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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quarta-feira

Tensão entre EUA e China aumenta e faz bolsas mundiais caírem; confira os destaques desta sessão

Bandeiras da China e dos EUA (Crédito: Shutterstock)
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O aumento das tensões entre a China e os Estados Unidos eleva a aversão ao risco nesta quarta-feira (22). As Bolsas europeias operam em terreno negativo e os futuros de Nova York apontam para uma abertura em queda.

No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, a PEC que torna permanente o fundo de valorização da educação, o Fundeb. Pelo texto aprovado, que ainda precisa ser apreciado pelo Senado, o governo federal irá aumentar a fatia de contribuição.

Entre as notícias corporativas, a Petrobras registrou queda em sua produção no segundo trimestre e a ajuda do BNDES às aéreas deve ficar para agosto.

1. Bolsas mundiais

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O aumento das tensões entre a China e os Estados Unidos eleva a aversão ao risco nesta quarta-feira. As Bolsas europeias operam em terreno negativo e os futuros de Nova York apontam para uma abertura em queda.

A China acusou o governo americano de fechar seu consulado em Houston (Texas) “abruptamente”. Nesta manhã, EUA confirmaram o fechamento do consulado, atribuindo a decisão à necessidade de “proteger a propriedade intelectual e as informações privadas dos americanos”, segundo um porta-voz do Departamento de Estado.

O Ministério das Relações Exteriores chinês que “reagiria com medidas firmes” se o governo de Donald Trump não revogar a decisão “errônea”. De acordo com informações da Bloomberg, a China está considerando ordenar o fechamento do consulado dos EUA na cidade de Wuhan.

A piora da relação entre as duas principais economias do mundo contribuiu para a queda das Bolsas no mercado asiático. Embora o Shangai SE tenha registrado leve alta de 0,37%, o Hang Seng Index, de Hong Kong, caiu 2,25%. Em Tóquio, o Nikkei 225 fechou com desvalorização de 0,58%.

Nem mesmo na Europa, que na terça-feira registrou um dia de alívio após a aprovação do pacote de resgate à região, resistiu ao sentimento de pessimismo. O DAX, de Frankfurt, recua 0,48%.

E depois do pacote para lidar com os estragos da pandemia do novo coronavírus na economia europeia, os Estados Unidos também querem um novo plano de estímulo. Ontem à noite, Trump afirmou que provavelmente a crise irá piorar antes da recuperação.

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Os futuros do Dow Jones caem 0,43% e os do S&P recuam 0,35%.

Andrew Sheet, estrategista do Morgan Stanley, disse à Bloomberg que o cenário para o mercado de ações está mais difícil no curto prazo. “Estou mais preocupado em entrar no período de agosto e setembro e pensar em qual será o próximo catalisador para levar o mercado para cima”, disse.

Veja o desempenho dos mercados, às 7h34 (horário de Brasília):

Nova York
*S&P 500 Futuro (EUA), -0,35%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,10%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,43%

Europa
*Dax (Alemanha), -0,48%
*FTSE 100 (Reino Unido), -0,95%
*CAC 40 (França), -0,48%
*FTSE MIB (Itália), -0,69%

Ásia
*Nikkei 225 (Japão), -0,58% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong), -2,25% (fechado)
*Shanghai SE (China), -0,37% (fechado)

Commodities
*Petróleo WTI, -1,14%, a US$ 41,44 o barril
*Petróleo Brent, -0,95%, a US$ 43,90 o barril
* Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam em alta de 1,14%, cotados a 841.500 iuanes, equivalente hoje a US$ 120,16 (nas últimas 24 horas). USD/CNY = 7,0032 (+0,32%)

Criptomoedas
*Bitcoin, US$ 9.335, +0,17%

2. Agenda 

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A agenda no Brasil conta com a divulgação do fluxo cambial semanal, às 14h30, pelo Banco Central.

Na Europa, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, faz pronunciamento às 10h15 (horário de Brasília).

Já nos Estados Unidos, os dados sobre as vendas de casas usadas referentes ao mês de junho serão divulgados às 11h.

Às 11h30, ocorre a publicação da atualização do estoque de petróleo americano.

Na agenda do InfoMoney, o editor de política Marcos Mortari conversa com Waldery Rodrigues Junior, Secretário Especial da Fazenda, às 19h (horário de Brasília), sobre o atual cenário econômico brasileiro em meio à pandemia do novo coronavírus. A transmissão será no canal de Youtube do portal.

