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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quinta-feira

índices futuros de Nova York aguardam encontro comercial entre EUA e China; no Brasil, mercado monitora imbróglio entre Bolsonaro e PSL

(Shutterstock)

O Ibovespa encerrou a sessão da véspera com alta de 1,27%, aos 101.248 pontos, no maior avanço do índice desde o dia 4 de setembro, quando disparou mais de 1,5%. O fluxo de notícias positivas veio do Brasil e, principalmente, do exterior, com a chegada da delegação chinesa a Washington para discutir o acordo comercial e em meio à oferta de compra de US$ 10 bilhões adicionais em mercadorias dos Estados Unidos.

Hoje, os futuros de Nova York operavam no início desta manhã entre queda e estabilidade, enquanto os índices europeus se movimentavam de forma mista, indicando um pregão de extrema volatilidade. Investidores buscavam informações mais precisas sobre o andamento das conversas entre EUA e China.

Durante a noite, uma série de informações desencontradas dava conta de um possível retorno mais cedo da delegação chinesa, o que foi não foi confirmado pela Casa Branca. Além disso, os EUA estariam considerando recuar no aumento das tarifas sobre bens chineses, prevista para começar na semana que vem, e nas restrições contra a Huawei.

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No Brasil, destaque é para o litígio entre o presidente Jair Bolsonaro e o seu partido, o PSL. As notícias são de que ele decidiu deixar a legenda, com a qual se elegeu, e busca uma solução jurídica que permita aos seus parlamentares aliados migrarem para outros partidos sem que sejam cassados por infidelidade.

Já o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o governo federal pretende se concentrar na discussão do pacto federativo, do qual a reforma administrativa faria parte, após a aprovação da reforma da Previdência no Senado.

Na agenda, a FGV publica a primeira prévia do IGP-M e o IBGE informa os dados das vendas do varejo de agosto. Nos EUA, saem o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês), os pedidos de auxílio desemprego semanais e resultado fiscal de setembro.

Confira os destaques desta quinta-feira:

1. Bolsas Internacionais

As bolsas operam com leves altas na Europa, enquanto os futuros de Nova York se movimentam entre perdas e ganhos, em meio a um intenso volume de informações a respeito das discussões entre os representantes de EUA e China, que se reúnem entre hoje e amanhã, em Washington, para tentam elaborar um acordo para acabar com a disputa comercial.

Durante a madrugada, o jornal South China Morning Post trouxe informação de que a delegação chinesa poderia retornar mais cedo do que esperado da rodada de negociações, já que os dois países não fizeram progressos nas conversas comerciais de nível adjunto essa semana.

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A Casa Branca, porém, disse à CNN que não está ciente da mudança nos planos do vice-primeiro-ministro chinês Liu He, enquanto a CNBC acrescenta que as informações do jornal da China eram imprecisas e que o retorno de Liu segue previsto para sexta-feira à noite.

Já a Bloomberg informou que os EUA estariam considerando um acordo para suspender o aumento das tarifas da próxima semana em troca de um pacto cambial.

O New York Times, por sua vez, trouxe informação de que o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, poderia conceder licenças que permitissem às empresas americanas venderem suprimentos não sensíveis à Huawei.

A informação sobre a Huawei animou, sobretudo, os investidores asiáticos, com os índices da região se recuperando e fechando em alta nesta quinta-feira.

Na Europa, entre os indicadores, o resultado do PIB do Reino Unido superou as previsões, subindo 0,3% nos três meses até agosto, com o crescimento de julho sendo revisado de 0,3% para 0,4%.

