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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quinta-feira

Bolsas mundiais caem com acordo por estímulos mais distante nos EUA e preocupações com coronavírus; prévia do PIB no Brasil e mais

Gráfico de queda
(Gearstd/Getty Images)
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Os mercados mundiais abriram em baixa nesta quinta-feira (15), assimilando sinais de que um novo pacote de estímulos à economia americana contra os efeitos da crise do coronavírus não deve sair tão cedo. Na quarta-feira (14) à tarde, o Secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin afirmou que democratas e republicanos dificilmente chegarão a um acordo antes das eleições, marcadas para 3 de novembro.

Na quarta-feira, o Banco Central americano reforçou a sinalização de que pretende manter a taxa de juros próxima a zero até 2023 -ela já está neste nível desde a intensificação da pandemia, em março. Mas não indicou nenhuma medida de estímulo adicional.

No Brasil, o noticiário é marcado por ação da Polícia Federal que encontrou R$ 100 mil junto ao vice-líder do governo Bolsonaro no Senado, Chico Rodrigues. Além disso, na quarta-feira, o ministro da Economia, Paulo Guedes voltou a defender um imposto sobre transações financeiras. Enquanto isso, a Moody’s sinalizou a mudar nota de crédito se o Brasil não retomar ajuste fiscal em 2021 (veja mais clicando aqui). Confira os destaques:

1. Bolsas mundiais

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O governo americano tem apresentado dificuldades em aprovar um novo pacote de estímulo à economia, o que afeta os mercados, já que tornam mais nebulosas as perspectivas de novos estímulos.

No início do ano, o Congresso e a Casa Branca aprovaram estímulos no valor de US$ 3 trilhões. Na semana passada, Trump já havia afirmado que um novo acordo não deveria sair antes das eleições, mas voltou atrás, sinalizando a possibilidade de aprovar medidas de auxílio menores, até o secretário americano do Tesouro, Steven Mnuchin, apresentar uma proposta de US$ 1,8 trilhão na sexta-feira (9).

Ele vem negociando há cerca de duas semanas com Nancy Pelosi, democrata que é presidente da Câmara dos Estados Unidos. Após a oferta do representante do governo, Pelosi afirmou que o acordo não aborda preocupações importantes, como um plano estratégico para lidar com a nova crise do coronavírus.

De acordo com o jornal americano The Washington Post, Mnuchin e Pelosi concordam em alguns pontos, como a ideia de conceder auxílio de US$ 1.200 à população, mas discordam em temas como: financiamento de auxílio em níveis estadual e local, seguro desemprego e seguridade infantil. Representantes do próprio partido Republicano no Senado também têm ressalvas à oferta, que consideram alta demais.

Mnuchin falou à imprensa na quarta após uma conversa de uma hora com Pelosi. “Eu diria que, neste ponto, concretizar alguma coisa antes da eleição e executar a partir disso seria difícil, dado o ponto em que estamos agora”.

Vale ressaltar que, na véspera, os índices americanos já haviam registrado queda, também repercutindo a temporada de balanços, após os números dos bancos Wells Fargo e Bank of America decepcionarem investidores.

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Já na Europa, Paris e Londres preparam medidas de restrição e casos diários na Alemanha aumentaram no ritmo mais rápido desde o início da pandemia.

No continente, o índice Euro Stoxx cai 2,17%. O CAC, de Paris, cai 2,16% e o FTSE MIB, da Itália, cai 2,44%, enquanto o FTSE 100, de Londres, cai 2,24%. O DAX, da Alemanha, cai 2,85%.
Os futuros do S&P 500 caem 1,07%, enquanto os do Dow Jones caem 0,97%. Os futuros da Nasdaq caem 1,55%.

Os mercados asiáticos também tiveram baixas em meio à falta de sinais de estímulo à economia americana.

No Japão, o Nikkei fechou em queda de 0,51%, enquanto o índice Hang Seng, de Hong Kong, caiu 2,06%. O Kospi, da Coreia do Sul, cai 0,81%. Na China, o índice Shanghai fechou em queda de 0,26%, em uma queda menos pronunciada do que as demais, após o BC do país ampliar financiamento de médio prazo ao sistema financeiro para ajudar a economia.

Veja o desempenho dos mercados, às 7h20 (horário de Brasília):
Nova York

*S&P 500 Futuro (EUA), -1,07%
*Nasdaq Futuro (EUA), -1,55%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,97%

Europa
*Dax (Alemanha), -2,85%
*FTSE 100 (Reino Unido), -2,24%
*CAC 40 (França), -2,16%
*FTSE MIB (Itália), -2,44%

Ásia
*Nikkei (Japão), -0,51% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong), -2,06% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), -0,81%
*Shanghai SE (China), -0,56% (fechado)

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Commodities e bitcoin
*Petróleo WTI, -2,7%, a US$ 39,93 o barril
*Petróleo Brent, -2,59%, a US$ 42,2 o barril
*Bitcoin, US$ 11.318,77, -1,01%
Sobre o minério: **Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam em baixa de 2,17%, cotados a 787,5 iuanes, equivalente hoje a US$ 116,93 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,73

2. Agenda do dia

Hoje o mercado acompanha a divulgação do índice IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) pelo Banco Central, às 9h. O indicador mensal que mede a atividade econômica deve ter ter registrado alta de 1,70% em agosto sobre julho, segundo estimativa mediana em pesquisa Bloomberg, após avanço anterior de 2,15%. Na comparação anual, IBC-Br deve ter caído 4,10%, após recuo de 4,89% em julho.

