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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quinta-feira

Cenário de tensão com coronavírus continua com doença se espalhando por outros países, apesar de casos diminuírem ritmo na China; PIB dos EUA no radar

Bandeiras da China e dos EUA (Crédito: Shutterstock)
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A sessão da volta do feriado foi de forte queda para o Ibovespa, com baixa de 7% no pior pregão desde o “Joesley Day” em meio aos temores com o coronavírus se espalhando para países da Europa e com o primeiro caso confirmado da Covid-19 no Brasil.

Nesta quinta-feira, a sessão promete ser mais uma vez tensa para o mercado, em um dia de baixa das bolsas europeias e volatilidade dos contratos futuros norte-americanos em meio ao receio de uma epidemia global e o impacto nas empresas. Desta vez, a Microsoft fez um alerta sobre o impacto da doença nos resultados, enquanto que a AB Inbev prevê queda do lucro.

No noticiário corporativo nacional, foram divulgados os dados da Ambev: a maior fabricante de cerveja e refrigerantes da América Latina teve lucro líquido de R$ 12,188 bilhões em 2019, 7,4% acima dos R$ 11,347 bilhões registrados em 2018. Enquanto isso, após o dólar atingir um novo recorde nominal de R$ 4,44, o BC oferta US$ 1 bilhão em swap cambial, equivalente à venda da moeda americana no mercado futuro. Confira os destaques desta sessão:

1.Bolsas mundiais

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A sessão desta quinta-feira é mais uma vez de queda expressiva para os mercados mundiais. As bolsas europeias têm baixa e rendimentos dos títulos americanos atingiram novas mínimas históricas com receios sobre a propagação do coronavírus. O S&P futuro, por sua vez, tem forte volatilidade e já oscilou de +0,2% a -1,6% esta manhã, enquanto demanda por proteção valoriza o iene e o ouro.

As bolsas asiáticas, por sua vez, fecharam sem direção única nesta quinta-feira, monitorando de perto a rápida propagação do coronavírus fora da China e ponderando os possíveis efeitos da epidemia no crescimento da economia global. O coronavírus já infectou mais de 81 mil pessoas no mundo e causou mais de 2,7 mil mortes. A China concentra a maioria dos casos, mas a disseminação da doença ganhou força em outros países ao longo da última semana, principalmente na Coreia do Sul, na Itália e no Irã.

Ontem à noite, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que seu vice-presidente, Mike Pence, irá coordenar os esforços de combate ao coronavírus no país. Trump admitiu, porém, que a disseminação do coronavírus nos EUA não é inevitável.  A Microsoft se somou à Apple e HP ao rebaixar perspectiva de resultado devido ao vírus.

No mercado de commodities, o petróleo tem 5ª baixa seguida, para menos de US$ 49, com receio de que uma pandemia afete o crescimento global, enquanto os metais recuam em Londres e minério de ferro tem 4ª baixa em Cingapura.

As bolsas da China continental encerraram o pregão com ganhos modestos, em meio a esforços de Pequim de estimular a economia numa tentativa de amenizar os efeitos do coronavírus. Já o Hang Seng subiu em Hong Kong, interrompendo uma sequência de três dias negativos, após o governo local prometer pesados gastos também para mitigar o impacto do coronavírus. O índice japonês Nikkei, por sua vez, sofreu forte queda em Tóquio hoje.

Veja o desempenho dos mercados, às 7h58 (horário de Brasília):

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Nova York
*S&P 500 Futuro (EUA), -0,62%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,61%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,61%

Europa
*Dax (Alemanha), -2,16%
*FTSE (Reino Unido), -1,70%
*CAC 40 (França), -1,92%
*FTSE MIB (Itália), -1,91%

Ásia
*Nikkei (Japão), -2,13% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), -1,05% (fechado)
*Hang Seng (Hong Kong), +0,31% (fechado)
*Xangai (China), +0,11% (fechado)

*Petróleo WTI, -1,70%, a US$ 47,90 o barril
*Petróleo Brent, -1,65%, a US$ 52,51 o barril

**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam com forte queda de -3,58%, cotados a 633,000 iuanes, equivalentes a US$ 90,32 (nas últimas 24 horas). USD/CNY= 7,0077 (+0,14%)
*Bitcoin, US$ 8.793,96 +1,10%

2. Indicadores econômicos

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) publicou hoje dois índices: o IPC-S da última quadrissemana de fevereiro e o IGP-M. O IPC-S teve alta de 0,17% até 22 de fevereiro, ante estimativa de alta de 0,22%, enquanto o IGP-M caiu 0,04% em fevereiro na comparação mensal, subindo 6,82% nos 12 meses até fevereiro, ante estimativa de alta de 6,81%.