Confira o desempenho dos mercados, segundo cotação das 07h35 (horário de Brasília)

*S&P 500 Futuro (EUA), +0,03%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,07%
*Dow Jones Futuro (EUA), 0,00%

*DAX (Alemanha), +0,22%
*FTSE (Reino Unido), +0,02%
*CAC-40 (França), +0,50%
*FTSE MIB (Itália), +0,02%

*Hang Seng (Hong Kong), +0,10% (fechado)
*Xangai (China), +0,78% (fechado)
*Nikkei (Japão), +0,45% (fechado)

*Petróleo WTI, -0,11%, a US$ 52,53 o barril
*Petróleo Brent, -0,27%, a US$ 58,18 o barril

**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam com alta de 1,08%, cotados a 657,50 iuanes, equivalentes a US$ 92,27 (nas últimas 24 horas).

*Bitcoin, US$ 8.535,42, +3,73%
R$ 35.256, +0,34% (nas últimas 24 horas)

2. Agenda Econômica

No Brasil, às 8h00, a FGV publica a primeira prévia do IGP-M de outubro. Às 9h00, o IBGE informa os dados das vendas do varejo referentes ao mês de agosto.

Nos Estados Unidos, às 9h30, saem o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) e os pedidos de auxílio desemprego semanais. Às 15h00, o Tesouro dos EUA publica o resultado fiscal de setembro.

3. Bolsonaro e Governo

O noticiário político destaca que o presidente Jair Bolsonaro está decidido a sair do PSL, mas busca uma saída jurídica que evitar que parlamentares aliados possam perder os seus mandatos. O porta-voz do Palácio do Planalto, Otávio Rêgo Barros, afirmou que o presidente não pretende, por enquanto, tomar a decisão de sair do PSL. Durante a tarde, Bolsonaro se reuniu com pelo menos 15 deputados federais do partido para discutir a situação da legenda.

“Ele [Bolsonaro] destacou que não pretende deixar o PSL de livre e espontânea vontade. Qualquer decisão nesse sentido seria unilateral”, afirmou Rêgo Barros. De acordo com o porta-voz, o presidente busca preservar seu compromissos de campanha. “O presidente reiterou que uma de suas premissas, e ele o fez de forma enfática, é a defesa de suas bandeiras de campanha, que o trouxeram ao Planalto, assim como vários congressistas”, acrescentou.

Já a advogada eleitoral Karina Kufa, que representa Bolsonaro, afirmou que há desgaste na relação entre o presidente e dirigentes nacionais do PSL. Ela e o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Admar Gonzaga ajudam no estudo de uma alternativa para que os deputados deixarem a sigla sem serem penalizados com a perda de mandato por causa da infidelidade partidária. Cerca de 20 congressistas estariam dispostos a segui-lo.

No caso do presidente e outros integrantes do PSL com cargo majoritário (governador, prefeito e senador), uma eventual troca de partido não é vedada pela legislação. Segundo a Coluna Painel da Folha, o litígio vai levar o PSL a remover parlamentares aliados a Bolsonaro de cargos em comissões e liderança da legenda.

Segundo Rêgo Barros, a expectativa de Bolsonaro é que o PSL corresponda aos ideais defendidos pelo presidente durante as eleições. “O que ele deseja do partido, e eu vou repetir, é que o partido seja uma referência nacional, baseada, inclusive, nos ditames que ele elencou ao longo da própria campanha.”

Na economia, com a queda surpreendente do IPCA, que registrou deflação de 0,04% em setembro – na menor taxa para o mês em 21 anos –, o mercado já começa a apostar numa corte ainda maior da taxa Selic, atualmente em 5,5% ao ano. O Valor pontua que nos contatos futuros com prazo de um ano, o juro era negociado a 4,63% ao ano.

Para o ministro da Economia, Paulo Guedes, o que está acontecendo é que “a economia está começando a crescer com inflação baixa”, destaca o Estadão. Guedes afirmou ainda que o governo federal pretende se concentrar, agora, na discussão do pacto federativo, do qual a reforma administrativa faria parte, após a aprovação da reforma da Previdência no Senado.