Às 9h30, o governo americano divulga dados semanais sobre a concessão de auxílio-desemprego, com a estimativa de 825 mil pedidos. No mesmo horário, divulga dados sobre os preços de importados relativos a setembro.

Entre 11h30 e 11h40, o Banco Central oferece 10 mil contratos de rolagem de swap. E às 12h, o governo americano divulga dados semanais sobre os estoques de petróleo. Às 13h, presidente do BC, Roberto Campos Neto, participa de palestra promovida pela XP.

Às 22h30, o governo chinês divulga dados sobre preços ao consumidor e ao produtor em setembro.

3. Dinheiro com vice-líder do governo no Senado

Uma ação da Polícia Federal realizada na quarta-feira (14) em Boa Vista, encontrou R$ 100 mil na casa do vice-líder do governo no Senado, Chico Rodrigues (DEM-RR). Rodrigues emprega como assessor parlamentar Leo Índio, primo dos filhos de Bolsonaro que tem livre trânsito no Palácio do Planalto e é especialmente próximo do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).

A investigação está sob sigilo, mas dados foram vazados para a imprensa. Segundo informações repassadas ao jornal O Estado de S. Paulo, Chico Rodrigues chegou a esconder R$ 30 mil na cueca durante a abordagem, mas o valor foi encontrado.

A investigação apura suposto sobrepreço de quase R$ 1 milhão em contratações feitas com dinheiro público.

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A PF afirmou que busca a “desarticulação de possível esquema criminoso voltado ao desvio de recursos públicos, oriundos de emendas parlamentares”.

A Controladoria-Geral da União também faz parte da investigação. Ela afirmou que a operação Desvid-19 em Roraima apura o “desvio de recursos públicos por meio do direcionamento de licitações” para combate do novo coronavírus. As contratações suspeitas de irregularidades teriam sido realizadas pela Secretaria de Estado da Saúde, e envolveriam cerca de R$ 20 milhões.

No mesmo dia, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que daria uma “voadora no pescoço” de envolvidos em corrupção. Uma semana antes, o presidente havia afirmado que a Lava Jato acabou por supostamente não haver casos de irregularidades em sua gestão.

Em nota à imprensa, Rodrigues afirmou que tem “um passado limpo e uma vida decente”. E que “A Polícia Federal cumpriu sua parte em fazer buscas em uma investigação na qual meu nome foi citado. No entanto, tive meu lar invadido por apenas ter feito meu trabalho como parlamentar, trazendo recursos para o combate ao Covid-19 para a saúde do Estado”.

4. Guedes defende novo imposto

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou na quarta-feira que, na prática, “os bancos já cobram uma CPMF hoje”. Ele usou o termo CPMF, referente à antiga Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, para se referir ao projeto de imposto sobre transações financeira e pagamentos eletrônicos que deseja implementar.

Em seminário organizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, Guedes afirmou que “a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) é que mais subsidia e paga todos os economistas brasileiros para dar consultoria contra esse imposto, mas a Febraban está fazendo isso porque querem beber água onde os bancos bebem”.

Guedes afirmou que as taxas cobradas por transferências, como o TED, são “dez vezes” maiores do que o imposto que deseja estabelecer.

“Vejam aí as transferências que vocês fizeram mês passado, e vão ver que os bancos cobram 2%, 1%, 3%. A exceção é o grande cliente. Mas o pequeninho que fazer a transferência para o colégio, o dentista, fazendo TED, essas transferências bancárias, você vai ver que banco cobra 2%, 1%, 3%”, afirmou.

Ainda em destaque, a vice-presidente e analista sênior do rating do Brasil na Moody’s Investors Service, Samar Maziad, disse ontem que a agência de classificação de risco espera algum avanço na agenda de reformas ainda este ano ou no começo de 2021, como forma de enfrentar os efeitos gerados pela pandemia, como a rápida elevação da dívida pública.

“A manutenção do rating incorpora esse aumento (de gastos), mas também prevê a retomada do ajuste fiscal em 2021”, disse Samar, em evento organizado pela agência. “Se o apoio a reformas diminuir, haverá impacto negativo em nosso cenário.”

5. Radar corporativo

Esta quinta-feira marca o início da temporada de resultados com os números da CSN, após o fechamento do mercado. Já a Natura teve seu rating elevado pela S&P de BB- para BB. A Caixa Econômica Federal anunciou na quarta-feira que pretende reduzir taxas sobre financiamento imobiliário a partir de 22 de outubro. Também pretende estender programa de carência na compra de imóveis novos e a opção de pagar parcialmente prestações por até seis meses.

A canadense Nutrien, do setor de insumos e serviços agrícolas, anunciou na quarta-feira a assinatura de um acordo para compra dos registros de mais de 100 defensivos da brasileira BRA Agroquímica.

O grupo argentino de comércio eletrônico MercadoLibre Inc. anunciou que deve bater recorde de R$ 4 bilhões de investimento no Brasil em 2020, e que planeja ampliar esse valor em 2021.

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