3. Noticiário político

A Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira à noite, em dois turnos, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que renova o  Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). O texto aprovado torna o fundo permanente e aumenta a contribuição dos recursos de complementação da União, que devem chegar a 23% do fundo – hoje, a fatia é de 10%.

A PEC vai ao Senado, onde também precisará ser votada em dois turnos e aprovada por três quintos dos senadores.

Ainda em destaque, está a reforma tributária, com a primeira parte da proposta do governo tendo sido entregue na tarde da véspera. A equipe econômica incluirá debate sobre reoneração da cesta básica dentro de novo programa social de transferência de renda que está sendo estudado pelo governo, disse Vanessa Canado, assessora especial do ministro da Economia, Paulo Guedes, e secretária-executiva do grupo de trabalho para aperfeiçoamento do sistema tributário.

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A primeira etapa da reforma tributária do governo prevê apenas unificação do PIS/Cofins num IVA federal chamado na Contribuição Social sobre Operações com Bens e Serviços (CBS), mas a equipe econômica já discute com estados e municípios a possibilidade de criação de IVA nacional, disse o secretário da Receita Federal, José Tostes. A nova etapa da reforma tributária será enviada ao Congresso em 30 dias. A reforma vai incluir também IRPJ e IRPF com tributação de dividendos, simplificação do IPI e desoneração da folha.

4. Câmbio

O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Bruno Serra, afirmou que as reservas internacionais e a posição cambial líquida dão à autoridade monetária conforto para seguir atuando no mercado de câmbio caso necessário.

As reservas cambiais eram de US$ 361,799 bilhões no dia 20. Já a posição cambial líquida do BC —que desconta uso das reservas em instrumentos como linhas com recompra, empréstimos em moeda estrangeira e swaps cambiais, entre outros — estava em US$ 299,964 bilhões no dia 10.

Serra, que participou de videoconferência em evento promovido pelo Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP), minimizou a volatilidade do real, que segue mais elevado em relação a outras emergentes. Segundo ele, em outros mercados o crescimento de volume nos minicontratos de câmbio costuma aumentar liquidez e reduzir spreads de compra e venda.

“No mercado local de câmbio vem ocorrendo elevação coincidente da volatilidade da proporção dos minicontratos no volume total. Não necessariamente há relação de causalidade”, disse.

5. Panorama corporativo

A Petrobras anunciou na terça-feira à noite que sua produção total de petróleo e gás somou 2,8 milhões de barris de óleo equivalente ao dia (boed) no segundo trimestre, queda de 3,7% ante os três primeiros meses do ano. Segundo a companhia, esse recuo é consequência do impacto da pandemia de coronavírus nas operações.

Já a produção de petróleo no Brasil recuou 3,2% na mesma comparação, para 2,245 milhões de barris ao dia.

A pandemia levou a hibernação de plataformas que operam em águas rasas e que não são resilientes a baixos preços de petróleo. Algumas cidades também tivera a operação interrompida.

A Petrobras ainda informou que sofreu com a “queda na demanda, mais acentuada no mês de abril, com recuperação nos meses de maio e junho”.

Já no setor aéreo, a ajuda financeira do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a Azul e Gol deve demorar mais que o esperado. Segundo reportagem do jornal “O Estado de S.Paulo”, a operação de socorro deve sair apenas em agosto.

Segundo a reportagem, o banco de fomento estaria perto de assinar o termo de condições com as aéreas. Depois disso, elas poderão dar prosseguimento à operação com os bancos, que será feita via mercado. Nesse modelo, cada companhia poderia receber R$ 1,2 bilhão do banco e instituições privadas.

E nesse início de temporada de balanços, a Neoenergia, do grupo espanhol Iberdrola, registrou lucro líquido de R$ 423 milhões no segundo trimestre do ano, um recuo de 18% na comparação anual. A queda deriva da redução dos volumes e da maior inadimplência nas distribuidoras em meio à pandemia da Covid-19.

O Ebitda registrou retração de 19% na mesma base de comparação, para R$ 1,1 bilhão. Apesar da queda nos resultados, a empresa informou que vai manter o plano de aportes de R$ 30 bilhões para os próximos cinco anos, embora possa ocorrer algumas reprogramações.

(com Agência Estado e Bloomberg)

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