4. Congresso

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 5478/19, que define o rateio, entre estados e municípios, de parte dos recursos do leilão de petróleo do pré-sal, a ser realizado no próximo dia 6 de novembro. A matéria será enviada ao Senado. O dinheiro a ser repartido é uma parte do chamado bônus de assinatura, que totaliza R$ 106,56 bilhões. A estimativa de extração do bloco a ser licitado é de 15 bilhões de barris de óleo equivalente.

Ontem, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou o edital do megaleilão do óleo excedente da cessão onerosa. Do valor total do bônus de assinatura, R$ 33,6 bilhões serão descontados pela União para pagar a Petrobras na revisão do contrato original, fechado em 2010.

Do restante (R$ 72,9 bilhões), 15% ficarão com estados, 15% com os municípios e 3% com os estados confrontantes à plataforma continental onde ocorre a extração petrolífera. Os outros 67% ficam com a União (R$ 48,84 bilhões).

O acordo firmado entre os partidos, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal prevê que o rateio entre os municípios seguirá os coeficientes do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e que o rateio entre os estados obedecerá a dois parâmetros: 2/3 proporcionalmente aos índices de repartição do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e 1/3 segundo os critérios de ressarcimento por perdas com a Lei Kandir.

O Plenário do Congresso Nacional aprovou também o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2020. O texto (PLN 5/19), que prevê salário mínimo de R$ 1.039 no próximo ano, será enviado à sanção presidencial. O projeto aprovado na forma do substitutivo manteve o reajuste do salário mínimo apenas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), projetado de 4,11%.

O valor efetivo poderá ser redefinido, entretanto, mais perto do começo do próximo ano, quando já estiver disponível o índice de inflação acumulado com os meses de outubro e novembro.

O Congresso Nacional também aprovou o remanejamento R$ 3,04 bilhões do Orçamento da União para vários órgãos do Executivo, contemplando também emendas parlamentares. A matéria segue para sanção do presidente da República.

5. Noticiário Corporativo

A Petrobras assinou com a norueguesa Equinor ASA memorando de entendimentos para o desenvolvimento conjunto de negócios voltados para a cadeia de gás natural. “Um dos principais objetivos do memorando é a maximização de valor no segmento de downstream [atividades de transporte e distribuição de produtos de petróleo] de ambas as empresas, através de projetos de geração termelétrica a gás natural”, informou a Petrobras em nota.

O Valor Econômico traz que o novo projeto de lei do governo Bolsonaro de privatização da Eletrobras, já conta com maioria no Congresso para a sua aprovação e que a resistência, agora, é menor, em relação à legislatura anterior. A constatação faz parte de um levantamento com 247 deputados e senadores, encomendado pela gestora Studio Investimentos ao Instituto FSB, que indica apoio de 50,5% dos consultados e oposição de 36,5% deles.

A Gol Linhas Aéreas Inteligentes retirou de operação 11 jatos 737 mais antigos, fabricados pela Boeing, depois de realizar inspeções recomendadas por reguladores dos EUA, segundo uma pessoa próxima ao assunto. A decisão vai afetar 3% dos seus passageiros até 15 de dezembro, disse a empresa aérea em um comunicado na quarta-feira, sem confirmar o número exato de aeronaves que vão sair de operação.

O Carrefour Brasil fechou acordo de parceria comercial com determinadas empresas pertencentes ao Grupo Super Nosso, para operação de 17 supermercados da companhia do modelo “Carrefour Bairro”, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG). A rede de supermercados ocupa a 17ª posição no ranking nacional da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), sendo reconhecida como marca de supermercados gourmet.

A Iguatemi Empresa de Shopping Centers vendeu sua participação de 30% no Shopping Iguatemi Florianópolis, localizado na cidade de Florianópolis, no Estado de Santa Catarina. O valor total da transação é de R$ 110,25 milhões, pagos à vista, equivalente a um múltiplo NOI 2018 de 12,3x.

(Com Agência Estado, Agência Brasil, Agência Câmara, Agência Senado e Bloomberg)

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