Já o Tesouro divulgará o resultado primário do governo central de janeiro na quinta-feira às 10h, enquanto os dados da dívida pública para o mesmo período sairão no mesmo dia, às 14h30. A coletiva de imprensa do secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, sobre o desempenho das receitas e despesas no primeiro mês do ano ocorrerá às 10h30. A expectativa é de que o governo central deva registrar superávit primário de R$ 40,4 bilhões em janeiro, segundo mediana de economistas ouvidos pela Bloomberg, depois de déficit de R$ 14,6 bilhões no mês anterior e acima do superávit de R$ 30 bilhões. de janeiro de 2019.

Às 15h, por sua vez, o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Luis Felipe Vital, comentará os números da dívida.

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Nos Estados Unidos, o governo americano divulgará às 10h30 o PIB do quarto trimestre de 2019, com estimativa de alta de 2,1% em termos anualizados. Também serão divulgados pedidos de bens duráveis de janeiro (preliminares), com estimativa de queda de1,5%; ainda saem pedidos seguro-desemprego e vendas pendentes de moradias.

3. Banco Central e impacto do coronavírus no Brasil

O Banco Central faz leilão de até 20 mil  contratos de swap cambial das 9h30 às 9h40, com resultado a partir das 9h50, após leilão ontem de 10 mil contratos não ter impedido o dólar de subir 1,4%, para recorde de fechamento a R$ 4,4496, em meio aos temores acirrados com o coronavírus. Haverá ainda leilão de 13 mil contratos de swap para rolagem de abril, das 11h30 às 11h40, com resultado a partir das 11h50.

O cenário de alta do dólar e do surto de coronavírus também repercute nas expectativas sobre a condução da política monetária pelo Banco Central. Segundo o Valor, o BC considera que ainda não está claro como o surto vai afetar a inflação. A autoridade monetária considera que há dois fatores desinflacionários, que são a queda da demanda devido à incerteza e a baixa das commodities; e dois fatores inflacionários, que são a redução da atividade pelo lado da oferta, a exemplo da falta de peças para a produção e de crédito internacional, e o impacto sobre o dólar.

Vale destacar ainda que o secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, disse, em entrevista ao jornal O Globo, que o avanço do novo coronavírus pode afetar o crescimento do país neste ano, mas mantém a projeção de alta de 2,4%. Sachsida apontou que a crise global pode afetar o mercado nacional por meio de três canais: demanda global, menor oferta de insumos e preços de commodities. “Se o resto do mundo cresce menos, o Brasil acaba crescendo menos também”, apontou ao jornal.

4. Tensão com Congresso

Conforme destaca o jornal O Estado de S. Paulo, a equipe econômica já começa a ver riscos de não avançarem rapidamente, neste primeiro semestre, as três pautas que eram dadas como certas para aprovação pelo Congresso: o projeto de autonomia do Banco Central e as Propostas de Emenda à Constituição (PECs) Emergencial e dos fundos públicos.

Os ânimos mais acirrados com o Parlamento, depois que o presidente Jair Bolsonaro disparou de seu celular um vídeo convocando apoiadores a irem às ruas para defendê-lo contra o Congresso, colocou a pauta em suspense e ampliou as incertezas da agenda econômica. O ministro da Economia, Paulo Guedes, é o mais cobrado pelas lideranças partidárias da Câmara e do Senado, que o acusam de ter descumprido o acordo do Orçamento impositivo, que amplia poderes dos parlamentares na destinação dos recursos para programas e ações do governo.

5. Noticiário corporativo 

A Eletrobras comunicou na noite de ontem que o CPPI, órgão federal ligado à presidência da República, recomendou que a estatal seja excluída do Plano Nacional de Desestatização, comandado pelo Ministério da Economia. Segundo a empresa, a recomendação foi publicada na Resolução 109 de 19 de fevereiro. Já o Banco do Nordeste informou que planeja aumentar o seu capital social em R$ 1,7 bilhão, com a incorporação de lucros dos exercícios anteriores. A medida depende de aprovação em Assembleia no dia 27 de março.

Já a Ambev, maior fabricante de cerveja e refrigerantes da América Latina, teve lucro líquido de R$ 12,188 bilhões em 2019, o que representa uma alta de 7,4% frente aos R$ 11,347 bilhões registrados em 2018.

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(Com Agência Estado, Agência Brasil, Agência Câmara, Agência Senado e Bloomberg)

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