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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quarta-feira

Futuros de NY e bolsas europeias avançam com notícia sobre avanço em acordo comercial sino-americano; no Brasil, destaque é produção industrial

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Os mercados acionários dispararam após informação da Bloomberg de que os EUA e a China estão chegando mais perto de um acerto em relação às tarifas que seriam revertidas em um acordo comercial da primeira fase, mesmo diante das tensões em Hong Kong e Xinjiang, segundo pessoas familiarizadas com as negociações.

Segundo a reportagem, os comentários da véspera de Trump subestimando a urgência de um acordo não deveriam ser entendidos como um indicativo de que as negociações estam paralisadas. Uma fonte disse que a legislação americana que busca sancionar autoridades chinesas por questões de direitos humanos em Hong Kong e Xinjiang não deve afetar as negociações.

No Brasil, os investidores vão monitorar os dados da produção industrial de outubro medidos pelo IBGE, que saem às 9h00, numa prévia do indicadores de atividade econômica do quarto trimestre. Na véspera, os dados do PIB do terceiro trimestre mostraram que a indústria e o consumo das famílias puxaram de 0,6%, porcentual acima do previsto.

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O Estadão trouxe levantamento com 24 instituições econômicas, apontando para um crescimento de 1% para 1,2% do PIB para este ano, enquanto as expectativas para 2020 se mantiveram em 2,3%.

Confira os destaques desta quarta-feira:

1. Bolsas Internacionais

Após uma abertura em queda, os índices futuros de Nova York dispararam, levando juntos os principais índices europeus.

Os mercados refletiam, mais cedo, as incertezas em relação ao fechamento de uma acordo comercial sino-americano, depois das declarações de Trump de que seu fechamento deverá ficar para depois das eleições americanas do ano que vem. Como consequência, as bolsas asiáticas fecharam essa madrugada em forte queda.

Adicionalmente, o secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, ressaltou que o governo Trump não descarta a imposição de tarifas sobre automóveis importados da Europa, apesar de não anunciar uma decisão em novembro sobre a imposição de taxas adicionais sobre carros na região.

Ao mesmo tempo, os mercados refletem a possibilidade da França e da União Europeia promoverem retaliações aos EUA como consequência da imposição de tarifas sobre produtos franceses.

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Entre os indicadores, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto da zona do euro, que engloba os setores industrial e de serviços, ficou em 50,6 em novembro, repetindo o nível de outubro, segundo pesquisa final divulgada hoje pela IHS Markit.

O resultado ficou acima da leitura prévia de novembro e da previsão de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, de 50,3 em ambos os casos.

Apenas o PMI de serviços da zona do euro caiu de 52,2 em outubro para 51,9 em novembro. A estimativa preliminar, contudo, também era menor, de 51,5.

Entre as commodities, destaque para o petróleo que disparou após as notícias sobre avanços nas conversas sino-americanas, enquanto os futuros de minério de ferro fecharam em alta.

Confira o desempenho dos mercados, segundo cotação das 07h55 (horário de Brasília)

*S&P 500 Futuro (EUA), +0,41%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,56%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,45%

*DAX (Alemanha), +1,05%
*FTSE (Reino Unido), +0,27%
*CAC-40 (França), +1,22%
*FTSE MIB (Itália), +1,07%

*Hang Seng (Hong Kong), -1,25% (fechado)
*Xangai (China), -0,23 (fechado)
*Nikkei (Japão), -1,05% (fechado)

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*Petróleo WTI, +1,30%, a US$ 56,83 o barril
*Petróleo Brent, +1,58%, a US$ 61,76 o barril

**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam com alta de 1,77%, cotados a 662,00 iuanes, equivalentes a US$ 93,65 (nas últimas 24 horas). USD/CNY= 7,0685 (+0,11%)

*Bitcoin, US$ 7.269,90, -0,09%

2. Agenda de indicadores

Após do PIB do terceiro trimestre acima do esperado, os investidores ficam de olho às 9h na produção industrial de outubro que, segundo economistas consultados pela Bloomberg, deve ter registrado alta de 0,9% em outubro na comparação mensal. Durante a manhã, IPC-Fipe mensal de novembro, alta de 0,68% em novembro, ante estimativa de 0,56%.

