29,7 pontos frente o segundo trimestre. Em serviços, atingiu 91,4 pontos, alta de 33 pontos frente o segundo trimestre.

 

As reações mais fortes nos setores industrial e de varejo são impulsionados pela demanda de bens de consumo não duráveis, como alimentos e vendas pela internet.

Mesmo assim, cerca de um terço dos empresários ainda demonstra incerteza em fazer investimentos nos próximos 12 meses.

Na indústria, 28,2% dos empresários se mostram incertos em investir, frente 49,5% no segundo trimestre. Nos serviços, 49,1% dos empresários mostram incerteza em investir, frente 66,5% no segundo trimestre. No comércio, 35,7% mostram incerteza, frente 41,1% no segundo trimestre. E na construção, 40,3% mostram incerteza, frente 65,9% no segundo trimestre.

5. Radar corporativo

Na quarta-feira, a Vale informou um aumento de 76% no lucro no terceiro trimestre, na comparação com o mesmo período do ano passado, com resultados impulsionados pela demanda chinesa e pela alta do preço do minério de ferro. O lucro líquido atingiu US$ 2,9 bilhões.

Já a Petrobras teve prejuízo de R$ 1,5 bilhão no terceiro trimestre. O resultado foi afetado por itens como a adesão a programa de anistia tributária, informou a empresa na quarta-feira.

“Destacamos a aprovação da adesão aos programas de anistia tributária afetando tanto o lucro líquido quanto o Ebitda ajustado, e o prêmio pago na recompra de títulos, que afetou apenas o lucro líquido”, disse a estatal.

O lucro Ebitda foi de R$ 33,4 bilhões, frente R$ 32,6 bilhões no mesmo período de 2019.

Também na quarta, o Bradesco anunciou lucro recorrente de R$ 5 bilhões no terceiro trimestre, cerca de 15% acima da média de estimativas de analistas, segundo dados da Refinitiv. O patamar é, no entanto, 23,1% abaixo do lucro de um ano antes.

Já na manhã desta quinta, a Ambev reportou lucro de R$ 2,274 bilhões no 3º trimestre, recuo de 8,9% na comparação anual. Os valores referem-se aos atribuíveis aos controladores.

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