Às 10h, atenção para o Markit Brasil PMI serviços de novembro, ante dado anterior de 51,2. Já o Banco Central oferta até US$ 500 milhões em leilão de dólar à vista junto com reverso a partir das 9h30 e oferta rolagem caso haja sobra e divulga os dados do fluxo cambial semanal às 14h30.

Nos Estados Unidos, às 10h15, serão divulgados os dados do ADP, com os dados de emprego de novembro, com estimativa de criação de 135 mil vagas.

3. Cúpula do Mercosul e taxação dos EUA

O Mercosul realiza na quarta (4) e na quinta-feira (5) em Bento Gonçalves (RS) um encontro de cúpula marcado pelas tensões entre o Brasil de Jair Bolsonaro e a Argentina de Alberto Fernández, que assumirá a presidência semana que vem.

Segundo o secretário de Negociações Bilaterais e Regionais do Itamaraty, Pedro Miguel da Costa e Silva, o Brasil apresentará no encontro pautas para ampliar a liberdade entre os parceiros econômicos. “Traremos um reflexo externo do que é a agenda interna brasileira: aumento de competitividade, abertura da economia, facilitação de negócios, redução de barreiras econômicas. É uma agenda que facilita a vida das pessoas: diminui a burocracia e aumenta a cooperação”, disse o embaixador.

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Sobre uma possível resistência do novo governo da Argentina ao modelo de negócios do bloco, Pedro Miguel disse que não houve nenhum sinal concreto de atrito, e minimizou a questão. “Vamos aguardar a definição das novas autoridades argentinas. Vamos sentar com a contraparte argentina e demais países para conversar. Como qualquer outro país, a Argentina vai precisar tomar pé das negociações e depois haverá espaço para temas em cima da mesa. Eu prefiro trabalhar com fatos”, afirmou.

Atenção ainda para a negociação do Brasil com os EUA para reverter a taxação ao aço e alumínio do país. Segundo o porta-voz do governo, as conversas sobre taxação dos EUA estão avançando.

4. Votações na Câmara

A Câmara dos Deputados pode votar nesta quarta novo marco legal do saneamento. O relator da proposta, deputado Geninho Zuliani (DEM-SP), espera que o texto seja aprovado, mas medida não tem acordo entre líderes e deverá sofrer resistência de parte do Plenário.

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara também deve votar a Proposta de Emenda à Constituição 438/18, que muda a chamada regra de ouro. A fase de discussão do texto foi encerrada ontem. A regra de ouro impede o governo de se endividar para custear despesas como folha salarial, manutenção de órgãos e programas sociais.

A PEC, do deputado Pedro Paulo (DEM-RJ), prevê uma série de novos dispositivos. Conforme a proposta, na hora de apertar o cinto, o Executivo vai ter de reduzir incentivos fiscais, suspender repasses ao Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), cortar gastos com publicidade oficial e até mesmo vender ativos e bens públicos.

Vale destacar ainda que, segundo o Estadão, diante do resultado do PIB, Paulo Guedes fará nova tentativa com Bolsonaro para reabilitar a reforma administrativa.

 

5. Noticiário corporativo

Em destaque no noticiário da Petrobras, a estatal fará nova oferta de ações da BR Distribuidora, segundo informa o Valor Econômico. Sobre a BR, a companhia recebeu R$ 37,4 milhões em dívidas da Eletrobras.

Além disso, haverá a definição do preço por ação em oferta primária de Lojas Marisa. A C&A Modas, por sua vez, teve a sua cobertura iniciada pelo Morgan Stanley e Bradesco BBI com recomendação equivalente à compra. A Hapvida acertou a aquisição da Medical por R$ 294 milhões.

(Com Agência Câmara, Agência Brasil e Bloomberg)